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Contra WR-V

Toyota Yaris Cross 1.5 flex anda menos que o híbrido e gasta mais | Impressões

Versão a combustão do novo SUV compacto da Toyota custa R$ 11 mil a menos que a híbrida, entrega desempenho contido e consumo apenas razoável

9 min de leitura

O Toyota Yaris Cross finalmente começou a ser vendido no Brasil em fevereiro, depois de diversos atrasos. O Auto+ já testou a versão híbrida e agora foi a vez de conhecer a configuração 1.5 aspirada flex, aquela sem eletrificação, que equipa as versões XR, XRE e também a XRX, essa última que nós avaliamos.

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Mas a pergunta que muitos consumidores terão é: vale economizar R$ 11 mil e levar o Toyota Yaris Cross só a combustão, ou compensa pagar mais pela versão híbrida? Vamos por partes.

Preços e posicionamento

A linha começa com a XR voltada ao público de venda direta por R$ 149.990. Depois vem a XRE 1.5 por R$ 161.390. A XRE Hybrid sai por R$ 172.390. Já a XRX 1.5 custa R$ 178.990, enquanto a XRX Hybrid chega a R$ 189.990. Na prática, a diferença entre as versões equivalentes é de R$ 11 mil. Tanto na XRE quanto na XRX. É justamente esse valor que separa o modelo aspirado do híbrido.

Segmento e proposta

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O Toyota Yaris Cross é um SUV compacto de 4,31 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,79 m de altura e 2,62 m de entre-eixos. O modelo briga com Chevrolet Tracker, Volkswagen T-Cross, Jeep Renegade, Nissan Kait e Honda WR-V.

Aqui a Toyota usa a plataforma DNGA, uma derivação mais simplificada da base TNGA vista no Corolla e Corolla Cross. Não é o mesmo conjunto estrutural, mas há parentesco técnico. 

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O porta-malas leva 400 litros nessa versão a combustão, enquanto o híbrido cai para 391 litros, já que a bateria fica sob o banco traseiro e reduz o tanque para 36 litros. No aspirado, o tanque é maior, com 42 litros.

Eu, com 1,88 m, coube bem atrás. O banco traseiro é confortável, bom espaço para pernas e cabeça. Na frente, o banco recua bastante e a posição de dirigir é elevada, típica de SUV, com ótima visibilidade graças às áreas envidraçadas generosas. Esses pontos são fortes para o SUV compacto, que nessa categoria, muitas vezes prejudica o motorista para um melhor espaço traseiro. 

Motor e conjunto mecânico

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O motor 1.5 aspirado é semelhante ao usado no antigo Yaris, apenas com atualizações. Isso porque sai a injeção multiponto e entra a injeção direta com seus 110/122 cv a 6.000 rpm e 14,3/15,3 kgfm a 4.800 rpm. O câmbio é um CVT que simula sete marchas e ainda oferece paddle shift nessa versão XRX testada.

Curiosamente, quando abastecido com gasolina, ele praticamente empata em potência com o híbrido, que entrega 111 cv combinados, perdendo somente por 1 cv. No torque, a Toyota não divulga oficialmente o torque combinado no híbrido, mas fala em 14,4 kgfm no elétrico, enquanto aqui são até 15,3 kgfm.

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

Mas na prática, embora os números deem mais ao modelo a combustão, a sensação do torque inicial é mais imediato na versão híbrida devido ao auxílio elétrico de 0,75 kWh, que dá um torque inicial típico de um carro eletrificado. No a combustão isso não acontece e a sensação de lentidão para sair da inércia é mais evidenciado.

Ele não tem a explosão de torque dos turbinados, como T-Cross ou Renegade, que lá entregam seus 20,4/27,5 kgfm, respectivamente. E também é um dos menos potentes do segmento. E isso fica comprovado na prática, com saídas lentas. O 0 a 100 km/h aconteceu na casa dos 12 segundos e pareceu até mais lento que a versão híbrida. 

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O CVT faz o motor girar alto e o ruído desconfortável invadir a cabine. É um comportamento esperado e típico de propulsores aspirados com câmbio continuamente variável. Por isso é um carro contido, o que faz ultrapassagens terem que ser programadas.

Nesse caso, testamos o modelo no Autódromo de Capuava (SP), um cenário não ideal para avaliar um SUV urbano — já que segundo a Toyota os carros ainda estavam sem emplacamentos. Por isso estávamos sem bagagens e pessoas a bordo, algo que quando acontecer, o SUV sofrerá mais ainda.

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

Em velocidades já estabelecidas, como 80, 90, 100 km/h, ele ganha velocidade com mais naturalidade, já que o carro está mais embalado. Entretanto, em velocidades mais baixas e retomadas curtas, exige paciência.

Já a direção tem um peso mais para o lado firme, não sendo leve demais, nem pesada em excesso. Até que lembra um pouco o Yaris antigo, inclusive na costura do volante. Eu, particularmente, ainda prefiro a calibração mais suave da linha Corolla, mas é uma direção correta.

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

A suspensão, por termos testando o modelo em uma pista, não conseguimos sentir sua calibração exata. Porém, ao passar pelas zebras, ficou claro que trata-se de um conjunto mais firme, sem aquela maciez exagerada que vemos em SUVs chineses. 

Também não é tão suave quanto um Corolla Cross, que usa o mesmo eixo de torção na traseira. É uma calibração mais dura, mais firme, mas confortável. Em curvas o SUV surpreendeu positivamente por revelar a rolagem de carroceria bem controlada, sendo assim bem assentado no chão, mesmo em velocidades altas. O freio também passou segurança em todo circuito, com ótima sensibilidade e progressão. 

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

Imitando uma condução urbana, o lugar onde a maioria dos condutores irão passar com o SUV, ele se mostrou ter um conjunto suave, típico dos modelos Toyota. O motor trabalha em rotações baixas nesse uso leve, sendo um carro tranquilo de guiar, e sem o lag do acelerador, algo comum dos modelos turbos. Isso, por exemplo, ajuda em respostas necessariamente rápidas na cidade.

Consumo e contas no bolso

Segundo o Inmetro, o Toyota Yaris Cross com motor a combustão faz 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada, com gasolina. Já bebendo etanol, o SUV produz 8,8 km/l e 10,2 km/l, respectivamente. Com tanque de 42 litros, na gasolina, você pode rodar cerca de 529 km na cidade e 600 km na estrada.

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

Considerando o preço médio da gasolina a R$ 6,45, encher o tanque sai por aproximadamente R$ 270. Já o híbrido faz 17,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com gasolina. Mesmo com tanque menor, de 36 litros, o alcance urbano é de cerca de 644 km. Para encher, você gastaria cerca de R$ 232.

Ou seja, além de rodar mais de 115 km, o híbrido ainda custa menos para abastecer. Na cidade, onde o SUV compacto vive a maior parte do tempo, essa diferença pesa bastante. Por isso, o híbrido no ciclo urbano faz sim mais sentido. Vale lembrar que carros híbridos em estrada gastam mais, e nesse caso, daria cerca de 550 km, por isso a conta muda.

Equipamentos e acabamento

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático interior
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

Em equipamentos, as versões são praticamente iguais. A diferença visual mais curiosa é o botão de partida, onde no híbrido ele tem um detalhe azulado, enquanto no aspirado é convencional. A versão XRX traz o mesmo quadro de instrumentos digital de sete polegadas e central multimídia de 10,1 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto sem fio com o sistema Toyota Play 2.0.

O ar-condicionado é automático, os faróis tem acendimento automático, bancos em couro, chave presencial, teto-solar panorâmico, piloto automático adaptativo, assistente de permanência em faixa, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego com tráfego cruzado, câmeras 360 graus, entre outros. 

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O acabamento dianteiro é bom, com soft touch na parte superior das portas e material em tecido no painel. Mas atrás não há tecido nem material macio para apoiar o braço, algo que acaba destoando o conjunto.

Veredicto

A grande expectativa do Toyota Yaris Cross, inclusive com fila de até três meses dependendo da versão, gira em torno do híbrido. É ele que entrega consumo realmente impressionante no uso urbano e diferencia o produto no mercado.

Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex azul estático
Toyota Yaris Cross XRX 1.5 Flex [Auto+/Luiz Forelli]

O Yaris Cross só a combustão tem bom acabamento, posição de dirigir elevada, ótima visibilidade, suspensão firme e comportamento seguro, mas algo que muitos rivais já trazem. O seu motor deixa a desejar e o consumo também não é nada excepcional, já que há concorrentes que conseguem números muito melhores.

Em um segmento cada vez mais competitivo, com chineses oferecendo mais potência e tecnologia, o Yaris Cross aspirado perde argumentos. Se for para entrar na linha, o híbrido faz mais sentido. A diferença de R$ 11 mil tende a se diluir no uso, principalmente para quem roda bastante na cidade. O que vale, de fato, mais a pena é a versão XR com descontos de venda direta, o que diminui muito o preço.

E você, pagaria menos pelo aspirado ou investiria no híbrido pensando no longo prazo? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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