A indústria caminhou em direção às telas sensíveis ao toque e aos botões capacitivos. Um raciocínio que seguiu uma lógica: aparência mais limpa ao painel e transmitem modernidade. Contudo, essas interfaces se mostraram muito mais difíceis de usar na prática.
Os controles por toque se popularizaram por serem mais baratos, não por serem melhores. Segundo Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, a migração para os comandos digitais tem pouco a ver com a melhoria da experiência e tudo a ver com a eficiência financeira.

Economia, mas prejuízo para o motorista
Vigna afirmou que o botão sensível ao toque é uma solução para beneficiar o fornecedor e a montadora. Fabricar um componente touch custa exatamente a metade do preço de um botão físico convencional. Essa tendência global não é impulsionada pela preferência do cliente ou por qualquer vantagem tecnológica, porém, pela redução dos custos mascarada de modernidade.
Painéis capacitivos reduzem a quantidade de peças móveis, simplificam o chicote elétrico e possibilitam que os fabricantes reutilizem o mesmo hardware em diversos modelos. Essa padronização rende lucros, eliminando a necessidade de projetar e validar interruptores físicos para cada função.


Botões físicos
A Ferrari Luce é o primeiro veículo elétrico de Maranello e previsto para o final de 2026. Em vez de investir nas telas, a marca planeja resgatar interruptores e botões físicos. Vigna quer uma mistura de controles físicos e digitais. O desenvolvimento do Luce possui a colaboração da consultoria LoveFrom, liderada por Jony Ive. O ex-designer da Apple é o homem por trás do iPhone original, produto que se tornou icônico justamente pela ausência de botões. Agora, o mentor da revolução touch parece liderar o movimento contrário em Maranello.
A Ferrari não está sozinha nessa correção de rota. A Rolls-Royce nunca abandonaram os comandos analógicos. Gigantes populares como Hyundai e Volkswagen já reconhecem abertamente a necessidade de substituir comandos touch por controles físicos. O retorno mostra que, na cabine, a funcionalidade e a segurança devem sempre prevalecer.

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