A Fiat confirmou que o nome do seu próximo lançamento no Brasil será Argo. Muitos brasileiros esperavam e apostavam o retorno do Uno, um nome histórico para o país, ainda mais vindo do Panda e no ano que a montadora italiana irá completar 50 anos no Brasil. Mas a decisão foi manter o nome Argo, como confirmou Olivier François, presidente da Fiat.
Então pegando o Argo de referência o Auto+ quis tirar uma dúvida: quanto o Fiat Argo custava quando foi lançado, e quais foram suas mudanças visuais e mecânicas ao passar do tempo?
O Argo chegou ao Brasil em maio de 2017, como linha 2018, e desde então nunca mudou de geração. Teve ajustes pontuais, novo logotipo em 2020, facelift leve em 2025 e mudanças importantes de motorização ao longo do caminho, como a saída do motor 1.8. Mas,em geral, é o mesmo carro.
Antes de tudo, como funciona a correção pela inflação

Entre maio de 2017 e janeiro de 2026, o IPCA acumulado foi de 53,3%. Ou seja, algo que custava R$ 100 em 2017 precisaria custar cerca de R$ 153 em 2026 apenas para ter o mesmo valor real, sem ficar mais caro de verdade, vamos dizer assim.
Com isso em mente, dá para separar duas leituras diferentes. A primeira é quanto o Argo subiu nominalmente, olhando só para o preço de etiqueta, sem inflação no meio. A segunda é quanto ele subiu de fato acima da inflação, ou seja, o quanto ficou mais caro em termos reais.
Às versão de entrada


Quando foi lançado, o Fiat Argo mais barato era o Drive 1.0, que custava R$ 46.800 em maio de 2017. Corrigindo esse valor pelo IPCA até dezembro de 2025, ele passaria a custar R$ 71.756,92. Hoje, o Argo mais barato da gama custa R$ 94.790, na versão 1.0 Sem Nome. Já a versão equivalente em nome e proposta, o Drive 1.0, custa R$ 96.790.
Na prática, isso representa um aumento de quase R$ 49.990. Ou seja, o Argo 1.0 ficou cerca de 35% mais caro em termos reais, acima da inflação. Em termos técnicos, pouca coisa mudou. O motor segue sendo o Firefly 1.0 aspirado, com pequenas variações de potência e torque. Em 2017, entregava 72/77 cv e 10,4/10,9 kgfm. Em 2026, passou para 71/75 cv e 10,0/10,7 kgfm. Em ambos os casos, sempre com câmbio manual de cinco marchas.
Fiat Argo 1.3 manual


Em 2017, o Argo Drive 1.3 manual custava R$ 53.900. Corrigindo esse valor pela inflação até 2026, ele chegaria a R$ 82.643,12. Hoje, a versão que mais se aproxima em proposta é o Argo Trekking 1.3 manual, tabelado em R$ 102.790. Mesmo considerando as diferenças de posicionamento e visual, a conta mostra um aumento de cerca de 24% acima da inflação.
O motor continua sendo o Firefly 1.3 aspirado. Em 2017, entregava 101/109 cv e 13,7/14,2 kgfm. Em 2026, passou a oferecer 98/107 cv e 13,2/13,7 kgfm, sempre com câmbio manual de cinco marchas.
Fiat Argo 1.3 automático


As versões automáticas do Argo antigamente utilizava o câmbio GSR, um automatizado de cinco marchas, e custava R$ 58.900. Corrigido pela inflação, esse valor chegaria a R$ 90.309,45 em 2026. Hoje, o equivalente é o Argo Drive 1.3 CVT, que custa R$ 107.790. Isso representa um aumento de cerca de 19% acima da inflação.
O motor segue sendo o mesmo Firefly 1.3, mas a transmissão mudou bastante. Saiu o GSR, criticado, e entrou o CVT da Aisin, que simula sete marchas. O resultado é mais suavidade e melhor consumo, mas também um desempenho mais morno.
Versão topo de linha, onde a conta quase fecha


Em 2017, o topo da linha Argo era o HGT 1.8 automático, que custava R$ 70.600. Corrigido pelo IPCA, esse valor chega a R$ 108.248 em 2026. Hoje, o Argo mais caro é o Trekking 1.3 CVT, por R$ 110.790. Aqui, a diferença é mínima, pouco mais de 2% acima da inflação. Curiosamente, é o único caso em que o preço atual praticamente acompanha a correção inflacionária.
Mas o carro mudou bastante. Saiu o motor 1.8 de até 139 cv e 19,3 kgfm, com câmbio automático de seis marchas, e entrou o 1.3 aspirado de até 107 cv, com CVT. Na prática, o Argo de hoje custa quase o mesmo em termos reais, mas entrega menos desempenho.
No final….

O Fiat Argo no final das contas não mudou de geração, não ficou maior e não ganhou motores mais potentes. Ainda assim, ficou significativamente mais caro, principalmente nas versões de entrada e intermediárias.
A inflação explica parte desse aumento, mas não tudo. O restante passa por reposicionamento de mercado, enxugamento de versões e pelo encarecimento generalizado do carro zero no Brasil, principalmente depois da pandemia.
Se ele tivesse sido lançado hoje, com o mesmo projeto de 2017, custaria tudo isso? Deixe seu comentário!



