O mercado brasileiro é cheio de modelos injustiçados e modelos que vendem mais do que merecem. Infelizmente o Peugeot 2008 faz parte do primeiro grupo. Pensava que a nova geração daria um grande up nas vendas do SUV compacto da Stellantis, mas a maré não fluiu ao seu favor.
Acontece que a Argentina não tem conseguido dar conta da demanda pelo modelo, as entregas nas concessionárias demoram muito e os clientes desistem. Afinal, em um mar de quase 20 SUVs compactos diferentes, para quê esperar dois, três meses por um Peugeot 2008 se na concessionária ao lado tem outro modelo?
Para tentar evitar isso, a Stellantis reforçou os estoques da linha 2026, fez algumas mudanças (para pior) na lista de equipamentos de todas as versões e trouxe o motor semi-híbrido para a versão GT. Testei o modelo topo de linha por uma semana e muitos quilômetros para descobrir qual a real sobre ele.

A realidade é melhor
Na tabela oficial de preços, o Peugeot 2008 GT custa R$ 179.990, mas a marca o vende por R$ 162.990. Está no site da marca e é o valor praticado nas concessionárias, que às vezes dão até desconto. É um valor interessante que coloca o modelo páreo com versões intermediárias ou de entrada de seus concorrentes.
O problema é que esse valor só vale para a cor Preto Perla Nera. Se você quiser o tom Cinza Selenium da avaliação, são R$ 2.000 a mais, mesmo valor cobrado pelo Branco Nacré Perolizado. E…é só isso mesmo de cores que ele tem. Lembra do belíssimo azul? Nunca existiu no GT e foi descontinuado no resto da linha.
Família italiana

O que se tornou exclusivo do Peugeot 2008 GT é o motor 1.0 três cilindros turbo semi-híbrido. Ele tem os mesmos 130 cv e 20,4 kgfm de torque do motor 1.0 T200 regular, que segue nas outras versões. A diferença está na redução do consumo e no insuportável start-stop.
A Peugeot usa o mesmo sistema da Fiat, que troca o alternador e o motor de partida por um pequeno motor elétrico que não é capaz de mover o 2008 GT sozinho. Com isso, ele não pode ser considerado um híbrido de verdade, ainda que a Stellantis insista em usar a alcunha Hybrid por conta da eletrificação bem leve.

Na prática, você não sentirá tanta diferença real ao dirigir o Peugeot 2008. O que é algo bom, porque o conjunto do motor 1.0 turbo com câmbio CVT foi super bem amarrado nos carros do grupo, em especial os com plataforma CMP, como é o caso deste SUV.
Ele tem um vigor invejável a muito SUV 1.0 turbo, acelerando sem medo e ganhando velocidade com boa facilidade. O câmbio CVT parece fazer o motor roncar mais alto do que no Pulse e no Fastback, segurando mais o giro no alto em acelerações intermediárias.
![Peugeot 2008 GT [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/10/peugeot-2008-gt-2026-12-1320x743.webp)
Mas não chega a ser uma enceradeira como os modelos da Honda com motor aspirado. Há simulação de marchas, sete ao todo, que são feitas a partir do pressionamento do pedal de acelerador para além da metade. As trocas são sentidas de maneira a instigar o motorista a seguir acelerando.
Oficialmente, o Peugeot 2008 semi-híbrido tem consumo declarado de 9 km/l na cidade e 9,6 km/l na estrada com etanol. Já na gasolina, são 13 km/l e 13,7 km/l, respectivamente. Na prática, fizemos uma média de 9,3 km/l com etanol em trechos equilibrados de estrada e cidade.
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Mas temos umas chatices
O sistema semi-híbrido não parece tão bem calibrado no Peugeot 2008 GT. Isso porque ele, ao religar o carro, derruba a rotação do motor para 800 giros, faz o carro vibrar muito e depois estabiliza novamente em 1.000 rpm, que é quando a suavidade do conjunto chama atenção.
Mas o sistema start-stop é algo extremamente irritante. Ainda que o motor religue muito rápido e de maneira muito suave, é impossível desativá-lo. E, ao contrário de carros híbridos de verdade, esse liga e desliga faz com que o ar-condicionado seja desativado e transforme a cabine em um forno.
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Quando o acerto vale
Nos últimos tempos, as montadoras têm apresentado carros em plataformas bem evoluídas e que refletem diretamente na boa dirigibilidade deles, aparentando ser modelos de categoria superior. É assim com a MQB-A0 da Volkswagen que está presente em Nivus, Tera, T-Cross, Polo e Virtus e com a RGMP do Renault Kardian.
Mas esse grupo de plataformas bem feitas para carros pequenos também tem a CMP da Stellantis. É nítido o quão bem nascido o 2008 é. O SUV compacto é um carro bem sólido, bom de curva e tem um temperamento nitidamente mais voltado à esportividade.
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A direção é mais firminha e direta, o que combina com o volante pequeno, achatado e de aro grosso. Com isso, temos uma coerência com a posição de dirigir mais baixa e esportiva. A suspensão vai no mesmo caminho, oferecendo um pouco mais de firmeza que o habitual na categoria, mas sem ser desconfortável.
Ao contrário do Nissan Kicks que tem rodas excessivamente grandes, as do Peugeot 2008 poderiam ser uma polegada maiores, especialmente no modelo GT. A vantagem do conjunto 17 polegadas, contudo, é que os pneus são mais grossos e ajudam no conforto de rodagem e na qualidade percebida.
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É quando o preço justifica
Esperado por um modelo topo de linha, o Peugeot 2008 GT não conta com sistemas ADAS mais avançados como piloto automático adaptativo ou alerta de tráfego cruzado. Entretanto, já vem de série com frenagem autônoma de emergência, alerta de ponto cego, alerta de mudança de faixa e reconhecimento de placa de trânsito.
A lista de itens de série ainda é composta por seis airbags, sistema de câmeras 360 graus, teto solar panorâmico (que agora tem a cortina manual), controle de tração e estabilidade, faróis full-LED com ajuste automático de altura e facho alto automático, chave presencial, carregador de celular por indução e sensor de chuva.
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Ele ainda traz sensor crepuscular, painel de instrumentos digital 3D com sete layouts diferentes, indicador de fadiga, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, ar-condicionado digital de uma zona, bancos revestidos em imitação de couro, volante com ajuste de altura e profundidade e freio de estacionamento eletrônico.
Acabamento referência
A cabine do Peugeot 2008 é a referência máxima entre todos os SUVs compactos que não possuem materiais macios no painel. Ou seja, é inferior ao Jeep Renegade, ao Omoda 5, ao CAOA Chery Tiggo 5X e ao Nissan Kicks. Mas faz modelos como VW T-Cross e Chevrolet Tracker passarem vergonha.
Ele conta com plásticos duros de qualidade em todo o painel e uma aparência bem premium. A Peugeot soube misturar bem elementos em aço com imitação de fibra de carbono, detalhes preto brilhante e plástico texturizado. Tudo está bem encaixado, tem aparência sólida e estilo moderno.
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O couro usado no volante é de qualidade bem superior à média da categoria, tal qual o revestimento dos bancos, que aparenta ter melhorado em relação à linha 2025 do Peugeot 2008. O painel de instrumentos digital é incrível com sua tela 3D e elementos bem elegantes.
Já a central multimídia é um pouco lenta e concentra funções demais nela. Conta com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A tela tem qualidade e os menus são até que fáceis de usar. Mas dentro da Stellantis existem sistemas bem melhores e mais estáveis.
![cabine Peugeot 2008 GT [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/10/peugeot-2008-gt-2026-09-1320x743.webp)
Espaço não é o forte
Ao contrário dos seus primos Citroën Aircross e Basalt, o Peugeot 2008 não é referência em espaço interno. Ele é um SUV apertado, oferecendo pouca coisa a mais do que um hatch compacto. Aliás, ele tem área traseira que deveria ter um 208. É possível levar quatro pessoas, mas alguém vai ter que sacrificar o conforto.
Quer seja o motorista que precisará jogar o banco mais para a frente ou o passageiro traseiro que terá de espremer o joelho. Isso que a posição mais baixa de dirigir obriga o motorista a ficar com as pernas mais esticadas. O porta-malas leva 374 litros e é ok.
![Peugeot 2008 GT [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/10/peugeot-2008-gt-2026-10-1320x743.webp)
Veredicto
Muito bonito, gostoso de dirigir e bem completo pela faixa de preço que é oferecido, o Peugeot 2008 GT deveria vender bem mais do que deveria. É um produto sólido e cheio de vantagens que os consumidores dos SUVs compactos buscam. Contudo, ele tem seus pecados.
O espaço interno é ruim, faltam sistemas ADAS mais complexos e chamar de híbrido um carro que não é híbrido é um tipo de conduta que não concordo. O sistema tem vantagens sim de reduzir consumo e te fazer fugir do rodízio, mas não é um híbrido de verdade. E se você está ok com isso, abrace um 2008 e seja feliz. Eu teria um, honestamente.
Você levaria um Peugeot 2008 para casa? Conte nos comentários.



Tive um 2008 Allure 23/24. 1.6 dezesseis válvulas, aspirado. Nenhuma queixa. Ótimo p passear e uso diário. Só troquei por oportunidade de negócio
Com certeza! Meu SUV favorito!
Eu gosto muito fo peugeot 2008, tenho um 2022 estou pensando em trocar por um outro no próximo ano.
Claro que NÃO !
Além de “pecar” em itens de conforto aos ocupantes e pobre em espaço, vira um “casamento” de difícil solução.
Se vc é casado, pergunte a esposa se ela está de acordo com o 2º “casamento”.
Levaria um 2008, tranquilamente para casa.
Gosto muito dessa marca e principalmente desse modelo!
“SUV”, quando é um crossover, “GT” – sinônimo de luxo, alta potência e conforto: tudo isso não combina com 129CV. Que lástima o que estamos vendo acontecer com o mercado de automóveis. Por isso me nego a comprar qualquer uma destas porcarias. Tem “SUV” com 116 cavalos no mercado nacional. Que piada de mau gosto.
Não levaria por ser 1.0
Esse 1.0 é turbo e faz de 0 a 100 em 9 segundos no etanol. É meu foguetinho!
Eu sempre gostei dos carros da Peugeot e da Citroen. Possuem bons acabamentos e normalmente uma motorização boa.
Porém, confesso que não consigo me ver gastando dinheiro em um carro com motor 3 cilindros.
Tenho um C4 lounge motor 1.6 THP, mesmo motor que o 2008 tinha no modelo passado. Se tivessem mantido esse motor seria um carro infinitamente melhor.
Apenas para esclarecer, não é só desempenho que não me agrada no 3 cilindros, mas junto com a fragilidade, pelo menos para mim, é um motor descartável.
Devido às políticas de redução de emissão de gases que tiraram esse motor e devido ao fato de eu não conseguir manter um V6, infelizmente o jeito é ir para os elétricos.
Desde o lançamento dessa geração eu estou desejando um, mas confesso que o Omoda 5 me deixou balançado. O custo-benefício é ótimo, o único senão é saber como vai ser o pós venda, reposição de peças, etc… Tenho um 208 2022 1.6 que está nesse momento reparando após aguardar uma peça por 20 dias. E o medo de na Omoda-Jaecoo ser pior ainda? Vale o risco?
Pelos contras mostrados na matéria não compraria.
Principalmente pelo ¨Star Stop¨ que não é possivel desativar.
Bonito, mas caro para um carro que não tem suspensão independente traseira e utiliza motor 1.0 de 3 cilindros, essa GT deveria usar o T270!
Tenho e recomendo
Tenho um 2025 GT – Cinza e por onde passo chama a atenção, a Peugeot me surpreendeu com design externo e interno. Única coisa que não aceitei muito bem foi o fato da versão Topo GT não ter um motor mais esportivo, porém não decepciona !
Tenho o Peugeot 2008 Active 2025. É um excelente carro. Robusto, uma nave, um destaque no trânsito, pois por onde passa, chama a atenção, pois a injustiça (como foi dito na reportagem), o torna uma exclusividade.
Tenho um GT 2025 preto, o carro é lindo e potente, motor 1.0 turbo me surpreendeu, porém o meu veio com um defeito de fabrica que está me dando dor de cabeça, o painel vibra e parece q vai desmontar, la levei 3x na concessionária e não conseguem solucionar o problema…