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Filé mignon com fritas

Honda Accord agrada quem entende de carro, não quem precisa ser visto | Avaliação

Sedã grande segue discreto, refinado e com inteligência mecânica na linha 2026, sem precisar impressionar ninguém

11 min de leitura

O Honda Accord passa quase invisível pelas ruas brasileiras, e talvez seja exatamente essa a graça dele. Não é por falta de competência, e sim porque ele vive em um segmento que praticamente sumiu. É um sedã grande, bem construído, confortável e muito econômico, mas custa R$ 332.400, algo que por si só já explica boa parte do cenário. A Honda sabe disso, tanto que mantém o preço, sem desconto. Quem quer, compra. Quem não quer, passa longe.

Ainda assim é curioso pensar que um modelo que está no Brasil desde 1992, que já saiu, voltou e hoje vive sua 11ª geração, continue seguindo a mesma filosofia de sempre. O Accord nunca precisou chamar atenção, e quem compra também não. É um público que não busca provar nada para ninguém, só precisa de um veículo confortável, quer economia e correto no que se propõe, e com poucas paradas no posto de combustível. 

Eficiência máxima

Só dirigindo o Accord para entender como a Honda consegue fazer um sistema tão inteligente e harmonioso, com potência na medida certa e um consumo impressionante para um carro de quase duas toneladas. O segredo fica concentrado no sistema e:HEV. 

O motor é o 2.0 aspirado ciclo Atkinson de 146 cv e 19,2 kgfm, mais dois motores elétricos. Um é o gerador, o outro é o de tração, que é quem realmente move o carro na maior parte do tempo. Esse motor elétrico de tração entrega 184 cv e 34,1 kgfm na hora. 

Já o motor-gerador fica acoplado ao 2.0 e cria energia para alimentar a pequena bateria de 1,05 kWh, que por sua vez alimenta o motor de tração. Basicamente funciona assim na maior parte do tempo: a bateria move o carro e o combustão alimenta e carrega a bateria.

Honda Accord motorização avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O 2.0 só vai acionar as rodas diretamente quando precisa de força extra, como uma aceleração mais forte, subida ou quando o sistema entende que, naquela velocidade, o motor a combustão é mais eficiente do que o elétrico sozinho. É por isso que no trânsito pesado, em baixíssimas velocidades do anda e para, o Accord quase vira quase um elétrico puro.

Toda a orquestra funciona por meio do IPU, uma central que decide como o sistema vai entrar — o motor a combustão ou a bateria. É por isso que o Accord arranca com suavidade típica de elétrico, sem lag. A alternância do motor a combustão e o sistema elétrico ocorre de forma suave. Quando o motor a combustão liga, você percebe só aquela vibração mínima típica de híbrido, mas nada que incomode.

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

A Honda não divulga o número final de potência quando tudo atua junto, mas o carro trabalha com cerca de 207 cv, especialmente no modo Sport. A entrega de potência é linear e uniforme. Ao pisar, ele ganha velocidade de forma fácil e progressivo, totalmente previsível. 

Fato esse confirmado pelo seu 0 a 100 km/h feito em 8,8 segundos, o que permite ultrapassagens simples, sem esforço e susto, e a velocidade máxima divulgada é de 183 km/h que chega rápido e você nem percebe. 

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

É justamente aqui que entra o equilíbrio dinâmico do Accord. Ele tem estabilidade de sobra e faz a sensação de velocidade alta simplesmente sumir. Parte disso vem da aerodinâmica baixa e do corpo grande e bem assentado com seus 4,97 m de comprimento, 1,86 m de largura e só 1,46 m de altura. 

A carroceria corta o ar fácil e o carro se mantém na trajetória como se estivesse em um trilho, sempre muito firme. O modo Sport ainda adiciona um emulador de som que tenta resgatar um pouco daquela emoção dos velhos V6, e honestamente, não traz nenhuma emoção, mas não deixa de ser legal. O e-CVT ainda simula trocas para engrossar o clima.

Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Já na cidade, o Accord segue o mesmo refinamento e conforto que apresenta na estrada. A suspensão McPherson na frente e Multilink atrás segue aquela assinatura clássica da Honda em ser firme, sem ser desconfortável. Ela absorve bem as irregularidades até melhores que muitos SUVs e ainda tem a vantagem de deixa o Accord totalmente plantado no asfalto. 

O carro tem apenas 134 mm de altura do solo, e isso ajuda demais na sensação de estabilidade. Ele faz curva como se fosse menor do que realmente é, com pouca rolagem de carroceria e ótimo apoio. O único ponto é a direção, que embora seja precisa e rápida, é um pouco pesada para o uso urbano. Nada que atrapalhe, mas um ajuste mais leve deixaria melhor.

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O ângulo de ataque de 14,7° cobra seu preço na cidade. Ele raspa com facilidade em valetas e rampas, como já é esperado em um sedã grande de frente longa. Quem é mais chato com isso vai precisar ficar atento.

Por outro lado, os freios são a disco nas quatro rodas e tem o padrão Honda de ser sensível e com extrema responsabilidade. E os seis níveis de regeneração controlados pelas borboletas atrás do volante fazem muita diferença, principalmente em descidas longas. É possível praticamente controlar o carro só na regeneração e ainda por cima economizando pastilha.

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

E aqui entra o ponto mais forte do Accord, seu consumo. Nos nossos testes, foram 17,3 km/l na cidade e 21 km/l na estrada. Para um sedã desse tamanho com 1.625 kg, é algo absurdo. Com o tanque de 48,5 litros, a autonomia passa facilmente de 800 km na cidade e chega a mais de 1.000 km na estrada. Você esquece o posto de combustível por dias e se bobear até no mês.

Uma verdadeira barca 

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O Honda Accord sempre carregou a fama de barca e nessa geração não é diferente. Com seus quase 5 metros de comprimento, o entre-eixos oferece 2,83 m, números que fazem ele ser um sedã de luxo de verdade. E o espaço interno acompanha isso. Atrás, mesmo com meus 1,88 m, sobra um palmo cheio entre o joelho e o banco da frente. 

A cabeça também não encosta no teto, mesmo com a queda da coluna C. O único ponto menos prático é o túnel central, bem elevado por causa da bateria, mas ainda assim você tem USB-C, saída de ar e conforto de sobra. 

Honda Accord porta-malas avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Por ser um carro tão grande, você até espera um ar-condicionado de três zonas, mas aqui ele oferece o básico de duas zonas. Não há também  banco ventilado ou aquecido. O porta-malas de 574 litros deixa claro que estamos falando de um sedã gigante.

Sentar ao volante do Accord é a sensação imediata de carro bem pensado. A ergonomia é muito boa, principalmente pelo recuo generoso e ajuste baixo do assento, como um sedã grande deve ser. O volante, com ajuste de altura e profundidade bem amplo, facilita encontrar a posição certa e o console central e as boas abas do banco abraçam o motorista.

Onde o Accord mostra porque é Honda

Honda Accord interior avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

E aqui entra outra característica que poucas montadoras mantêm atualmente — o conservadorismo bem aplicado. Há botões físicos para tudo, o que deixa qualquer comando óbvio e rápido. Já o acabamento oferece soft touch no painel, portas dianteiras e traseiras, acolchoamento bem feito e um capricho que realmente diferencia o Accord de outros modelos da própria marca.

O painel de instrumentos digital tem 10,2 polegadas com ótima personalização e leitura. A multimídia de 12,3 polegadas continua sendo a maior já colocada em um Honda vendido no Brasil e traz a novidade da linha 2026 que é o sistema Google integrado. 

Honda Accord interior avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Ou seja, Google Maps nativo, Google Assistant, comandos de voz direto no carro e a possibilidade de espelhar o mapa no painel digital. É bem útil na prática e funciona direitinho. O head-up display de seis  polegadas continua, e o sistema de som Bose com 12 alto-falantes é excelente, com ótimos graves e médios, isso digno do preço que o Accord cobra.

Falta de detalhes difíceis de justificar

Mas nem tudo faz sentido. A Honda decidiu vender o carro só na cor preta no Brasil, o que elimina qualquer opção e nem mais o prata está disponível. E falta a câmera 360°, que sinceramente, é duro de engolir em carro dessa categoria. Você tem sensores dianteiros e traseiros, mas estacionar quase cinco metros de carro só com câmera de ré é pedido para sofrer.

Honda Accord interior avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O sedã ainda oferece carregador de celular por indução de 15 W, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, chave presencial, sensor de chuva e crepuscular. 

Em relação a segurança o modelo oferece o famoso Honda Sensing, presente em todos os veículos da marca no Brasil. Ou seja, piloto automático adaptativo com Stop & Go, assistente e centralização de faixa, frenagem automática de emergência com detector de pedestres e objetos e  farol alto automático. 

Honda Accord interior avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Tudo funciona bem e calibrado, porém a tecnologia só não é melhor devido ao detalhe brasileiro, que pelo preço, não merecia. O Accord não oferece alerta de ponto cego e não tem alerta de tráfego cruzado.

Nos Estados Unidos, o Accord tem ambos. Aqui a Honda insiste no LaneWatch, aquela câmera no retrovisor direito que aparece na tela quando você dá seta e cobre toda a tela. Em 2026, não ter blind spot nos dois retrovisores, em um carro desse tamanho, é difícil de justificar.

Veredicto

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O Honda Accord, o Civic e o CR-V mostram claramente como a Honda mudou de patamar no Brasil. Sim, ficaram mais caros, mas também muito mais refinados e inteligentes. O Accord sempre carregou esse perfil de luxo discreto, e continua sendo a vitrine do que a marca tem de melhor por aqui. Grande parte do seu valor está no sistema e:HEV, tão bem calibrado que entrega autonomia de híbrido plug-in sem precisar de tomada.

Caro? Muito. A verdade é que o Civic Hybrid (R$ 265.900), que custa R$ 66 mil a menos, já assume quase todo o papel do Accord. Mesma lógica de motorização, eficiência e pacote muito próximo, só que em um carro menor. O diferencial real do Accord é espaço e aquela sensação de carro grande bem resolvido. É o charme dele. Ele não tenta aparecer, não tenta provar nada para ninguém.

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

O problema é que muitos elogiam o Accord, mas pouca gente lembra que ele existe. Falta divulgação, chegam poucos lotes e o brasileiro, no fim, compra status. Entre pagar mais de R$ 300 mil em um Honda ou um BMW, Audi ou Mercedes, o público médio escolhe o brasão alemão. Só que ignorar o Accord é perder um dos melhores carros que a Honda já trouxe ao Brasil. Prazeroso, inteligente e muito mais especial do que parece à primeira vista.

E você, compraria um Honda Accord por R$ 334.900? Deixe sua opinião nos comentários!


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Luiz Forelli

Estudante de jornalismo, sempre foi fascinado por carros desde pequeno. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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