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Nada de comandos sensíveis ao toque

Ferrari é mais um fabricante a resgatar os botões físicos

CEO da Ferrari admite que botões sensíveis ao toque são 50% mais baratos de produzir e confirma retorno dos comandos físicos

3 min de leitura

A indústria caminhou em direção às telas sensíveis ao toque e aos botões capacitivos. Um raciocínio que seguiu uma lógica: aparência mais limpa ao painel e transmitem modernidade. Contudo, essas interfaces se mostraram muito mais difíceis de usar na prática.

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Os controles por toque se popularizaram por serem mais baratos, não por serem melhores. Segundo Benedetto Vigna, CEO da Ferrari, a migração para os comandos digitais tem pouco a ver com a melhoria da experiência e tudo a ver com a eficiência financeira.

Interior azul da Ferrari 849 Testarossa. Fabricante irá voltar com os botões físicos
Ferrari 849 Testarossa [Divulgação]

Economia, mas prejuízo para o motorista

Vigna afirmou que o botão sensível ao toque é uma solução para beneficiar o fornecedor e a montadora. Fabricar um componente touch custa exatamente a metade do preço de um botão físico convencional. Essa tendência global não é impulsionada pela preferência do cliente ou por qualquer vantagem tecnológica, porém, pela redução dos custos mascarada de modernidade.

Painéis capacitivos reduzem a quantidade de peças móveis, simplificam o chicote elétrico e possibilitam que os fabricantes reutilizem o mesmo hardware em diversos modelos. Essa padronização rende lucros, eliminando a necessidade de projetar e validar interruptores físicos para cada função.

Botões físicos

A Ferrari Luce é o primeiro veículo elétrico de Maranello e previsto para o final de 2026. Em vez de investir nas telas, a marca planeja resgatar interruptores e botões físicos. Vigna quer uma mistura de controles físicos e digitais. O desenvolvimento do Luce possui a colaboração da consultoria LoveFrom, liderada por Jony Ive. O ex-designer da Apple é o homem por trás do iPhone original, produto que se tornou icônico justamente pela ausência de botões. Agora, o mentor da revolução touch parece liderar o movimento contrário em Maranello.

A Ferrari não está sozinha nessa correção de rota. A Rolls-Royce nunca abandonaram os comandos analógicos. Gigantes populares como Hyundai e Volkswagen já reconhecem abertamente a necessidade de substituir comandos touch por controles físicos. O retorno mostra que, na cabine, a funcionalidade e a segurança devem sempre prevalecer.

Detalhes do Ferrari Luce [Divulgação]

E você, o que acha dos fabricantes retornarem aos comandos físicos? Escreva sua opinião nos comentários.

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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