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GWM sabe onde pisar

GWM Poer P30 de R$ 220 mil é a surpresa que o segmento não esperava | Avaliação

Com motor diesel, competente, pacote generoso e preço agressivo, a Poer P30 tenta quebrar a resistência dos picapeiros

13 min de leitura

Quando falamos em montadoras chinesas, a associação automática é carro eletrificado. A GWM ajudou a construir essa ideia ao trazer Haval H6 híbrido, Ora 03 elétrico e seguir nessa lógica. Só que, enquanto todo mundo olhava para tomada, a marca testava discretamente no Brasil uma picape média a diesel tradicional, robusta e sem qualquer vínculo com bateria. Assim nasce a Poer P30. 

Lançada em setembro com um posicionamento agressivo com motor diesel, estrutura de média e preço que começa em R$ 220.000 com o desconto ativo, ou R$ 240.000 no valor cheio, a versão de entrada Trail estreia colocando pressão no mercado. Ela custa menos que Fiat Toro Ranch (R$ 230.990) e Ram Rampage Big Horn (R$ 226.990) e praticamente empata com a Ford Maverick Lariat Black (R$ 219.990).

Porém ela entrega o porte, a robustez e a proposta de uma picape média tradicional, com tração 4×4, diferencial blocante e um pacote de equipamentos que rivaliza com modelos muito mais caros. Mas sabemos que só os equipamentos não fecham a compra de uma picape. Nesse segmento, o veredito mesmo vem de motor, torque e câmbio. É isso que define se o picapeiro confia ou não no produto.

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

E é exatamente aí que a Poer P30 precisava se provar. O objetivo era entender comportamento, força real, consumo e onde ela se posiciona frente a Ford Ranger, Toyota Hilux, Chevrolet S10 e companhia. Uma picape desse tamanho, tão mais barata, entrega o que o brasileiro espera de uma diesel média? Logo nos primeiros quilômetros, começaram a aparecer as respostas.

Ficha técnica não define um carro

A GWM até pensou em trazer a Poer P30 híbrida plug-in de 408 cv para mirar a BYD Shark, porém não fez — algo mais do que certo. O picapeiro raiz não compra promessa elétrica, compra confiança e por isso compra diesel. E aqui a marca acertou em cheio ao apostar em um conjunto tradicional. 

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

O 2.4 quatro cilindros turbo diesel com injeção eletrônica Common Rail entrega 184 cv a 3.600 rpm e 48,9 kgfm a baixos 1.500 rpm, números que no papel não impressionam ninguém e até fazem você olhar a ficha técnica e desconfiar. Mas basta rodar alguns minutos para perceber que esse motor rende mais do que parece.

A surpresa começa pelo casamento com o câmbio ZF automático de nove marchas. Ele é rápido, suave e trabalha com uma lógica que faz parecer que a próxima marcha já está engatada. Isso melhora a aceleração, deixa o motor cheio e aproveita muito bem aquele torque estendido, que ajuda a mover sem drama os 2.215 kg da Poer P30.

GWM Poer P30 Trail

A GWM declara 11,2 segundos no 0 a 100 km/h, mas fizemos 9,8 segundos, prova de que o conjunto entrega mais do que promete. Mesmo com 184 cv, ela ganha velocidade com facilidade quando está embalada e mantém um ritmo sem esforço, muito, novamente, graças ao câmbio que segura o motor sempre cheio. As trocas são tão suaves que você quase não percebe. 

O coeficiente aerodinâmico é bom para uma picape desse tamanho, e isso aparece claramente acima dos 80 km/h, quando ela corta o ar com menos resistência do que rivais mais quadradas. Ultrapassagens acontecem com segurança, sem sustos, e não falta disposição nas retomadas.

Mas já com a caçamba um pouco carregada e peso extra dos passageiros, a resposta naturalmente perde um pouco de fôlego, e aí vale usar as trocas manuais, seja na manopla ou nas aletas no volante. Além de rápidas, elas reduzem o delay do acelerador, que no modo automático é um ponto de bastante incômodo, pois ela hesita para responder e, quando você tira o pé, ela continua acelerando por frações de segundo. Aqui precisa de um leve refinamento. 

O pedal de freio também poderia ter melhor sensibilidade, já que pede um pouco mais de força antes de começar a frear e por isso lembra muito o Haval H6 pré-facelift. Mas, no geral, os discos ventilados nas quatro rodas seguram bem o peso.

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

A dirigibilidade da Poer P30 se divide completamente entre cidade e estrada. No asfalto urbano, a picape mostra seu maior defeito em ter a suspensão rígida. A receita é clássica de picape média, com braços sobrepostos na frente e eixo rígido com molas semielípticas atrás. 

Porém aqui o comportamento é mais seco que as rivais, o que tira total o conforto. Ela treme, trepida e balança bastante em irregularidades, parece até um busão em certos pisos. Uma calibração um pouco mais macia resolveria esse ponto de imediato. A dor nas costas só não vem porque o banco é bem confortável com boa medida de espumas e abas laterais largas que seguram o corpo.

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

Só que na estrada a história é outra. A Poer é mais solta, mais suave, sem pulos e sem aquela vibração constante típica das picapes duras. A carroceria sobre chassi se comporta melhor em velocidade, ela se assenta no asfalto e vira uma caminhonete muito agradável de tocar. 

A rolagem de carroceria existe, mas é dentro do aceitável para uma média diesel, e a direção elétrica conversa bem com você, com três modos de peso — Comfort, Normal e Sport — todos bem calibrados. É na estrada que a Poer mostra onde foi pensada para ir muito bem.

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

Já o isolamento acústico do lado de fora poderia ser melhor. Na estrada, entra bastante ruído de rodagem dos pneus, especialmente em asfalto mais áspero. Não chega a incomodar ao ponto de estragar a viagem, mas é mais presente do que em rivais. Mas o seu grande ponto positivo é o silêncio do motor que não grita, é sempre bem modesto.

Força no off-road? Ela tem!

A Poer P30 também não decepciona quando o assunto é força. Mesmo sem ser um 3.0 V6, ela sobe ladeira pesada em 4×2 sem dificuldade, apenas exigindo um pouco mais de acelerador e deixando a traseira dar aquela leve escorregada antes de tracionar. 

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

No barro, a tração 4×4 convencional resolve, e quando a coisa realmente aperta, o 4×4 Low entra para multiplicar força nas rodas. O diferencial blocante traseiro faz seu papel. Quando uma roda perde contato ou aderência, ele envia torque para a outra e garante seguir em frente. É simples na teoria e eficiente na prática.

Para off-road, o pacote é completo. O ângulo de ataque de 27 graus é bom, a travessia em 500 mm de água iguala a Ranger, e os 212 mm de vão livre ajudam a passar por pedras, valetas e barrancos sem raspar nada. 

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

O único incômodo é que o painel não mostra qual modo de tração está ativo, tendo que saber somente no feeling. E o botão de controle de descida poderia estar melhor posicionado, pois fica longe, do lado oposto ao ideal, embora funcione direito quando acionado.

Fechando o conjunto, o consumo é o que se espera de um diesel moderno. O Inmetro declara 9,4 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada. Fizemos 7,5 km/l no ciclo urbano e 11 km/l em rodovia. Com tanque de 78 litros, ela passa dos 800 km com tranquilidade em uma viagem.

Maior que as rivais, por dentro e por fora

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

A Poer P30 impressiona pelo tamanho antes de qualquer coisa. É a maior picape média do Brasil e não tenta esconder isso em nenhum ângulo. São 5,41 m de comprimento, 1,94 m de largura, 1,88 m de altura e 3,23 m de entre-eixos, quase 10 cm a mais que o padrão das médias vendidas por aqui. Pode parecer pouco, mas na prática faz diferença no espaço e na sensação de robustez.

Esse porte todo permite uma cabine generosa. Atrás, com meus 1,88 m, sobraram três dedos entre o joelho e o banco dianteiro e bom espaço para os pés. O único prejuízo é de quem vai no meio, porque senta exatamente sobre o fechamento do cinto, algo que incomoda muito em viagem longa. 

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

Na frente, o conforto é ainda melhor. O banco do motorista tem ajuste elétrico (faltou o apoio lombar), recua bastante e oferece boa amplitude de altura. O volante com ajuste de profundidade e altura facilita achar a posição perfeita, e o console central elevado passa a sensação de picape parruda, mas sem perder ergonomia.

Mesmo nessa versão de entrada, o acabamento e qualidade encanta. O painel traz uma peça inteira que vai de ponta a ponta com material macio, as portas dianteiras possuem soft touch e até a parte inferior onde o joelho apoia recebe acolchoamento, assim como o console central. O único ponto fora da curva é o módulo do seletor de tração, que aparenta ser feito de um plástico mais frágil do que deveria.

Extremamente completa

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

A parte digital segue a escola antiga da GWM. O painel de 10,25 polegadas usa a mesma grafia do Haval pré-facelift, com pouquíssimos modos de exibição, mudando basicamente a área direita da tela. Funciona, mostra o que é necessário, mas não impressiona como os novos modelos da marca e até a Ranger com a tela menor faz melhor. 

Já a central multimídia, de 14,6 polegadas, é grande, intuitiva e traz Apple CarPlay e Android Auto sem fio com ótima qualidade, porém tem dois entraves. O GPS às vezes buga e mostra rotas completamente erradas, e a interface, mesmo que seja funcional, tem cara de sistema antigo. Não existe GPS nativo. O sistema de som com seis alto-falantes é bem ruim, com graves e médios baixos.

GWM Poer P30 Trail

Por outro lado, a lista de equipamentos assusta pelo o que entrega pelo seu preço. Ficamos mal acostumados com as marcas tradicionais e aqui a GWM caprichou. Essa versão já vem com câmera 360° de excelente resolução e vários ângulos, carregador por indução e ar-condicionado de duas zonas, embora o ajuste de temperatura na tela deixe ruim a ergonomia.

O modelo ainda oferece chave presencial com partida por botão, regulagem de altura do farol em LED, freio eletrônico com auto hold, vidros e travas elétricas e um pacote de segurança sem economia.

O piloto automático adaptativo tem função Stop & Go e funciona bem. O assistente de faixa com centralização é invasivo, mesmo no modo menos sensível, e poderia ser mais sutil. O alerta de colisão frontal com frenagem automática é ainda mais irritante, avisando para frear mesmo com distância segura. Por fim ainda há o retrovisor fotocrômico. É muita coisa pelo preço. 

Na versão topo, entram assistente de farol alto, alerta de ponto cego com tráfego cruzado, frenagem automática em manobras, bancos dianteiros ventilados e aquecidos, passageiro com ajuste elétrico, apoio central no banco traseiro e reconhecimento de placas com ajuste de velocidade. A configuração Exclusive ainda ganha acabamento diferente, iluminação no painel e airbags de cortina (versão de entrada são quatro).

A caçamba acompanha o tamanho

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

Por ser uma picape grande, é esperado que a caçamba entregue números fortes, e entrega. Ela só não supera as duas V6 da categoria, Amarok (1.280 litros) e Ranger (1.250 litros). A Poer P30 traz 1.248 litros, exatamente no nível das líderes, junto de uma carga útil de 1.018 kg, melhor inclusive que a da Hilux, que leva 1.000 kg. Além disso, a tampa tem amortecedor que ajuda no manuseio.

Vale lembrar que capota marítima e o santo antônio cromado não são de série. O que falta, por enquanto, é uma linha voltada ao serviço. A GWM já trabalha nisso para 2026 e fará a produção na fábrica de Iracemápolis (SP) que, aliás, a unidade testada já saiu de lá, segundo a marca.

Veredicto

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

No fim das contas, é difícil criticar a GWM quando ela acerta tão bem em um segmento tão fechado quanto o das picapes médias. A Poer P30 é um produto sólido, bem pensado e que chega exatamente onde precisa. É boa de andar, tem tecnologia e presença, e o preço extremamente agressivo. Esquece ficha técnica por um minuto e olha o produto, ele convence.

O único ponto que realmente derruba o conjunto é a suspensão. Ela é dura demais na cidade, trepida, cansa e fica atrás das rivais nesse quesito. Mas fora isso, tudo o que a P30 entrega conversa com o que o brasileiro quer. 

GWM Poer P30 Trail
GWM Poer P30 Trail [Auto+/Luiz Forelli]

E a GWM ainda está investindo pesado no pós-venda. A marca oferece até 10 anos de garantia para motor e câmbio (ou 250 mil km), carro cortesia, TAG GWM e até programa de recompra garantida. A Poer P30 chega como um produto realmente consolidado, competitivo e honesto. Um acerto raro em um segmento onde errar costuma custar caro.

E você, o que achou da GWM Poer P30? Fará barulho no segmento? Deixe seu comentário!


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8 comentários em “GWM Poer P30 de R$ 220 mil é a surpresa que o segmento não esperava | Avaliação”

  1. Mario Rogério

    Gostei muito dos comentários!

    Acho que vale muito apenas o investimento.

  2. Lui6

    Interessante, me fez pensar

  3. Joelmo

    Bonita, bem acabada, completona e excelente preço. Falta provar que é robusta, pós venda confiável, seguro com preço bom e ter peças de reposição disponíveis. Sendo fabricada no Brasil, terá tudo p dar certo.

  4. Beto Fechine

    Tenho um Poer P30 exclusive. O carro é show. Excelente!

  5. Alberto Ferreira de Andrade

    Só falta ajustar o meu orçamento para comprar.
    Informações muito bem explicadas
    Parabéns

  6. Augusto Cezar da Silva Oliveira

    Comprei e estou gostando, tenho usado na cidade e na estrada, estou até agora bem satisfeito.

    • Anderson

      Comprei uma Exclusive e estou adorando! Vale muito a pena! Todo mundo q vê comenta q a caminhonete é show!

  7. Eugenio Lisboa

    Vocês erraram no câmbio, não é ZF, não tem casamento. O câmbio é GWM.

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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