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Aprendeu e fez melhor

GAC aprendeu com a Toyota e fez o GS4 melhor que o Corolla Cross | Avaliação

Parceria entre GAC e Toyota parece que beneficiou mais a chinesa, que aprendeu os truques do Corolla Cross e fez o GS4

8 min de leitura

Até pouco tempo atrás, qualquer marca internacional que quisesse atuar na China precisava se associar a uma marca local. Coincidentemente ou não, Honda e Toyota se associaram à GAC, que aprendeu seus truques e mostrou isso bem nitidamente com o GS4. Cuidado, Toyota Corolla Cross, fica o aviso.

Com porte que flerta com o segmento de SUVs grandes, motorização híbrida HEV, visual bem ousado e acabamento requintado, o GAC GS4 quer pegar os clientes do Toyota Corolla Cross e também atacar em um território que só o GWM Haval H6 HEV passou a atuar. Mas tantos predicados teóricos resultam em um produto bom?

Onde o calo aperta

O GAC GS4 é vendido no Brasil nas versões Premium de R$ 191.990 e Elite de R$ 209.990.O modelo testado era o topo de linha e, logo de cara já te digo: nem cogite o Premium. A diferença de preço para os equipamentos a mais faz com que o modelo de entrada só esteja ali para fazer preço.

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato] traseira
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

O modelo topo de linha conta com sistemas de câmeras 360 graus, alerta de saída segura, alerta de ponto cego, indicador de fadiga, alerta de tráfego cruzado, retrovisores com rebatimento elétrico, teto panorâmico fixo, banco do passageiro com ajuste elétrico, bancos em couro e carregador de celular por indução.

O pacote do GAC GS4 Elite ainda traz porta-malas elétrico, head-up display e rodas de liga-leve de 19 polegadas que não parecem calotas como as usadas pelo Premium, que ainda tem uma polegada a menos. Agora considere que um Toyota Corolla Cross Hybrid custa R$ 219.890…

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Além da diferença entre as versões, o GAC GS4 vem equipado em todas as versões com faróis full-LED com acendimento automático, sensor de chuva, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, banco do motorista com regulagem elétrica, Apple CarPlay sem fio, ar-condicionado digital de uma zona e chave presencial.

Convencimento estrutural

Para compor a mecânica do GS4, a GAC apostou em um sistema HEV bem tradicional, mas muito mais moderno do que o usado na Toyota. A base é um 2.0 quatro cilindros aspirado de 140 cv e 18,4 kgfm de torque que trabalha junto a um motor elétrico de 182 cv e 30,5 kgfm.

motor GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Ao todo temos 235 cv, mas a GAC não divulga o torque combinado. E sabe quem tem a mesma mania? A Toyota. Como resultado, apesar de ser um SUV de 4,66 m de comprimento, 1,90 m de largura, 1,66 m de altura, entre-eixos de 2,75 m e 1.641 kg, o GS4 anda bem.

O tempo de 0 a 100 km/h é cumprido em 8 segundos, mas sem acelerações estapafúrdias. O torque é entregue de maneira linear com aceleração plena e constante. O câmbio é CVT, ficando claro o comportamento pela aceleração sem tranco. Mas, como o isolamento acústico é bom, ele não faz gritaria.

traseira GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Como resultado, você tem um SUV que retoma bem, acelera com ímpeto e ganha velocidade rápido. Claro que modelos como Haval H6 em qualquer versão PHEV e o Jaecoo 7 vão ser bem mais fortes, mas o GS4 é o tipo de carro que não decepciona nas acelerações.

Mundo híbrido

Algo que verdadeiramente chamou atenção no GAC GS4 é a eficiência no conjunto elétrico. A marca chinesa não divulga a autonomia do modo elétrico, visto que ele precisa do motor a combustão para poder funcionar. Mas eu consegui rodar mais de 5km sem precisar ligar o motor a combustão.

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

O sistema regenerativo é muito eficiente e o manejamento do carregamento é inteligente. Só que, o GAC GS4 se comporta de maneira menos eficiente em modo Eco. Nesse modo, o motor constantemente fica acima de 3.000 rpm. Já em modo normal, ele ronrona entre 1.500 rpm e 2.000 rpm.

Com isso, o consumo de combustível do GS4 é de 14.1km/l (cidade) e 11.8km/l (estrada). Durante nossos testes, o SUV marcou média de 14,3 km/l rodando 50% na cidade e 50% na estrada. Ou seja, os números no mundo real são ainda melhores do que o divulgado pela GAC.

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

E não é que aprenderam?

Na dirigibilidade, o GAC GS4 merece muitos elogios. Em geral, carros chineses, mesmo os tropicalizados, têm direção desnecessariamente molenga e morta. O que nos obriga a deixar sempre no modo Sport para ter algum tipo de prazer ao volante. Não é o caso do GS4. 

O SUV tem direção em modo conforto, Sport ou normal. Mas já de acionar o normal foi possível encontrar a calibração perfeita a qual mantém a assistência leve para manobras e a firmeza ideal na condução diária. Em Sport, inclusive, fica até mais pesada do que precisava.

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

A suspensão também merece elogios. Talvez seja influencia de Honda e Toyota, mas os GAC costumam ter um conjunto bem acertado, sólido, bom para  absorver impactos, mas que, mantém o conforto como prioridade. Diferentemente da maioria dos chineses, passa longe de ter suspensão de pudim.

Aqui já era jogo ganho

Apesar de terem aprendido recentemente a fazer carros verdadeiramente bons de dirigir, como o GAC GS4 provou nessa avaliação, algo que as marcas chinesas sempre foram exemplo é em qualidade de interior. Claro que não poderia ser diferente com esse SUV médio.

interior GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Todo acabamento escuro no painel e portas é feito em material macio. Há plástico, claro, mas em poucos locais. Os elementos em cinza curiosamente têm a sensação de serem metalizados, apesar de feitos igualmente em plástico. Encaixes são muito bem feitos e não se houve sequer um ruído de acabamento, mesmo rodando em buraqueira.

O visual também é moderno, mas sem o exagero minimalista que virou moda nos ultimos tempos. Temos um estilo bem horizontalizado, mas com linhas que se conectam. O volante tem um visual esportivo que destoa um pouco da pegada nada esportiva do GAC GS4. Já o console central alto e lotado de porta-objetos ajuda no conforto.

cabine GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Botões importam

Algo que muitas montadoras chinesas andam pecando, não acontece com o GAC GS4. Talvez seja mais uma influência de Honda e Toyota, mas ele tem botões físicos para coisas que importam. O retrovisor é controlado por botões no painel – que não estão bem posicionados, mas é melhor do que a solução do Jaecoo 7.

Além disso, o ar-condicionado tem ventilação controlada por uma coluna ao lado da central multimídia, enquanto um rotor gigante ao lado da saída de ar controla a temperatura. Até mesmo o volume da central pode ser controlado de maneira física. O câmbio possui uma manopla pequena e elegante, que sequencia o botão de P com o freio de estacionamento e o botão para desligar o carro.

A ergonomia também é campeã, com muito ajuste de volante e banco. Pena que a GAC tenha esquecido da regulagem do cinto de segurança da mesma maneira que, de maneira imperdoável, não tem tampão no porta-malas. Por falar nisso, ele carrega absurdos 638 litros e pode abrir com a aproximação do motorista da tampa após buzinar três vezes.

Espaço interno é muito bom em todas as fileiras. Mas o que há de área para o joelho na traseira, beira a brincadeira para um SUV do porte do GS4. Ele é muito espaçoso, tanto para área de joelhos, quanto cabeça e ombros. O teto panorâmico ajuda muito nessa sensação de amplitude.

Vale um adendo sobre as telas. A central multimídia é boa, mas constantemente trava no uso do Apple CarPlay. O Android Auto ainda não funciona perfeitamente e é conectado via um aplicativo terceirizado. O painel de instrumentos totalmente digital é bom, mas o terceiro visor é completamente inútil.

Veredicto

Se você cogitava levar um Toyota Corolla Cross para casa, especialmente o híbrido, passe na GAC e olhe o GS4. Em todos os aspecto, esse SUV é melhor do que o rival japonês. A confiabilidade ainda precisa se provar, mas a marca chinesa veio forte ao Brasil e não pretende ter papel de coadjuvante.

GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]
GAC GS4 Elite [Auto+ / João Brigato]

Bonito, gostoso de dirigir, com excelente acabamento, espaço interno farto e preço muito competitivo, o GAC GS4 é, certamente, uma das melhores compras na faixa dos R$ 200 mil. Só é contraindicado para quem não tem espaço na garagem, porque o bicho é grande.

Você teria um GAC GS4? Conte nos comentários.


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4 comentários em “GAC aprendeu com a Toyota e fez o GS4 melhor que o Corolla Cross | Avaliação”

  1. Luciano Lima

    Esperando o articulista falar sobre a rede de concessionárias, sobre a disponibilidade de peças, o pós venda e as já atuais reclamações de quem adquiriu e teve problemas com o veículo.

  2. Geraldo

    Com certeza teria tou até querendo trocar o meu tiggo 7 hidro leve

  3. Tenorio Taveira

    Atualmente tenho um volvo XC60 2019, que tem 254cv, estava com ideia de melhorar o ano e ir para uma 2023 que é bem mais cara, quando vi o GS4 na internet fiquei impressionado com o modelo e valor, fui até a concessionária GAC e simplesmente apaixonei pelo modelo, fiz um teste drive e acabei comprando, não deixa nada a desejar dá volvo XC60, sem falar na tranquilidade de ser um carro zero e com 5 anos de garantia, parabéns a GAC.

  4. Demetrio

    Tenho um HAVAL H6 hev2 e me parece que o GAC é bem semelhante; se for mesmo, é um excelente carro. Falta só ver se é igualmente robusto e econômico. O meu Haval faz uma média geral de 15,5 km/l, pegando Raposo Tavares congestionada todos os dias; quando dá para correr, tem um desempenho muito bom, quase de esportivo muito mais caro.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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