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Um canhão

Jeep Compass Blackhawk é o SUV que faz sentido sem fazer sentido | Avaliação

SUV médio da Jeep usa motor Hurricane para entregar desempenho de esportivo sem abrir mão do conforto e da proposta familiar

11 min de leitura

O Jeep Compass Blackhawk nasceu em um momento em que quase ninguém mais parece se importar somente com desempenho. As montadoras sabem que carro esportivo custa caro e não é visado pela grande maioria, o que faz ser restrito a um nicho muito específico. Ainda por cima, o mercado foi tomado por propostas racionais, eficientes e com potência, muito impulsionadas pelos chineses, mas quase sempre sem aquela dinâmica que empolga.

A Jeep resolveu ir contra essa maré ao colocar um motor de quase 300 cv dentro de um SUV médio familiar comum de se ver pelas ruas, mas nada comum ao volante. Na linha 2026, essa versão não mudou em conteúdo, mas mudou no posicionamento. Desde que chegou ao mercado em abril de 2024, o preço caiu R$ 11.200, e agora o Blackhawk custa R$ 274.290. 

Com a saída do antigo Overland Hurricane, ele passou a ser o único Compass com proposta mais agressiva. Hoje é a versão topo de linha da gama e é feito para quem quer algo além do óbvio, sem abrir mão de espaço, conforto e uso diário.

Motor e proposta

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza motor
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Não existe exatamente uma necessidade de mercado para um Jeep Compass esportivo. O 1.3 turbo de 176 cv e 27,5 kgfm já dá conta do recado nas versões convencionais e tem bom desempenho para a proposta do SUV. A diferença é que a Jeep decidiu ir além. Nenhum rival direto — Corolla Cross, Taos, Territory, Tiggo 7 ou Eclipse Cross — oferece algo sequer próximo do que o Compass Blackhawk entrega em potência.

Aqui entra o Hurricane 4 2.0 turbo, quatro cilindros, com 272 cv a 5.200 rpm e 40,8 kgfm a 3.000 rpm. É um motor que coloca o Compass em outro patamar. Os híbridos chineses até chegam perto ou superam em números absolutos, como o Song Plus (235 cv) e o Haval H6 PHEV35 (393 cv), mas nenhum entrega a sensação de esportividade, mecânica e visceral que o Blackhawk oferece. 

A Jeep basicamente aproveitou um conjunto já conhecido no mercado norte-americano e aplicado também na Ram Rampage R/T, e colocou dentro de um SUV médio. E ao abrir o capô, o cofre denuncia o tamanho da brincadeira. 

O motor fica apertado, mas também escancara o nível técnico do projeto, com turbo de duplo fluxo, geometria varíavel que ajuda em baixas rotações e variadores de fase nos comandos. É um conjunto moderno, muito forte, mas definitivamente não econômico.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

O câmbio automático de nove marchas cumpre bem o papel, embora trabalhe a maior parte do tempo até a oitava marcha. A primeira é extremamente curta, o que ajuda nas arrancadas brutas. O SUV esportivo anda forte desde baixa velocidade e não exige esforço para ganhar ritmo.

Mesmo pesando 1.720 kg, ou seja, cerca de 288 kg a mais que um Jetta GLI, o Compass Blackhawk consegue andar de igual para igual com o sedã esportivo, até um pouco mais forte devido a tração integral permanente que entra em cena e faz toda a diferença na forma como a potência é entregue.

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Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

A aceleração é imediata. Basta afundar um pouco mais o pé e os quase 300 cv entram de uma vez, empurrando o carro com facilidade e fazendo ultrapassagens e retomadas sem esforço algum. O 0 a 100 km/h em 6,8 segundos, registrado em nossos testes, mostra isso com clareza. O motor enche rápido, há um leve turbolag, nada fora do esperado, e a entrega é sempre progressiva e muito estável.

Aproveito aqui para colocar uma crítica que não faz sentido essa versão não ter. O Compass Blackhawk não tem modos de condução. Não há Sport, Comfort ou Eco, ou até um modo dedicado à esportividade, como a prima Rampage R/T, que usa a mesma arquitetura e propulsor.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza interior
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Apenas os modos de terreno (Auto, Snow, Mud e Sand). Uma eletrônica mais permissiva, rotações mais baixas no uso urbano ou um mapa específico para consumo fariam diferença, principalmente considerando o gasto alto.

E aqui entra o preço da diversão. O consumo é alto e não há como dourar a pílula. Mesmo com tanque de 55 litros, que é considerado até que grande para o segmento, ele se esvazia rápido. Os números do Inmetro não se repetem na prática. Na cidade, em nossos testes, ele fez 6 km/l (na luta) e 12 km/l na estrada. O Inmetro divulga 8,5 km/l e 10,8, respectivamente, sempre com gasolina.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Já na estrada, o Blackhawk mostra o quanto a plataforma Small Wide é competente. Mesmo com 198 mm de altura do solo, o SUV passa muita confiança em alta velocidade. Não há tremedeiras e muito menos não há sensação de carro solto.

O coeficiente aerodinâmico de 0,35 cx ajuda quando o carro já está embalado, mas por se tratar de um SUV, essa eficiência aerodinâmica não compensa o apetite do motor. Em curvas, a física lembra o tempo todo que você está em um SUV. 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Existe rolagem de carroceria, sim, mas ela é bem controlada. A tração integral permanente ajuda muito a manter o carro apontado e adiar qualquer perda de aderência. Demora para ouvir pneu cantar e, quando acontece, já é em um ritmo bem acima do que se espera para um Compass.

A direção vai bem também. Para um SUV médio, ela é comunicativa, bem dosada e transmite segurança. Dá para contornar curvas mais fortes com confiança, algo que não é comum no segmento. O único ponto discutível é a empunhadura do volante, que ficou grossa demais após o facelift. Um diâmetro um pouco menor deixaria a pegada mais natural.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza suspensão
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

A suspensão recebeu um acerto mais firme justamente para dar conta da potência. O conjunto McPherson na dianteira e multibraço atrás transmite equilíbrio, sem sacrificar o conforto. Não é dura, não é seca e não castiga os ocupantes.

Na cidade, o Blackhawk continua sendo um SUV agradável de usar. Absorve buracos e solavancos com competência, passa bem por rampas e valetas sem raspar e preserva uma rodagem confortável para o dia a dia. O câmbio entende bem o uso urbano, isso é um ponto positivo para um esportivo.

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Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Por ser um SUV, dá até para abusar mais de rampas e entradas de garagem. O cuidado fica por conta dos pneus 235/45 R19. O perfil baixo não combina com buraco e pode furar com facilidade — confia, porque eu testei. Outro ponto chato, comum nos carros do grupo, é o Start/Stop. Não tem memorização e precisa ser desligado toda vez. Além disso, ele é perceptível no funcionamento e incomoda quem não gosta do sistema.

Interior e espaço já conhecidos

O interior do Jeep Compass Blackhawk é basicamente o mesmo que conhecemos desde a reestilização de 2021 — inclusive o mesmo projeto que o Renegade vai receber na linha 2027, como o Auto+ apurou com exclusividade. 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza interior
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

A diferença aqui está no acabamento mais esportivo e refinado, com uso de suede no painel e nos bancos. Eles abraçam bem o corpo e passam boa sensação ao dirigir, embora as abas sejam um pouco mais duras. Nada que incomode, até porque a proposta aqui é claramente mais esportiva. 

A posição de dirigir continua um dos pontos fortes, com os bancos tendo ajustes elétricos para motorista e passageiro, com regulagem lombar, bom recuo e possibilidade de um ajuste mais baixo, embora lembre que você está em um SUV. O volante tem ótima regulagem em altura e profundidade, e a ergonomia geral é bem resolvida. 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza interior
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Os materiais também agradam. Há soft-touch em todo o tabelier e na parte superior das portas dianteiras, enquanto o console central alto com acabamento em black piano passa a sensação de requinte.

O painel digital de 10,25 polegadas é claro, rápido e intuitivo, com grafismos mais esportivos nessa versão. Já a central multimídia de 10,1 polegadas funciona bem, é ágil e traz Apple CarPlay e Android Auto sem fio, além de Alexa integrada e o Performance Pages, que mostra dados de desempenho e inclinação do veículo. 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza interior
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

O que realmente faz falta é uma câmera 360°. Para um SUV desse preço e proposta, só câmera de ré com sensores dianteiros e traseiros já não convence. Até o Corolla Cross passou a oferecer isso na linha 2026, e aqui ficou devendo.

No pacote de assistência à condução, o piloto automático adaptativo com função stop and go funciona muito bem tanto no trânsito quanto na estrada. O assistente de centralização em faixa também é virtuoso em velocidades mais baixas, mas fica invasivo em velocidade alta, a ponto de incomodar e fazer você desligar. O problema é que não há memorização, então toda vez precisa se repetir a cada nova partida.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza interior
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

O Blackhawk ainda traz alerta de colisão frontal com frenagem automática, alerta de ponto cego com tráfego cruzado traseiro e assistente de farol alto. Aqui vale uma crítica. Apesar de ter faróis full-LED, a iluminação noturna em estrada não me agradou. Mesmo com regulagens, senti falta de mais alcance, e por isso tive que recorrer ao farol alto com frequência.

A lista de conforto é completa. Há ar-condicionado digital de duas zonas, chave presencial, sensor de chuva, retrovisor fotocrômico, teto solar panorâmico, acendimento automático dos faróis, retrovisores com rebatimento elétrico, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, paddle shifts e carregador de celular por indução.

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza porta-malas
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

O porta-malas elétrico leva 410 litros, razoável. Dá conta do dia a dia, mas fica aquém para famílias maiores, ainda mais considerando que o projeto já mostra a idade. Alguns SUVs compactos oferecem bem mais espaço. 

Por outro lado, o espaço para pernas no banco traseiro agrada. Com entre-eixos de 2,63 m, sobra espaço mesmo para quem tem 1,88 m, como eu. Há ainda saídas de ar, portas USB e até tomada de 12 volts, um diferencial no segmento. Em dimensões, o Compass Blackhawk continua com os conhecidos as com 4,40 m de comprimento, 1,81 m de largura e 1,64 m de altura. 

Veredicto 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

O Jeep Compass Blackhawk é um carro que, no papel, parece estranho, mas na vida real faz muito mais sentido do que parece. É um SUV para quem precisa de espaço, conforto e praticidade no dia a dia, mas não quer abrir mão de desempenho e sem precisar abandonar o prazer de dirigir. Comparando com rivais indiretos, como o Jetta GLI, fica claro que são propostas diferentes, mesmo com preços próximos.

O Volkswagen é mais baixo, mais colado no chão e naturalmente mais esportivo. O Compass, por outro lado, compensa com mais conforto e posição mais alta. Ainda assim, não fica devendo em prazer ao volante. Pelo contrário. 

Jeep Compass Blackhawk 2026 avaliação estático na cor cinza
Jeep Compass Blackhawk [Auto+/Luiz Forelli]

Dá ainda para argumentar que existem alternativas mais potentes, como o Haval H6 PHEV35, com números absurdos e consumo menor. Mas ali existe a dependência da recarga e uma dinâmica que não conversa da mesma forma. O Compass Blackhawk foge de ser o mais eficiente ou até o mais racional, ele quer ser envolvente. E consegue. E por isso faz sentido exatamente por não tentar fazer sentido para todo mundo.

E você, colocaria um Jeep Compass Blackhawk na sua garagem? Deixe sua opinião nos comentários!


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5 comentários em “Jeep Compass Blackhawk é o SUV que faz sentido sem fazer sentido | Avaliação”

  1. Jailton Lopes

    Claro que sim. Apesar de que em alguns itens deixar a desejar, eu automóvel bastante atraente e confortável.

  2. Rogerio

    Estou saindo de um Golf GTI e escolhi o Blackhawk ao invés do novo GLI, que basicamente só mudou a frente.
    Espero ter feito uma boa troca.

  3. Cristiano

    Claro que não. Com elétricos e híbridos mais completos e mais baratos não faz sentido comprar esse Blackhawk. A falta das memórias do centralizador de faixa e do star-stopais a falta da câmera 360° não tem preço. Imagina o quanto ajudaria as imagens 360° numa trilha 4×4…

  4. Lisa

    Comprei o meu no ano passado! Estou amando! Conforto e bastante potência! Apesar do consumo ser alto.
    Mas isso para mim é o de menos, pois buscava por um SUV com conforto e potência, pelo valor que paguei estou bem satisfeita, atende minhas necessidades!

  5. Marcus Araujo

    Por isso que carro bom aqui no Brasil se lasca. Essa história de que não precisa, de que brasileiro prefere um carro racional… “quase ninguém mais parece se importar somente com desempenho”?!?!?!
    Isso não é e nunca foi verdade. Como qualquer pessoa no mundo brasileiro gosta de motor forte mas no Brasil tudo é caro demais! Só isso!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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