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Macan GTS é o único Porsche que você precisa | Avaliação 

Macan GTS é a maneira de ter um Porsche com todos os lados bons da marca e com raras aparições do lado ruim
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
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Desde que a Porsche foi salva pelo Cayenne no começo dos anos 2000, ficou claro que os SUVs esportivos conquistaram o coração do publico. Afinal, é possível ter um carro prático para o uso corriqueiro, mas também um esportivo de verdade nas mãos. Só que o Porsche Macan GTS levou isso muito a sério. 

Faz pouco tempo que avaliei o Porsche Cayenne GT e até agora não me conformo o quanto esse carro desafia as leis da gravidade. Só que o Cayenne é um trambolho. Grande demais. Por isso, apesar de ter todo o espírito Porsche, falta a ele a essência e leveza de um esportivo. E é ai que o Macan entra.

O Macan é mais próximo do 911 na essência do que o próprio Cayenne, sendo mais esportivo do que SUV. Só que sem a invenciencia dos esportivos de fato. Confesso que, mesmo custando R$ 710 mil, se pudesse só ter um carro na vida e mais nada, seria ele. Ao menos por enquanto, sonhar não custa.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]

Sem barulho, sem like

Outra confissão que preciso fazer é que todos os dias que passei com esse Porsche Macan, andei com o sistema de escape ativo no modo mais barulhento. E não havia uma vez que não passava pelos corredores da garagem sem acelerar um pouco para que o escapamento cantasse sua ópera.

É uma belíssima sinfonia áspera e que, em acelerações mais vigorosas. provoca arrepiantes estouros. Tudo isso só é possível graças ao motor V6 2.9 turbo: uma obra de arte da engenharia alemã que está em extinção. Afinal, essa será a última geração a combustão do Macan.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
São 440 cv e 56,1 kgfm de torque despejados prioritariamente nas rodas traseiras, mas que atuam nas dianteiras assim que necessário. Esse V6 é estupendo. É um motor equilibrado, que consegue rodar com suavidade impressionante quando necessário, fazendo consumo medio de 7,8 km/l durante nossos testes.

Oficialmente, a Porsche declara 6,8 km/l na cidade e 8,4 km/l na estrada. Bons números para um carro com tanta potência. Mas chame o V6 do Macan para acordar e se deparará com uma verdadeira usina de força. Ele arranca com patadas, grita alto e enche sem a menor dificuldade. Não há turbolag como no Cayenne.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]

Sopa de letras que fazem muito

A transmissão automatizada de dupla embreagem da Porsche, chamada de PDK, possui um nome que mais parece um palavrão e chega a ser impronunciável. Mas saiba que essas três letras fazem maravilhas no Macan GTS. Tal qual o motor V6, esse cambio tem dois estágios de comportamento.

Nos circuitos urbanos, se comporta com suavidade, trocando de marcha cedo e de maneira praticamente imperceptível. Mas basta um pequeno cutucão, quer seja uma frenagem mais forte ou um trisco a mais no acelerador, que ele entra em modo de ataque e já acha que é hora de honrar o nome GTS.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
As trocas passam a ser ainda mais rápidas, com um instigante tranquinho típico de esportivo. Mas as reduções que são seu grande charme: o punta taco automático mantém o motor cheio e é sempre acompanhado de um estampido vindo do sistema de escape. 

Mudança de posição

Um dos pontos mais interessantes do Macan, por ser menor que o Cayenne, é sua dirigibilidade quase de hatch. São 4,72 m de comprimento, 1,97 m de largura e 1,59 m de altura, proporções que o fazem mais ágil nas curvas. Ele é mais sentado no chão, engolindo estradas sinuosas como se fosse um 718 Cayman.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
A suspensão adaptativa com três modos de rigidez permite segurar o SUV tão forte quanto um alemão agarra seu copo de cerveja em uma Oktoberfest. Ele não faz sentir o deslocamento de peso e se recupera de uma curva rapidamente. A tocada forte é a zona de conforto do modelo.

Pena que a unidade testada contava com pneus Michelin na dianteira e Pirelli na traseira. Com isso, seu comportamento nas curvas foi comprometido com um excesso de cantoria vindo das rodas traseiras. O que resultou em uma situação em que ele chegou próximo de perder o controle em uma curva de alta em asfalto úmido.

Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Porsche Macan GTS [Auto+ / João Brigato]
Para combinar, a direção é bem pesada. Para rodar na cidade, é sentido esse peso extra que faz do Macan um esportivo. Mas é algo que ajuda (e muito) na hora de acelerar com vontade. A vantagem, é que, ao engatar a ré, a direção assume outra calibragem, ficando extremamente leve para ajudar na manobra. 

Isso não é um SUV

Outro ponto de enorme destaque no Porsche Macan GTS é a posição de dirigir. Ao entrar no SUV nota-se que o piso é bem mais alto do que o normal. Com isso, se faz necessário dirigir com as pernas mais esticadas, como se estivesse em um 911. Você se senta baixo dentro de um carro alto.

O contraste é interessante ao analisar que ali está o melhor de dois mundos: a visão alta de um SUV sem a inconveniência de sentir que está sentado em um cadeirão. Se eu puxo meus pé esquerdo para próximo do banco, o joelho fica no meio do volante, tal qual o 911.

Esse Macan GTS especificamente contava com banco esportivo com regulagem elétrica em 14 posições. É um opcional interessante pois permite regular o quanto as almofadas laterais (do assento e do encosto) vão te abraçar. Além disso, são poltronas verdadeiramente confortáveis.

 [Auto+ / João Brigato]
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Couro com recheio de couro

Como esperado de um Porsche, o acabamento é impecável. Há couro em tudo quanto é canto do Macan GTS. Inclusive alguns mais macios, como no painel, outros revestindo superfícies rígidas como as portas. Na reestilização recente, ele ganhou novo console central com comandos touch no lugar dos botões.

Foi algo que deu uma boa renovado na cabine do SUV, mas a idade já aparece. O painel de instrumentos é pequeno e tem apenas uma tela colorida do lado direito. A central multimídia é boa, mas carece de Android Auto e tem uma mania horrível de deixar o mapa do carro dividindo tela com o CarPlay.

Há de pontuar também que náo existe lugar para colocar o celular, nem mesmo carregador por indução. O porta-objetos central abriga as entradas USB, mas que não permite colocar com folga um iPhone Plus ou Pro Max ali conectado, só os de tamanho normal. 

O visual é clássico da marca e ainda agrada, mas esses pequenos pontos de falta de modernidade já incomodam. Em questão de espaço, o Macan vai ok. O teto é baixo na traseira e, mesmo não sendo um SUV cupê, o espaco para a cabeça é ruim. Eu com 1,87 m de altura raspo a cabeça lá.

 [Auto+ / João Brigato]
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Já o porta-malas tem 488 litros, acabamento ótimo com carpete grosso de qualidade e até espaço para itens extras abaixo da cobertura. O estepe é temporário e vem murcho, sendo necessário usar o compressor ali presente. O único problema é o botão para abertura do porta-malas.

Eu nunca vi um botão de abertura de porta-malas mais mal posicionado do que o do Porsche Macan. Ele fica no limpador. Sim, um botão junto do limpador do vidro traseiro. Ao menos há como abrir o porta-malas pela chave ou por um botão interno também mal posicionado (atrás do comando de abertura do vidro traseiro).

 [Auto+ / João Brigato]
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Topo da gama

Aqui no Brasil, o Porsche Macan GTS é recheado de itens de série por ser a vesão topo de linha do SUV no nosso mercado. Com isso, traz itens como ar-condicionado digital de três zonas, chave presencial, seis airbags, faróis full-LED com assistente de luz alta, sistema de manutenção em faixa e piloto automático adaptativo.

Há ainda itens como bancos dianteiros elétricos com aquecimento, aquecimento também para o banco traseiro, monitoramento de pressão dos pneus, controle de tração e estabilidade, tração integral sob demanda, vetorizadas de torque, volante com ajuste elétrico de altura e profundidade, além de frenagem autônoma de emergência. 

 [Auto+ / João Brigato]
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Há opcionais extravagantes como volante com aquecimento, pinturas exclusivas, diversos tipos de rodas de liga-leve de desenhos e cores diversos e até ionizador de ar-condicionado. Dependendo dos opcionais, ele pode passar fácil de R$ 800 mil.

Veredicto

Quando testei o Porsche Macan GTS pela primeira vez há muitos anos, já havia ficado com a impressão de que se tivesse que ter só um carro na vida, seria ele. E agora, com mais experiência e vivência, essa máxima continua. Afinal, ele reúne basicamente tudo que alguém precisa em um carro e ainda é bom de dirigir.

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Divertido como um Porsche de verdade, conveniente como um SUV precisa ser para o dia a dia (sem ser um trambolho como o Cayenne), o Macan reúne tudo que há de melhor na marca alemã hoje. A versão GTS vai além por oferecer performance estúpida e um belíssimo V6 borbulhante.

Só corra, porque a próxima geração do Porsche Macan será totalmente elétrica. Por mais que a Porsche saiba fazer elétricos incríveis, vulgo Taycan Turbo S, não será a mesma coisa. Uma tristeza. 

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João Brigato

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