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Invasão em Detroit

Chery propõe Cavalo de Troia em Detroit e aceita mudar carros para vender nos EUA

A Chery revelou intenção de fechar parcerias com montadoras americanas como Ford e GM para produzir veículos nos EUA

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As marcas chinesas já dominaram a Europa e pavimentam o caminho para conquistar o Canadá. No entanto, a mira está virada para os Estados Unidos. Para quebrar a resistência, a estratégia mudou: em vez de enfrentar o protecionismo, elas desejam usar os próprios fabricantes americanos como ponte. Em entrevista à Reuters, Charlie Zhang, o vice-presidente da Chery, revelou alguns detalhes.

A gigante chinesa, dona da Omoda & Jaecoo, por exemplo, está aberta a criar parcerias com fabricantes dos EUA. No México, a marca já é realidade comercial, e a estreia no Canadá está agendada para o início de 2027. Entretanto, cruzar a fronteira pede uma cartada mais audaciosa.

Omoda 4 azul de frente
Omoda 4 [Divulgação]

Marcas chinesas passando pelas sanções e tarifas

Para contornar as barreiras do governo norte-americano, que aplicou tarifas de 100% sobre veículos chineses e baniu softwares do país oriental, a Chery está disposta a radicalizar. Ela afirmou que pode remover todos os componentes e sistemas digitais chineses para vender nos Estados Unidos em parceria com marcas locais.

Charlie Zhang deseja escapar do mesmo cerco regulatório que estrangulou a Polestar. Aliás, a marca do grupo Geely abandonou as operações nos EUA após o aperto nas regras contra tecnologias chinesas. Segundo o executivo, a Chery consegue entregar tanto arquitetura de hardware quanto pacotes de software isentos de componentes chineses, segundo informações do Carscoops.com.

O Range Rover chinês que calou os britânicos

O apetite da Chery tem um motivo: o sucesso no continente europeu. No Reino Unido, o Jaecoo 7 cravou a primeira posição no ranking geral de vendas do Reino Unido em março. Sendo assim, tornando-se o primeiro carro de marca chinesa a liderar o mercado britânico. O feito histórico deu à diretoria da Chery a certeza de que a América do Norte é o próximo alvo.

A ilusão de que o protecionismo manteria as marcas chinesas longe dos EUA ruiu. Jim Farley, CEO da Ford, fez um alerta: as marcas chinesas vão invadir a fronteira americana entre cinco e 10 anos. Sobretudo, uma parceria poderia resultar na Ford ou na General Motors fabricando carros para a Chery em suas próprias plantas ociosas.

Jaecoo 7 Prestige azul de frente em um local cheio de grama
Jaecoo 7 Prestige [Auto+ / João Brigato]

A manobra fará à Chery vender nos Estados Unidos 100% dentro da lei, repetindo o movimento de Toyota, Honda e Nissan nos anos 1980. Todavia, o presidente Donald Trump declarou que apoia a instalação de fábricas chinesas no país, desde que gerem empregos locais. Só que a maior resistência pode vir do United Auto Workers (UAW), o sindicato dos metalúrgicos de Detroit, que pode considerar como um Cavalo de Troia para a indústria nacional.

Você acha que marcas como Ford e GM deveriam fabricar carros para a Chery nos EUA ou isso seria o fim da indústria de Detroit? Escreva nos comentários!

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