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Um foguete de bolso

Mini Cooper JCW é um tesão diário, mas já foi mais | Avaliação

Culpe a Europa e os custos de produção, mas o atual Mini Cooper JCW é uma lembrança muito calorosa do que ele já foi

12 min de leitura

Sabe aquela barra de chocolate que você comia antigamente, mas que agora não tem o mesmo sabor? Ou a batata frita do Outback que já foi maior e mais gostosa, mas hoje parece que falta queijo e ela sempre está queimada? Pois bem, infelizmente venho nessa avaliação te dizer que o mesmo aconteceu com o Mini Cooper John Cooper Works.

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Esse carro já foi a referência máxima em relação a fórmula que misturava muito luxo com performance absurda em um carro pequeno. Digamos que sua essência de kart divertidíssimo continua mais do que viva – a ponto de eu me apaixonar pelo carro e procurar algum usado para comprar. Mas muito do que é a essência do Mini Cooper, agora é uma lembrança.

Custando R$ 355.990, um molho sempre faz falta. Mas ainda assim é um bom carro esportivo de bolso? Ou estou apenas sendo nostalgicamente chato? Começa que é inacreditável a capacidade da BMW em colocar 231 cv e 38,7 kgfm de torque em um carro de apenas 3,87 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,43 m de altura e com entre-eixos de 2,49 m.

Mini Cooper John Cooper Works cinza de traseira com teto e retrovisor vermelho
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Ainda assim, ele pesa só 1.330 kg. Só para você ter uma noção: o Mini Cooper é maior que um Renault Kwid, mas menor do que um Citroën C3. Ele é bem compacto, mas tem potência e torque equiparáveis a um Jeep Compass Blackhawk. Isso que ainda pesa o mesmo que um SUV compacto por conta dos reforços estruturais e até do próprio conjunto mecânico pesado.

Mini pimenta

Só que o comportamento desse carro é um absurdo, até porque ele anda muito mais do que gente grande. O tempo de 0 a 100 km/h é um exemplo disso: 6,1 segundos. Já a velocidade máxima bate os 250 km/h. E fique tranquilo que ele tem estabilidade para tudo isso. Mesmo a proibitivos 200 km/h, ele se mantém muito estável e plantado no chão, como se fosse um carro bem maior.

motor Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
motor Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Dessa forma, ele não dá a sensação de que vai voar como muito hot hatch. E é justamente a alma do Mini Cooper, mais a grife John Cooper Works que fazem dele um verdadeiro demônio na pista. O entre-eixos curto combinado à direção muito direta e pesada, junto da suspensão dura, tornam ele um verdadeiro kart.

Certamente não é patifaria de marketing quando a BMW diz que o Mini Cooper tem o tal do go-kart feeling. Em pistas sinuosas, o Mini Cooper JCW aponta como uma flecha, contornando a virada de maneira muito rápida e estável. As reações quase que instantâneas de todo conjunto fazem com que ele certamente ganharia tempo de volta em cima de muito carro mais potente do que ele.

frente Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Trabalhos do João Cooper

A tradução disso é uma diversão inesperada. Até porque, quanto mais você abusa do Mini Cooper, mais ele entrega. De modelos com tração dianteira, o único que consegue chegar perto da velocidade de curva que o JCW é capaz de fazer é o Honda Civic Type-R com sua suspensão mágica. Mas, ainda assim, dado o tamanho do inglês e a direção direta, ele é mais ágil.

A contrapartida desse comportamento muito arisco e rápido é que a suspensão enche o saco no dia-a-dia. Não que ela seja excessivamente dura, até porque ficou mais amigável de uns tempos para cá, não batendo seco e não recebendo porrada fácil. O problema é que o carro é pequeno e o curso é curto, o que gera reações constantes.

Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Em suma, o Mini Cooper JCW pula demais e copia para toda a carroceria cada mínima variação de asfalto. É tão forte isso, que é capaz de você saber a cor da joaninha que atropelou somente pelo solavanco que o carro todo dá. Em ruas de paralelepípedo ou cheia de buracos, a depender da sua posição ao volante, pode até bater a cabeça no teto (eu fiz isso mais vezes do que gostaria).

Ainda assim, diferentemente de muitos esportivos que existem por aí, o Mini Cooper JCW consegue ser usado no dia-a-dia com total tranquilidade. Ele não raspa em lombadas ou em entradas de garagem. Mas, se você for tomar uma água ao volante, espere por uma rua reta e evite até um mínimo remendo no asfalto, se não, vai se molhar.

Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Vivendo duas realidades

Além dos números de performance bem claros, o Mini Cooper JCW consegue ser dois carros em um. Em modo normal ou eco, o motor é tão silencioso e tão suave que muitas vezes cheguei a pensar que peguei o Cooper elétrico sem querer. Não há um mísero barulho, enquanto as trocas da transmissão de dupla embreagem com sete marchas jamais são sentidas.

A linearidade de entrega de torque, somada à suavidade das trocas de marcha e o silêncio à bordo dão essa sensação de carro elétrico. Outro ponto é que o motor 2.0 junto ao câmbio de dupla embreagem conseguem responder muito rápido. Claro que sem a instantaneidade de um carro elétrico, mas muito mais rápido do que a maioria dos carros com delay que temos hoje em dia.

Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Só que, se provocar, você verá o outro lado do Mini Cooper John Cooper Works. Em modo Go-Kart, que é o mais esportivo (tão divertido que ele faz uhuuuu quando é ativado), as trocas de marcha viram verdadeiras patadas. O ronco do motor ganha amplificação na cabine de um jeito surpreendentemente natural e ele ganha alma instantaneamente.

E vai mais ainda

Isso pode ser ainda mais ampliado se você segurar a aleta para redução de marcha por alguns segundos. Desse jeito, ele entrega tudo no modo Boost por dez segundos. As trocas de marcha ficam ainda mais violentas e divertidas, enquanto o pequeno hatch dispara com velocidade que deixa muito V8 chorando no cantinho da pista.

Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

E, ao mesmo tempo em que ele faz tudo isso, ainda entrega um consumo exemplar. Na estrada são 13,9 km/l no número oficial, mas nossos testes entregaram 14,7 km/l. Já na cidade, ele faz 10,8 km/l, enquanto conseguimos uma média de 11 km/l, surpreendentemente. No modo Go-Kart e com pé em baixo, ele manteve 8,7 km/l!

Ou seja, nessa geração, ele se tornou um carro extremamente divertido de dirigir, mas ainda muito econômico. O problema é que os modelos anteriores eram mais vivos. O motor era mais presente, as trocas de marcha eram mais vivas em todo o tempo. Afinal, se eu quero um Mini Cooper que se comporta como um elétrico, eu compro um elétrico, não o JCW.

Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Uma escada abaixo da BMW

Quando a Mini foi comprada pela BMW, a marca alemã claramente posicionou sua nova filha para atuar um degrau abaixo dela. A ideia sempre foi ser uma marca premium, mas posicionada com preço e luxo em um patamar abaixo dos Bê Eme. Essa era a essência da Mini, entregando luxo em um pacote menor.

Todavia, percebeu que usei todo parágrafo anterior no passado? É porque os Mini não são mais um degrau abaixo dos BMW, mas sim uma escada. O acabamento piorou muito e a sensação de carro de luxo foi embora. A cabine do Mini Cooper JCW é digna, mas de um carro generalista bem feito e ainda muito longe de qualquer chinês.

interior Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

A porção principal do painel, que antes tinha couro e material macio, agora é recoberta por um tecido áspero e que cobre plásticos duros. Nas portas, o mesmo material foi usado, junto de uma porção de borracha dura para apoiar os braços. Aliás, o descanso de braço central tem o mesmo material e não tem porta-objetos dentro dele.

Falta o que já vivemos

A montagem ainda é boa, mas até o couro usado no volante e em parte dos bancos tem aspecto muito artificial e de carro de entrada. O charme de ter um Mini Cooper sempre foi de ter um carro luxuoso de tamanho pequeno. Agora, esse refinamento se foi. E, junto dele, parte da esportividade visual interna.

cabine Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
cabine Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Isso porque a marca apostou no minimalismo. A manopla de câmbio virou um seletor pequeno no console, enquanto a partida é feita por um rotor plástico. Painel de instrumentos? Conjugado à central multimídia que se transformou em uma tela enorme em formato de bola bem no meio da cabine.

Felizmente (ouviu, Volvo EX30?) temos head-up display para cobrir a falta do painel no lugar certo. Mas, ao invés de projetar as informações no para-brisa, é uma placa de acrílico escuro que fica à frente e chega a atrapalhar um pouco a visão. Fora do modo Go-Kart não há conta-giros, apenas um medidor de força como se fosse um carro elétrico.

Minimalismo não é com a Mini

Apesar de seu formato estranho e de ter o painel de instrumentos conjugado à ela, a central multimídia é muito boa. Ela é fácil de mexer, tem uma tela de definição excelente e todos os menus são fáceis de achar e de operar. Tudo que você precisa está nela, desde configurações pequenas até a personalização do desenho dos LEDs das lanternas traseiras.

O ar-condicionado tem comandos na central, mas que ficam em menus fixos o tempo todo e o acesso aos itens de ventilação são rápidos de achar. Até mesmo a desativação do start-stop é pela central, mas em um menu que aparece arrastando a tela de baixo para cima. Há Android Auto e Apple CarPlay sem fio, mas que só ocupam um pedaço quadrado no meio da tela.

central multimídia Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Na hora de manobrar, o Mini Cooper JCW conta com sistema de câmeras 360 graus e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro. Mesmo sendo um carro pequeno, ele tem vários pontos cegos, o que faz com que esses recursos ajudem muito. Além disso, o tilt-down no retrovisor direito abaixa ainda mais o espelho se o motorista apertar o botão lateral.

Espaço é o que falta

Considerando que o Mini Cooper é um carro pequeno, espaço interno não é seu trunfo. Só que, mesmo um motorista alto consegue encontrar uma excelente posição de dirigir. A vastidão de regulagens permite sentar bem alto ou colado no chão, dependendo da sua preferência. Se andar em duas pessoas, estará tudo bem.

banco dianteiro Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Pena só que a quantidade de porta-objetos é limitada. O bolsão de porta é pequeno e o console central tem apenas uma frasqueira para esconder objetos de olhos gordos. Ainda assim, tem dois porta-copos e um espaço para deixar o celular de pé e preso no carregador por indução.

Quem senta atrás, tem acesso ao habitáculo através da gentileza do banco dianteiro de se deslocar para à frente eletricamente. E, caso você seja grande e o banco bata no seu joelho ao recuar, ele automaticamente para, sem te esmagar. O porta-malas leva tímidos 210 litros, mas tem uma divisória prática de dois andares que ajuda muito.

PORTA-MALAS Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
PORTA-MALAS Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Outro ponto interessante é que o Mini Cooper JCW tem teto solar duplo, com cortina individual para a fileira dianteira e para a traseira. O teto dianteiro abre totalmente, enquanto o traseiro pode ser levemente levantado para ajudar a entrar ar lá atrás. Isso porque os vidros são fixos. E o acabamento na segunda fileira, é só plástico.

Principais itens de série

  • Ar-condicionado digital de duas zonas
  • Teto solar panorâmico duplo
  • Chave presencial
  • Head-up display
  • Piloto automático adaptativo
  • Frenagem autônoma de emergência
  • Alerta de mudança de faixa
  • Sensor de ponto cego
  • Alerta de tráfego cruzado
  • Seis airbags
  • Sistema de câmeras 360 graus
  • Farol alto automático
  • Freio de estacionamento eletrônico
  • Indicador de fadiga
  • Rodas de liga-leve de 17 polegadas
  • Retrovisor fotocrômico
  • Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
  • Carregador de celular por indução
  • Controle de largada
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Ficha Técnica | Mini Cooper JCW

EspecificaçãoDetalhe
Motor2.0 turbo, quatro cilindros
Potência231 cv
Torque38,7 kgfm
TransmissãoDupla embreagem, 7 marchas
0 a 100 km/h6,1 segundos
Velocidade Máxima250 km/h
Comprimento3,87 m
Largura1,77 m
Altura1,43 m
Entre-eixos2,49 m
Peso1.330 kg
Porta-malas210 litros
Consumo Urbano10,8 km/l (Oficial) / 11 km/l (Teste)
Consumo Rodoviário13,9 km/l (Oficial) / 14,7 km/l (Teste)
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]
Mini Cooper John Cooper Works [Auto+ / João Brigato]

Veredicto

Por R$ 355.990, o Mini Cooper JCW é um verdadeiro brinquedo sobre rodas. Honestamente, um dos carros mais divertidos que já avaliei aqui no Auto+. Ele surpreende pela dinâmica mais do que apurada, ao mesmo tempo em que entrega um motor muito econômico e potente. Faz curvas melhor que muito esportivo de elite e ainda é prático.

Só que ele já foi ainda mais divertido de dirigir e já teve um acabamento bem melhor que justifica o preço acima de R$ 300 mil. Diversão ao volante por diversão, um Toyota GR Yaris parece ser mais próximo ao que era a essência do Mini Cooper. Enquanto o luxo com cara retrô, migrou para o GWM Ora 03, que hoje é base para o Cooper elétrico.

Você teria um Mini Cooper JCW? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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