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O jogo virou

Programa Mover muda para híbridos e elétricos valerem mais no Brasil

Entenda como a nova portaria do Programa MOVER utiliza multiplicadores para modelos híbridos e elétricos valerem mais

4 min de leitura

Os híbridos e elétricos conquistaram o consumidor brasileiro pela autonomia e pela economia no posto. No entanto, longe dos olhos do público, o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) sofreu uma alteração estratégica em sua portaria que redefine as regras para as montadoras. Sem alardes, o governo modificou o cálculo da eficiência energética das frotas.

Não se trata de uma nova métrica de consumo, mas de uma contabilidade que altera o peso regulatório de cada tecnologia. Essa equação invisível dita quais modelos as marcas manterão nas lojas e quais serão sentenciados ao fim da linha nos próximos anos.

A lógica da compensação

No Programa MOVER, o governo não fiscaliza carros isoladamente. O que vale é a média de eficiência de toda a frota vendida pelo fabricante ou importador ao longo do ano. Na prática, uma marca ganha o direito de vender modelos beberrões, desde que equilibre a balança com veículos altamente eficientes.

A grande mudança está nos multiplicadores. A nova regra permite que tecnologias limpas valham por dois, três ou até quatro veículos no fechamento da conta. É o atalho perfeito para as fabricantes evitarem multas pesadas sem precisar abandonar o motor a combustão do dia para o noite.

Híbrido BYD King GS azul parado de frente com árvores ao fundo
BYD King GS [Auto+ / João Brigato]

O bônus da contabilidade criativa

A conta funciona como um bônus de eficiência. Imagine uma marca que vende mil carros a combustão e apenas cem elétricos. Pelas normas de 2027, esses cem elétricos ganham peso três na planilha oficial. Para o governo, essa empresa não emplacou 1.100 carros, mas sim 1.300, sendo 300 deles considerados nota máxima.

Essa matemática facilita o cumprimento das metas ambientais com muito menos esforço técnico. Segundo a portaria de 2027, o peso regulatório segue uma escala rígida:

  • Híbridos: valem até 1,5 carro;
  • Híbridos Plug-in (PHEV): valem até 2;
  • Elétricos a bateria (BEV): valem 3;
  • Célula de combustível (Hidrogênio): valem 4.
Híbrido Honda Civic e:HEV 2026 [Auto+ / João Brigato]
Honda Civic e:HEV 2026 [Auto+ / João Brigato]

O fim da era do motor puro

O MOVER funciona como um relógio de areia: os benefícios têm prazo de validade. O governo sinaliza que a eletrificação é a prioridade do agora. Quem larga na frente garante os bônus; quem retarda a tecnologia verá as vantagens desaparecerem conforme a eletrificação virar padrão.

Para a engenharia nacional, o limite do motor a combustão chegou ao teto. Mesmo com injeção direta, downsizing e ciclos de alta eficiência como Miller ou Atkinson, o ganho marginal é insuficiente para as metas atuais. A eletrificação tornou-se obrigatória, nem que seja por meio de sistemas híbridos leves (MHEV).

Fiat Pulse Impetus Hybrid branco visto de lado
Fiat Pulse Impetus Hybrid [Auto+/ Felipe Yamauchi]

O impacto no showroom entre os híbridos e elétricos

Para o consumidor, essa matemática é invisível, mas o resultado aparece na vitrine. O carro elétrico deixou de ser um nicho de imagem para virar o salva-vidas das planilhas. Além disso, muitos modelos existem menos pelo lucro direto e mais para gerar créditos que sustentam o portfólio da marca.

As consequências práticas são inevitáveis: modelos tradicionais saem de linha, preços sobem para cobrir tecnologias novas e a eletrificação forçada chega aos segmentos populares. Os híbridos viram o novo padrão, enquanto elétricos de entrada tornam-se peças vitais para a sobrevivência dos fabricantes no mercado brasileiro.

Linha de montagem do elétrico  BYD Dolphin Mini em Camaçari (BA)
Linha de montagem da BYD em Camaçari (BA) [Divulgação]

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