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É um absurdo

Porsche Taycan Turbo GT é o carro mais absurdo que já dirigi na vida | Avaliação

Tudo que você entende como referência de velocidade em qualquer circunstância asfaltada, o Porsche Taycan Turbo GT simplesmente a destroça

7 min de leitura

Existem coisas que transformam sua maneira de viver. Viajar de primeira classe pela primeira vez na vida faz você repensar todas as horas gastas na classe econômica. Comer em um restaurante estrelado faz reconsiderar a grana torrada no iFood. Dirigir o Porsche Taycan Turbo GT estraga toda experiência automotiva futura.

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Isso ocorre porque qualquer carro atualmente à venda no Brasil parece ridiculamente lento perto dele. Não há outro veículo que faça de 0 a 100 km/h em 2,2 segundos. Ele chega aos 200 km/h mais rápido do que muito modelo esportivo atinge metade dessa marca. Esse carro representa um verdadeiro absurdo técnico.

Chupa, Elon Musk

A criação do Porsche Taycan Turbo GT surgiu motivada apenas pelo fato de Elon Musk se vangloriar com o Model S Plaid. A Porsche não aceitaria que o dono de uma rede social tivesse um carro mais rápido do que ela. Por isso, a marca aplicou a expertise das pistas do 911 GT3 RS na eletricidade.

Porsche Taycan Turbo GT roxo de traseira na chuva
Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

Como resultado, temos um sedan elétrico de porte grande com 1.034 cv. Essa potência costuma aparecer apenas em veículos de arrancada preparados. O torque de 126,4 kgfm seria capaz de alterar o eixo da Terra se aplicado no lugar certo. Em uma arrancada forte, a visão fica turva e o coração para no porta-malas.

Tudo acontece de forma instantânea. Em uma retomada acima de 120 km/h, o veículo dispara e bate os 170 km/h sem que o motorista perceba. Caso precise frear, os discos de carbono-cerâmica estancam o Turbo GT imediatamente. Até as reações do volante são extremamente velozes e precisas.

porta-malas Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]
Porta-malas Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

O volante exige pouco mais de duas voltas de batente a batente. Basta girar um ponto para o Taycan apontar com precisão absoluta e seguir. A realidade é que ele parece grudado em trilhos. Pelo modo como acelera, classificar esse carro como uma montanha-russa não representa nenhum exagero para quem o pilota.

Mas e essa suspensão?

O maior trunfo do acerto está na suspensão Porsche Active Ride. Esse sistema controla eletronicamente o conjunto e transforma a experiência de pilotagem em vários níveis. O desenvolvimento prioritário buscava calar a boca de Elon Musk e garantir o uso do Taycan em pistas profissionais.

Porsche Taycan Turbo GT roxo de frente na chuva
Frente Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

Dessa forma, o sedan possui altura regulável para ficar muito baixo e colado ao asfalto. O sistema também compensa as inclinações de carroceria que ocorreriam em curvas fortes devido à gravidade. Isso mantém o carro estável e permite contornar as viradas com muito mais velocidade e segurança.

A suspensão também compensa a subida da frente em acelerações rápidas e os mergulhos em frenagens bruscas. Ao abrir a porta, ele eleva a altura para facilitar a entrada, embora isso ajude pouco no cotidiano (te explico depois o motivo). No entanto, se o motorista desejar conforto, a suspensão também permite essa configuração.

Porsche Taycan Turbo GT roxo de traseira na chuva
Traseira Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

Diferentemente de qualquer outro Porsche Turbo GT em que cada imperfeição do asfalto atinge sua bunda, o Taycan se comporta melhor. Ele absorve os impactos com competência e encara buracos sem parecer que vai desmontar. Para um carro voltado às pistas, ele consegue agir como um modelo de passeio e oferece 442 km de autonomia.

A questão das pistas

Sua natureza competitiva exigiu que a Porsche fizesse concessões no Taycan Turbo GT. No Brasil, o pacote Weissach é item de série e inclui bancos concha de fibra de carbono e couro. O encosto fixo e a regulagem manual de distância dificultam o ajuste ideal para quem busca conforto em trajetos longos.

banco dianteiro porsche taycan turbo gt
Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

O resultado é uma posição de dirigir extremamente reta. Confesso que sempre que pilotei o modelo por mais de uma hora, fiquei com fortes dores na lombar e o ciático costumava reclamar bastante. É desconfortável. Além disso, as abas laterais altas exigem contorcionismo para entrar e sair, obrigando o motorista a se jogar no banco.

O pacote remove o banco traseiro para reduzir o peso, tornando as portas traseiras totalmente inúteis. O veículo perde as saídas de ar traseiras, mas mantém o acabamento macio e comandos de vidros desnecessários lá atrás. A asa traseira em fibra de carbono amplia o downforce e adiciona um toque visual anabolizado.

banco traseiro Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]
banco traseiro Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

Um luxo esportivo

O interior utiliza alcantara em diversas partes, como painel, volante e teto. No entanto, o material no volante pode ser ruim no uso diário. O toque perde a agradabilidade rapidamente e o tecido tende a acumular odores desagradáveis com o tempo, além de parecer desgastado rápido. Isso destoa do esmero gigante da Porsche com o acabamento geral.

A regulagem do ar-condicionado pelo menu da central multimídia também causa irritação. O sistema exige sair do Android Auto ou Apple CarPlay para ajustar o fluxo de vento no rosto. Existe uma segunda tela dedicada que poderia assumir essa função de forma mais prática, evitando distrações desnecessárias.

volante Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]
volante Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

Entretanto, as telas possuem excelente qualidade de display e usabilidade rápida. O painel de instrumentos segue a mesma linha, embora os marcadores externos sejam quase impossíveis de enxergar da posição padrão. Isso exige um desvio de olhar constante para conferir todas as informações de condução.

Itens de série

Mesmo custando a partir de R$ 1,5 milhão, o Turbo GT não representa a versão mais equipada da linha. A busca pela leveza eliminou as câmeras 360 graus e o piloto automático adaptativo. Todavia, ele traz frenagem autônoma, seis airbags, alerta de ponto cego e vetorização de torque de série.

O pacote tecnológico inclui sensores de estacionamento, câmera de ré, ar-condicionado digital de duas zonas e controle de largada. O motorista também conta com retrovisores elétricos com rebatimento automático e outros mimos esperados em um Porsche. A conectividade sem fio para smartphones funciona com perfeição.

Veredicto

Dirigir o Taycan Turbo GT torna qualquer outro carro lento por comparação imediata. Ele entrega um nível de rapidez em curvas e aceleração que define um esportivo puro-sangue. Pouco importa o fato de ser elétrico e não queimar suco de dinossauro para fazer barulho. Ele é um esportivo de verdade.

Porsche Taycan Turbo GT [Auto+ / João Brigato]

O uso diário desse Porsche é inconveniente e traz dores nas costas devido aos bancos de pista. Afinal, o projeto foca em recordes em Nürburgring e em fazer a Tesla se recolher em um canto. Como esportivo, o Turbo GT atinge a perfeição técnica absoluta. Mas para o cotidiano, eu ficaria com o equilíbrio do Taycan GTS.

Você teria um Taycan Turbo GT para acelerar nas pistas ou prefere o conforto de um sedan comum? Conte nos comentários.


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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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