Já tive três scooters. E os usei, diariamente, por uns oito ou nove anos. Sou fã desse tipo de motoneta, ainda que admita: ninguém é apaixonado por scooter. Você compra por necessidade. É a “coisa” mais inteligente, racional e econômica para rodar nas grandes cidades.
Com um deles, o Honda PCX, eu rodava exatos 42 km por dia. E isso consumia precisamente 1 litro de gasolina. Um. Só um. Ao preço de hoje, essa conta dava R$ 6,20 ou R$ 6,30. Caso eu fosse trabalhar de ônibus ou trem, a despesa já seria de mais de R$ 10, considerando bilhetes de ida e volta. Nada é mais econômico do que um scooter para rodar em cidades, conforme queríamos demonstrar.
Dito isso, eu ingresso na avaliação do Honda ADV 160. E queimo a língua logo de cara. Ele foi criado com a pretensão de ser, sim, um produto aspiracional para quem, por natureza, só existe por motivação racional na compra. É o contrário do que eu defini!

Se a Honda tinha razão, em 2020, quando criou essa versão “aventureira” do PCX? Vejamos: 17 mil unidades do ADV foram vendidas em 2025, contra 53,7 mil do PCX. Para um modelo que custa 36,4% mais caro que o exemplar de origem, olha, nada mau. Dá para dizer que, sim, é um sucesso de vendas. A Honda estava certa. Essa, eu tive que engolir.
Preço salgado
Traduzindo em números: o PCX custa R$ 18.710 e o ADV, R$ 25.520. Para modelos de baixa cilindrada, nada é tão caro como ele, considerando que os scooters abaixo de 160 cm3 nunca passam de R$ 20 mil nas listas de preços.

Do que esse modelo é feito, afinal? Bom, o ADV é um scooter com a proposta meio SUV, meio hatch aventureiro (fosse um automóvel). Ou seja, preparado para um uso leve em estradas de terra. Na prática, a suspensão erguida ajuda sensivelmente a melhorar sua performance urbana, uma vez que a grande contraindicação de scooters é o aro menor das rodas em comparação às motocicletas.
E rodas pequenas (aro 14 na frente e 13 atrás, neste caso) não combinam muito com a buraqueira das grandes cidades. A suspensão “altinha” atenua essa característica.

Maior diferença: as suspensões
O modelo é equipado com suspensão a gás, ligeiramente mais alta e confortável, além de muito mais adaptada ao uso com garupa. Nas poucas vezes em que transportei outro passageiro no meu PCX, era horrível: sempre dava batente de suspensão, o que já não ocorre com o ADV.
A suspensão dianteira tem garfo telescópico com um curso de 130 mm, enquanto a traseira utiliza amortecedores duplos da Showa com reservatório externo e 110 mm de curso, algo inédito no segmento de scooters de baixa cilindrada. Para você ter uma ideia, o PCX possui 100 mm na frente a atrás. E o meu, um das primeiros, era de apenas 85 mm na traseira.


De resto, as diferenças do ADV incluem pneus de uso misto e carenagem mais agressiva, além de um pequeno para-brisa regulável em duas posições. O modelo tem chave presencial e iluminação full LED. Já o bagageiro sob o assento é um dos maiores atrativos.
Eu não uso capacete aberto, por exemplo. Coisa minha: só uso fechado. E ele não cabia no PCX, mas consegui acomodá-lo com facilidade no ADV, e ainda sobrou espaço para outros apetrechos que todo motociclista tem, ou deveria ter: jaqueta, luvas e capa de chuva.

Não há muito mais diferenças em relação ao PCX, inclusive. Ambos usam um motor monocilíndrico com 4 válvulas, arrefecimento líquido, de 156,9 cm³, que entrega 16 cv de potência e 1,46 kgfm de torque. O modelo alcança 112 km/h (embora bata uns 125 km/h no painel). O quadro de instrumentos inclui o tal velocímetro otimista, conta-giros e um computador de bordo bem completo.
Controle de tração, OK. Mas e o ABS?
Embora não seja flex, o modelo utiliza o recurso de start-stop, ou Idling Stop, como chama o fabricante. Ele desliga o motor em paradas rápidas para economizar combustível e reage instantaneamente sob qualquer cutucadinha no acelerador. O pacote eletrônico é complementado pelo controle de tração, ótimo em dias chuvosos. Estranhamente, o ADV só possui freio ABS para a roda dianteira! É o grande pênalti do modelo.



Aliás, há outro. E, neste caso, acentuado pela grande concorrente da marca, que é a Yamaha. Repare que os nomes de toda a linha urbana de motos mais acessíveis da Yamaha recebem o complemento Connected, fruto da possibilidade de você utilizar um aplicativo da marca para integrar seu smartphone ao funcionamento da moto. A Honda não tem nada disso. É só uma tomada USB e olhe lá.
Veredicto
Se vale a compra? Exceção feita à imperdoável ausência do ABS na roda traseira, o ADV 160 é um ótimo produto. O preço é muito salgado, ok. Mas a sacada da Honda é genial nesse aspecto, e por dois motivos. O primeiro: ela é dona do scooter mais “compacto premium”, numa linguagem automotiva, que existe no mercado. Cliente que queira um modelo mais equipadinho… certamente vai considerar o ADV 160.
E o segundo motivo é que o próximo degrau para scooters no Brasil é na faixa de R$ 35 mil a R$ 40 mil (modelos da Dafra, da Yamaha e da Zontes). Ou seja, o ADV continuará reinando absoluto nessa faixa de preços.

E você, o quer acha dessa proposta da scooter da Honda? Dê sua opinião nos comentários.


