A história relata que os carros oficiais podem ser armadilhas. Afinal, alguns modelos deixaram de ser apenas um transporte para ser onde o destino foi decidido. Muitas vezes, um erro de projeto ou uma escolha estética, como abrir mão de uma capota, mudou a geopolítica.
Selecionamos cinco carros que assistiram e fizeram parte da história global. Do Lincoln de Kennedy ao Citroën DS de Charles de Gaulle, cada veículo aqui carrega um fardo. Aliás, eles serviram de testemunhas silenciosas para o momento em que o poder ruiu.
Gräf & Stift Double Phaeton

O arquiduque Francisco Ferdinando queria transmitir uma imagem de coragem. Em 28 de junho de 1914, Ignorando alertas de segurança, desfilou em um conversível aberto para mostrar poder nos Bálcãs. O problema? Ninguém contava com o erro do condutor. Sobretudo, o destino mudou por conta de uma marcha à ré mal engatada.
Ao errar o caminho e tentar manobrar, o motor morreu na frente de Gavrilo Princip (1894–1918), nacionalista sérvio-bósnio que assassinou o Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa Sofia em Sarajevo, em 28 de junho de 1914. Dois tiros foram o estopim para a Primeira Guerra Mundial.
Lincoln Continental SS-100-X

Em Dallas, John F. Kennedy desfilava no Lincoln Continental (código SS-100-X), o auge do luxo norte-americano nos anos 1960. O carro era modificado pela Ford, com degraus para agentes e sistemas de comunicação de ponta. Aliás, a vaidade política cobrou um preço alto. A remoção da capota de acrílico, que não era blindada, mas servia de barreira, deixou o então presidente JFK vulnerável na Dealey Plaza.
O Lincoln, que deveria ser um trono móvel, transportou um presidente morto e forçou o mundo a mudar todos os protocolos de segurança de chefes de estado.
Mercedes-Benz 320

Reinhard Heydrich dispensava escolta e andava em seu Mercedes-Benz 320 conversível com a capota aberta, apenas para humilhar os tchecos ocupados em 1942. Para ele, o carro era uma extensão do seu poder, uma armadura que ele julgava impenetrável.
Entretanto, a Operação Antropóide provou o contrário. Dois agentes interceptaram o carro em uma curva fechada, onde a velocidade baixa deixou o alvo exposto. Uma granada explodiu contra a lateral do Mercedes, lançando pedaços do estofamento e metal para dentro do corpo de Heydrich. Ironicamente, a infecção causada pelos detritos do luxo alemão selou o destino de um dos homens mais odiados do Terceiro Reich.
ZIS-110

Josef Stalin amava os Packard americanos, mas sua paranoia não permitia andar em algo construído pelo inimigo capitalista. A solução foi criar o ZIS-110, uma cópia soviética do Packard Super Eight. Foi um símbolo da Guerra Fria: uma fachada de luxo ocidental escondendo uma fortaleza de segurança russa.
Na balança, a versão blindada pesava mais de cinco toneladas e tinha vidros de 75 mm de espessura. Stalin nunca repetia rotas e usava uma frota idêntica para confundir atiradores. O ZIS-110 era uma cápsula de isolamento com cortinas fechadas, projetando a imagem de um líder que não confiava em ninguém.
Citroën DS

O Citroën DS do presidente Charles de Gaulle foi o herói de uma fuga impossível em 1962. Durante um atentado em Petit-Clamart, o DS presidencial foi alvo de 140 disparos de metralhadora. O era estourar os pneus, imobilizar o carro e terminar o serviço com o presidente encurralado.
Mesmo com os quatro pneus furados, o sistema de suspensão manteve o carro nivelado e permitiu que o motorista acelerasse para escapar da emboscada. O DS provou que a tecnologia futurista da marca não servia apenas para o conforto, mas era a única barreira entre a vida de De Gaulle e o colapso político da França.
Qual desses carros você acha que carrega a história mais pesada: o Lincoln que parou os Estados Unidos ou o Citroën DS que salvou a pele de Charles De Gaulle? Escreva nos comentários.


