A Mercedes-AMG começou a dar sinais de que ouviu seus clientes após insistir por alguns anos em motores quatro cilindros altamente sofisticados, mas pouco carismáticos. Aparentemente a marca alemã passa a recuar da estratégia, e um dos modelos que será o exemplo disso é o fim do GLC43 AMG com motor 2.0 turbo e para a chegada do GLC53 AMG, agora equipado com um seis cilindros em linha.
Segundo informações publicadas pelo site americano Jalopnik, a Mercedes-AMG decidiu aposentar o GLC43 e substituí-lo pelo GLC53 4Matic+. O modelo vai adotar o conhecido motor 3.0 seis cilindros em linha turbo, com auxílio elétrico, entregando 443 cv e 57,9 kgfm de torque, com a famosa função de overboost que eleva o torque temporariamente.
Esse conjunto é o mesmo da família M256, já utilizada em outros AMG, mas recebeu ajustes específicos no GLC53, como novo cabeçote, comandos de válvulas revisados e melhorias nos sistemas de admissão e escape. O câmbio é automático de nove marchas, calibrado pela AMG, sempre com tração integral 4Matic+.
O recuo que já era esperado

A decisão não surge do nada. Em entrevista à Autocar em 2025, um alto executivo da Mercedes-Benz reconheceu publicamente que a aposta nos quatro cilindros, embora eficiente do ponto de vista técnico, não convenceu o público tradicional da AMG. O problema nunca foi desempenho, e sim a falta de emoção, som e identidade, pilares que sempre definiram um AMG de verdade.
Mesmo com potência elevada, os motores 2.0 turbo não entregavam a experiência que os clientes esperavam, especialmente em modelos com preço e posicionamento tão altos, algo que virou críticas recorrentes.
Um salto em relação ao GLC43 atual

Para efeito de comparação, o GLC43 AMG vendido hoje no Brasil, com preço de R$ 699.900 (R$ 720.900 na versão Coupé) usa um motor 2.0 turbo de quatro cilindros, com 422 cv e 51 kgfm de torque, auxiliado por sistema semi-híbrido de 48V.
Apesar dos números mais fortes que a antiga geração 3.0 V6 biturbo de 390 cv e 53 kgfm, o conjunto nunca conquistou os puristas. Inclusive, quem tiver o desejo de ter o antigo V6, só modelos semi-novos só a antiga geração vendida até 2022.
Desempenho e comportamento mais alinhados à AMG

Com o seis cilindros, o GLC53 acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 4,1 segundos, usando controle de largada. Opcionalmente, o site diz que o SUV pode até receber um diferencial traseiro de deslizamento limitado eletrônico e até modo Drift, algo inédito em um SUV AMG, permitindo funcionamento com tração apenas traseira.
Os modos de condução incluem Comfort, Sport, Sport+ e Individual, além de ajustes mais extremos com o pacote AMG Dynamic Plus. Suspensão adaptativa, direção com atuação variável e eixo traseiro direcional completam o pacote técnico.
Visual muda pouco

Do lado de fora, o GLC53 praticamente não muda em relação ao modelo que substitui. As alterações ficam concentradas em detalhes aerodinâmicos, rodas exclusivas e novos pacotes estéticos, como o Golden Accents, que adiciona detalhes dourados por dentro e por fora, como o G63 Grand Edition. Por dentro, o layout também vai seguir o padrão atual.
Será que a Mercedes-AMG finalmente voltou a ouvir os puristas como a Ram? Deixe seu comentário!



