Décadas atrás, a Renault comercializou por aqui modelos como o 19, 21, Nevada, Twingo e o Clio. Eram outros tempos, e agora a prosa mudou de rumo. O Kardian surgiu como um dos melhores carros da marca no Brasil em anos. Ao lado do SUV médio Boreal, ele inaugurou uma nova fase em nosso mercado, com atributos de sobra para enfrentar de frente o Fiat Pulse e o Volkswagen Tera.
A gama é composta por cinco versões, com preços entre R$ 113.690 (Evolution manual) e R$ 149.990 (topo Iconic). Um dos pilares que tornam o Renault Kardian prazeroso de dirigir é a plataforma RGMP (Renault Group Modular Platform), compartilhada com o Boreal.
O fôlego vem da união do propulsor 1.0 de três cilindros turbo com injeção direta, associado ao câmbio de dupla embreagem banhado a óleo de seis marchas. Estão disponíveis 125 cv e 22,4 kgfm (etanol). Com uma relação peso-potência de 9,47 kg/cv, o Renault Kardian é um carro que acorda rápido, trafega bem e transmite confiança nas curvas, sendo prazeroso tanto na cidade quanto na estrada.


Renault Kardian na cidade
No ambiente urbano, o Renault Kardian trafega sem mistérios. É um carro fácil de conduzir, favorecido pelas dimensões da carroceria e pela área envidraçada, que coopera na visibilidade frontal e traseira, assim como é auxiliada pelo bom desenho dos retrovisores.
O Kardian não enrosca em valetas ou lombadas mais pronunciadas. Afinal, ele ignora obstáculos urbanos graças ao ângulo de entrada de 20° e à altura livre do solo de 209 mm. Na configuração Techno, os pneus 205/55 R17 ajudam no trabalho das suspensões. Aliás, com arquitetura McPherson na dianteira e eixo de torção atrás.

A calibração vai para o lado mais firme, embora não comprometa o conforto dos até cinco ocupantes. Ao contrário, transmite confiança para entrar mais forte nas curvas, sem que a carroceria mostre uma rolagem além da conta. A direção elétrica é leve e precisa, com o peso correto acima dos 100 km/h. Além disso, o isolamento acústico controla os ruídos aerodinâmicos ou vindos do motor 1.0 de três cilindros.
Força em baixos giros
Na estrada, o Renault Kardian também agrada pela força disponível desde os baixos giros, permitindo retomadas e ultrapassagens seguras. Não é um carro que exige negociação: basta pressionar o pedal do acelerador e ele responde prontamente. O turbolag é mínimo; o motor mostra fôlego e acelera bem (0 a 100 em 9,9 segundos com etanol). É possível ouvir o sopro do turbo e a válvula de alívio, o que dá um toque extra.
As borboletas atrás do volante também oferecem um tempero adicional, embora a caixa de câmbio atue de forma rápida e eficiente. O ajuste das suspensões ainda evita que a frente mergulhe em frenagens mais fortes. A frenagem é garantida pelos discos ventilados na frente e tambores atrás. As paradas são seguras e o pedal possui uma boa modulação, superando as críticas pela ausência de discos traseiros, como ocorre nos Fiat Pulse e Fastback Abarth, por exemplo.


Paralelamente, de acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, as médias com etanol são de 8,8 km/l (cidade) e 9,7 km/l (estrada). Com gasolina, os números sobem para 12,8 km/l e 13,9 km/l, respectivamente. Na prática, conseguimos um consumo superior aos 18 km/l em trajetos rodoviários, atingindo picos de mais de 20 km/l.
Espaço interno
O Renault mostra uma boa habitabilidade. Ele mede 4,11 m de comprimento, 1,74 m de largura, 1,54 m de altura e tem 2,60 m de entre-eixos. No comparativo direto, ele supera o Fiat Pulse (2,53 m) e o Volkswagen Tera (2,56 m) no entre-eixos, garantindo mais espaço para as pernas e os joelhos dos ocupantes traseiros. Já o porta-malas de 358 litros também fica à frente do Pulse (320) e do Tera (350).
No entanto, faltou um acabamento mais cuidadoso na tampa do compartimento de bagagens. E para quem precisa de maior versatilidade, o rack de teto não está lá para enfeitar, pois é uma peça funcional. As barras são modulares e podem ser transformadas em transversais com facilidade auxiliando na vida dos motoristas que transportam pranchas ou bicicletas.



Ao abrir a porta, fica evidente o cuidado no acabamento interno. O habitáculo utiliza plásticos texturizados de boa qualidade, com boa montagem e arremates. Os bancos de tecido com costuras laranjas são ergonômicos e possuem espumas de densidade macia, que não cansam após longas horas ao volante. O volante de aro fino oferece boa empunhadura, mantendo o clássico comando satélite da Renault na coluna de direção.
O painel reúne o quadro de instrumentos de sete polegadas e a multimídia OpenR de 10,1 polegadas, com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Houve uma evolução clara: a Renault corrigiu os travamentos das primeiras unidades. A prova de fogo: o carro ficou sob sol forte de 32°C e o multimídia funcionou perfeitamente, provando que as correções de hardware e software surtiram efeito.

A escolha pelo Renault Kardian Techno
Quem viaja atrás encontra um bom espaço para as pernas e os joelhos devido ao entre-eixos de 2,60 m. Além disso, a inclinação do encosto traseiro ajuda no conforto e o tecido escolhido mostra grafismos bonitos, que elevam o requinte. Apesar disso, assim como na tampa do porta-malas, as laterais das portas traseiras poderiam ter recebido a mesma atenção das dianteiras, pois não apresentam áreas macias ao toque.
Por R$ 139.290, a versão Techno é extremamente equilibrada. Ela traz itens de série como freio de estacionamento eletrônico (diferencial frente ao Tera e Pulse), ar-condicionado digital, chave presencial, carregador por indução e seis airbags. Em segurança, há o Controlador de Velocidade Adaptativo (ACC), cuja atuação é progressiva, acompanhado de alerta de colisão frontal e assistente de frenagem de urgência.




Ao poupar os R$ 10.000 de diferença para a versão Iconic (R$ 149.990) perde-se alguns mimos. Entre eles, a câmera multiview e o alerta de ponto cego, mas a robustez do pacote de série da versão Techno agrada em cheio. Detalhes como o sistema de som com boa definição e graves, essencial para quem, como eu, é baterista e precisa memorizar levadas de bumbo, e a conveniência da chave presencial que tranca/destranca o carro por proximidade elevam a experiência.
Na Techno, não há luzes de neblina nem o aplique prateado na porção inferior do para-choque frontal. Além disso, quem desejar a carroceria em duas tonalidades (biton) deverá desembolsar R$ 1.700 extras, sempre na cor Prata Étoile. Na topo de linha Iconic, ele é de série.

Veredicto
Na faixa dos R$ 140.000, o Renault Kardian Techno é a minha recomendação. Ele não pode ser chamado de intermediário por conta da farta lista de equipamentos, incluindo os importantes assistentes de condução, que podem salvar a pele do condutor e dos ocupantes em um momento de distração. É um carro bem-nascido, com torque parrudo que garante agilidade e um ajuste de suspensão que satisfaz em cheio quem gosta de dirigir.
É um dos melhores produtos da Renault dos últimos tempos. Além disso, o propulsor 1.0 de três cilindros com turbo e injeção direta oferece um torque parrudo de mais de 22 kgfm, o que garante agilidade tanto na cidade quanto na estrada. Há ainda um bom ajuste de suspensões, enquanto o porta-malas pode satisfazer as famílias. Enfim, é um carro que recomendaria fortemente.




O Renault Kardian te convenceu ou você ainda prefere o Pulse ou o Tera? Se já tem um na garagem, conta aqui embaixo: a Renault acertou a mão?
R$ 139.290
1.0 de três cilindros turbo com injeção direta, associado ao câmbio de dupla embreagem banhado a óleo de seis marchas. Estão disponíveis 125 cv e 22,4 kgfm (etanol)
Segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, as médias com etanol são de 8,8 km/l (cidade) e 9,7 km/l (estrada). Com gasolina, os números sobem para 12,8 km/l e 13,9 km/l, respectivamente.
4,11 m de comprimento, 1,74 m de largura, 1,54 m de altura e tem 2,60 m de entre-eixos. O porta-malas é de 358 litros.



