Nunca na minha vida dirigi um carro que despertasse tantos sentimentos bons nas pessoas. Cada vez que eu saía com a Volkswagen ID.Buzz, eram inúmeros sorrisos direcionados à Kombi elétrica: tentativas de fotos disfarçadas, pessoas apontando entusiasmadas e diversas perguntas de curiosos.
Eu já havia experimentado isso quando testei a ID.Buzz em 2024. Mas o contato de um mês, proporcionado pelas férias de fim de ano, foi ainda mais interessante. A ideia era aproveitar o período para testar um carro comum e um carro espetacular. O Renault Boreal cumpriu a cota normal por ser o carro do ano de 2025. Já a Kombi… quem resiste a ela?
Posso comprar uma Kombi elétrica no Brasil?
Já começo tirando seu cavalinho da chuva: a ID.Buzz não está à venda no Brasil. Se você quiser uma, precisará alugar por valores nada módicos através do programa de assinatura da marca. São diversos planos divididos entre quilometragem máxima mensal e tempo de contrato. Além disso, há apenas duas cores disponíveis: azul (igual à testada em 2024) e o amarelo saia e blusa (dois tons).

O locatário da Kombi elétrica pode escolher franquias mensais de 1.500 km, 2.000 km, 2.500 km ou 3.000 km. Passou disso, paga-se um adicional, como se fosse uma multa. O contrato pode ser assinado por períodos de dois, três ou quatro anos. Há possibilidade de blindar a ID.Buzz, mas todas as unidades disponíveis são ano/modelo 2023.
O plano mais barato (48 meses de contrato e 1.500 km mensais) custa R$ 8.990 por mês. Já o mais caro (24 meses e 3.000 km mensais) chega a R$ 13.890. Ou seja, da maneira mais econômica, você terá uma Volkswagen ID.Buzz por quatro anos desembolsando R$ 431.520. No plano mensal mais caro, ela será sua por dois anos ao custo total de R$ 333.360.

É possível encontrar algumas unidades da Kombi elétrica via importação independente na casa de R$ 1 milhão. Nesses casos, trata-se geralmente da versão norte-americana, com entre-eixos mais longo, sete (ou seis) lugares e algumas mudanças de acabamento. Mas, na boa, se a Volkswagen quisesse vendesse essas unidades por R$ 700 mil, haveria fila de espera nas concessionárias.
Design: Inegavelmente uma Kombi
Tirando a parte burocrática do caminho, vamos nos ater ao carro. Não há como negar que a ID.Buzz é uma Kombi legítima. Inclusive, poderia muito bem ter sido batizada de ID.Kombi. O formato pão de forma e a inegável simpatia da van fazem com que mesmo crianças nascidas após o fim da Velha Senhora reconheçam a ID como a verdadeira sucessora.

A dianteira traz faróis afilados conectados por uma barra luminosa. Eles contam com tecnologia IQ.Light, mas o charme está no detalhe: o projetor acende as luzes laterais e se movimenta quando o motorista se aproxima da Kombi elétrica. É como se ela estivesse procurando por ele, feliz por encarar uma nova aventura.
Essa simpatia é ampliada pelo desenho do para-choque, que forma um sorriso. Essa peça pode ser aberta para acessar elementos de reparo e o fluido do limpador, já que não há frunk (porta-malas dianteiro). A entrada de ar no para-choque é composta por losangos que aumentam de tamanho gradativamente, uma temática repetida em vários lugares do veículo.

A referência ao modelo original aparece na lateral através dos três frisos na coluna D. Já as gigantescas rodas de liga leve de 20 polegadas jamais encaixariam na avó da ID.Buzz. As linhas são limpas e retas, com o vidro bastante inclinado e a frente curta, o que divide a coluna A em duas partes.
Na traseira, as lanternas conectadas trazem a identidade visual atual da Volkswagen, enquanto o enorme logotipo central carrega o charme retrô. Essa combinação de elementos faz as pessoas sorrirem ao ver a Kombi elétrica nas ruas: ela tem referências óbvias ao carro que ajudou a construir o Brasil, mas é, ao mesmo tempo, extremamente moderna.

Interior da linha ID
Por dentro, existem poucas referências ao passado e muita coincidência com outros modelos da família ID. O volante, igual ao do Nivus, possui comandos sensíveis ao toque que podem ser irritantes. Ele dá suporte a um painel de instrumentos digital minúsculo, posicionado para ser visto da melhor maneira possível, mas que acaba sendo insuficiente.
A tela é pequena, traz poucas informações e os comandos touch do volante atrapalham o uso — é comum mudar de menu sem querer em uma curva. Em um carro que busca sofisticação, como a Kombi elétrica, esse painel simples estilo BYD Dolphin Mini é inaceitável. O contraste fica por conta da central multimídia.

A tela grande e elevada oferece excelente visualização e um sistema operacional superior ao já elogiado VW Play brasileiro. Os menus são interativos, intuitivos e permitem boa personalização. A ressalva fica para a obrigatoriedade dos comandos touch do ar-condicionado logo abaixo, que são contraintuitivos.
Felizmente, há como controlar o ar pela central com diversas opções. A ID.Buzz possui o sistema AirCare, que varre poluentes e purifica o ar da cabine rapidamente. Além disso, existem modos específicos do ar-condicionado fáceis de acionar, como refrigeração rápida ou aquecimento dos pés.


Acabamento: É um Volkswagen, afinal
Em questão de acabamento, não espere o nível de um Golf europeu. A Volkswagen Kombi elétrica não tem acabamento ruim, mas está longe de ser uma referência de luxo. Não há materiais macios no painel ou nas portas, exceto no apoio de cotovelo. O nível é similar ao do VW Tera, ainda que conte com imitações de madeira e aço no painel.
A Volkswagen afirma que todo o interior é vegano, feito apenas com fibras naturais e sem couro animal. Contudo, essa artificialidade aparece no cheiro e no tato. O volante tem material sintético com aspecto de borracha e toque inferior. O material lateral dos bancos é melhor, enquanto o centro é de tecido — ótimo para países quentes como o Brasil.


Quanto aos bancos, a ergonomia é perfeita. Mesmo na posição de dirigir mais alta e sentada, lembra muito o VW T-Cross. É possível ajustar o banco (elétrico e com massagem) em diversas posições com facilidade. Destaque para os dois descansos de braço retráteis, um em cada lado do assento.
Atrás, a Kombi oferece uma vastidão de espaço para três pessoas. Mesmo passageiros de grande porte não esbarram os ombros nem batem as pernas. Porém, se estiver calor, sofrerão: não há abertura de janela nem saídas de ar dedicadas para a segunda fileira. E, ao contrário da Kombi clássica, a ID.Buzz vendida aqui tem apenas duas fileiras.

Soluções de espaço e Casos de Família
A criatividade para porta-objetos é um ponto alto. A Kombi elétrica conta com um console removível entre os assentos dianteiros. A parte superior é emborrachada, com divisores e o cinzeiro clássico da VW. Há uma gaveta na parte traseira e uma abertura frontal.
Nas portas dianteiras, a ID.Buzz apresenta dois níveis de nichos, além de um bolsão capaz de acomodar garrafas grandes. O layout se repete na fileira traseira, que conta com portas de abertura e fechamento elétrico e saídas USB-C.

O porta-copos dianteiro é retrátil, localizado abaixo das saídas de ar. Ali também fica o local para apoiar a chave caso a bateria dela acabe (descobri isso da pior maneira). Atrás, os passageiros contam com duas mesinhas tipo avião, verdadeiramente úteis — usei para jantar duas vezes durante o teste.
O porta-malas da Volkswagen ID.Buzz é absurdo: 1.121 litros. Espaço suficiente para uma terceira fileira de bancos, tanto que já existem porta-copos e descanso de braço acolchoado na área de carga. O compartimento possui uma divisória que cria dois andares, ganchos, prendedores e abertura elétrica da tampa.

Como é dirigir a Kombi elétrica?
Diferentemente da Kombi original, onde seus pés eram o para-choque e força era algo inexistente, a ID.Buzz é outra realidade. Não se intimide pelas medidas de micro-ônibus (4,71 m de comprimento, 1,98 m de largura, 1,92 m de altura e entre-eixos de 2,98 m). Na prática, ela parece um carro de passeio.
A dirigibilidade típica da Volkswagen está presente, mesmo sendo maior que uma Amarok em vários pontos. A suspensão foca no conforto, mas mantém o padrão VW: firme e na mão. Mesmo com a aerodinâmica de um tijolo, mantém-se extremamente estável e comportada na estrada.
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É surpreendente andar com a Kombi elétrica a 150 km/h em uma estrada com vento e vê-la plena e reta, como se fosse um Nivus GTS. A direção é firme e muito direta. Como o motor elétrico fica na traseira, as rodas dianteiras têm um ângulo de esterçamento enorme.
Resultado: é fácil se empolgar ao virar o volante em uma curva ou perceber que é mais fácil manobrar a ID.Buzz do que uma picape média. Ela conta com sensores dianteiros e traseiros, câmeras 360 graus e retrovisores grandes para auxiliar.
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Desempenho: Rápida como nenhuma Kombi jamais foi
Totalmente elétrica, a ID.Buzz anda com vigor. São 204 cv e 31,6 kgfm de torque. Antigamente seria um número espantoso; hoje, em tempos de elétricos com mais de 300 cv, é normal. Pesando 2.200 kg, o 0 a 100 km/h é feito em 10,5 segundos — próximo a um VW Tera TSI.
Entretanto, o torque instantâneo faz a van parecer muito mais rápida. Ela entrega força de maneira suave e linear, sem trancos, mesmo no modo Sport. Essa combinação com a suspensão e direção bem acertadas torna a Kombi elétrica deliciosa de dirigir.
![Volkswagen ID.Buzz [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/01/volkswagen-id-buzz-kombi-eletrica-25-1320x743.webp)
É um veículo que, na teoria, não inspiraria uma condução prazerosa, mas garante horas de diversão sem cansaço. Como a autonomia é de 337 km (ciclo INMETRO), é possível pegar a estrada com certa tranquilidade, lembrando que a bateria de 77 kWh carrega a até 125 kW.
Em viagem para o interior de São Paulo, sem wallbox ou carregadores rápidos, utilizei tomadas residenciais de 220V. Em quatro dias de viagem, a Kombi elétrica ficou conectada durante três noites e duas tardes para recuperar 100% da carga.
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Destaque para os sistemas de auxílio à condução (ADAS). Ela tem alerta de ponto cego, manutenção em faixa, tráfego cruzado e piloto automático adaptativo (ACC). Faltou apenas um sistema de regeneração integrado ao ACC (como no ID.4), mas o modo “B” do câmbio funciona bem.
Ficha Técnica: Volkswagen Kombi elétrica (ID.Buzz)
- Motor: Traseiro, elétrico
- Potência/Torque: 204 cv / 31,6 kgfm
- Transmissão: Automática de 1 marcha
- 0 a 100 km/h: 10,5 segundos
- Velocidade máxima: 145 km/h (limitada)
- Autonomia: 337 km (INMETRO)
- Bateria: 77 kWh
- Pneus: 235/50 R20
- Dimensões: 4,71 m (comp.) / 1,92 m (alt.) / 1,98 m (larg.) / 2,98 m (entre-eixos)
- Porta-malas: 1.121 litros
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Veredicto
A Volkswagen Kombi elétrica carrega um legado enorme e um carisma fortíssimo. Hoje, a maioria dos VW no Brasil está em sua primeira ou segunda geração (com exceção da Saveiro). A ID.Buzz, contudo, carrega uma história de mais de 70 anos e o amor de um país construído com a ajuda de sua avó.
Um carro capaz de fazer as pessoas sorrirem e o motorista se sentir especial merecia ser vendido oficialmente aqui. Cobre o que quiser, Volkswagen; já vimos que isso deu certo com o Golf GTI. Absolutamente nenhuma marca tem um produto com a alma da ID.Buzz.
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Mesmo removendo o fator nostalgia, ela ainda é um carro delicioso de guiar, prático, confortável e completo. Merecia ter sete lugares, o que faria muita gente trocar suas minivans de luxo pela neta do carro mais icônico do Brasil.
Você teria uma Volkswagen ID.Buzz? Conte nos comentários.


