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Culpa é do Tavares

Brasil quase perdeu Fiat Toro e Ram Rampage por teimosia de ex-CEO da Stellantis

O ex-CEO da Stellantis insistia em usar uma plataforma não compatível com picapes e o Brasil perderia Fiat Toro e Ram Rampage

3 min de leitura

A obsessão de Carlos Tavares pela eletrificação e pela unificação total de plataformas quase custou a existência da Fiat Toro e da Ram Rampage. Isso porque o ex-CEO da Stellantis tentou impor a utilização da plataforma STLA Medium no Brasil. No entanto, essa base é incompatível com caminhonetes. Caso essa decisão tivesse avançado, os dois modelos simplesmente morreriam.

O conflito técnico entre a engenharia brasileira e a visão global

De acordo com fontes internas ligadas ao grupo Stellantis, a engenharia brasileira se posicionou de forma contrária à troca da plataforma Small Wide pela STLA Medium em solo nacional. Para SUVs como o Jeep Compass, que já migrou para essa nova base na Europa, a mudança até apresenta certa lógica. Afinal, nesses mercados, a tração nas quatro rodas pode ser suprida por um motor elétrico instalado diretamente no eixo traseiro.

Entretanto, para picapes com a proposta da Fiat Toro e da Ram Rampage, tal configuração seria inviável. Além de a tração 4×4 com reduzida ser um requisito fundamental para que ambas utilizem motores diesel, a arquitetura STLA Medium não suporta a estrutura bruta necessária para uma caminhonete de carga.

Ram Rampage Big Horn prateada estática para avaliação e teste
Ram Rampage Big Horn [Auto+/Luiz Forelli]

A legislação brasileira e as limitações das plataformas globais

Diferentemente de um carro de passeio convencional, uma picape precisa oferecer uma área de carga ampla e capacidade para transportar grandes pesos. Especificamente no Brasil, a legislação exige que o veículo suporte ao menos uma tonelada na caçamba para que o uso do motor diesel seja autorizado. Sem atender a esse requisito, a fabricante fica restrita aos motores flex, gasolina ou sistemas híbridos sem a opção do diesel.

Com a saída de Carlos Tavares e a consequente revisão das estratégias globais, a filial brasileira recuperou a autonomia. Agora, a engenharia local não é mais obrigada a adotar plataformas globais, possuindo maior liberdade para desenvolver alternativas coerentes com a realidade das nossas estradas e do nosso mercado. Com efeito, o Brasil ainda mantém sua prioridade e relevância no desenvolvimento global do grupo.

O protagonismo do centro de desenvolvimento de Betim

Fiat Grande Panda [Divulgação]

Prova dessa relevância é que o centro de desenvolvimento latino-americano em Betim lidera todos os projetos envolvendo a plataforma Smart Car. Essa base equipa o Citroën C3, o Fiat Argo / novo Uno / Grande Panda europeu. Embora seja uma variante de baixo custo da arquitetura CMP global, a engenharia brasileira detém a total responsabilidade sobre ela. Da mesma forma, o futuro da plataforma Small Wide, que sustenta as picapes de sucesso da marca, permanece sob os cuidados dos especialistas brasileiros.

Por fim, fica o questionamento sobre os rumos do mercado. Você acredita que a Stellantis sobreviveria comercialmente no Brasil sem a presença de Toro e Rampage ou a concorrência engoliria o grupo? Conte sua opinião nos comentários.


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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