No competitivo mercado automobilístico, a linha entre o sucesso estrondoso e a falência completa é, muitas vezes, tênue. Ao longo das décadas, diversas fabricantes tradicionais flertaram com o encerramento de suas atividades, sendo resgatadas no último instante por projetos audaciosos. Estes veículos não são apenas sucessos de vendas; são os pilares que sustentam a existência de gigantes do setor na atualidade.
Confira os modelos fundamentais que garantiram a sobrevivência de marcas como Porsche, Chevrolet e Peugeot.
1. Porsche Boxster e Cayenne: A virada de chave alemã

A situação da Porsche no final da década de 1980 era alarmante. Com vendas em queda e custos de produção elevados, a marca de Stuttgart precisava de um volume de caixa imediato. A estratégia de sobrevivência foi dividida em duas etapas cruciais.
Primeiro, o Porsche Boxster chegou como uma opção de entrada mais acessível, compartilhando componentes com o 911 para reduzir custos. Contudo, o verdadeiro fôlego financeiro veio com o Cayenne. O SUV, embora criticado pelos puristas na época, tornou-se um fenômeno comercial global, gerando os lucros necessários para que a empresa se tornasse a potência tecnológica que lidera o segmento de luxo hoje.
2. Peugeot 205: O hatch que resgatou o orgulho francês

Durante os anos 1970, a Peugeot expandiu suas operações de forma agressiva ao adquirir a Citroën e as divisões europeias da Chrysler. No entanto, a digestão dessas marcas deficitárias quase levou a fabricante francesa ao colapso na década seguinte.
O cenário mudou drasticamente em 1985 com o lançamento do Peugeot 205. O modelo compacto combinava design moderno e eficiência dinâmica, tornando-se um sucesso instantâneo de vendas na Europa. O êxito do 205 permitiu que a marca recuperasse sua rentabilidade e estabilizasse o Grupo PSA, consolidando sua presença nos principais mercados mundiais.
3. Nissan Qashqai: O pilar da sobrevivência na Europa

Enquanto no mercado brasileiro o Jeep Compass é a referência entre os SUVs médios, o cenário europeu foi moldado por um salvador específico: o Nissan Qashqai. Após uma sucessão de fracassos comerciais em segmentos tradicionais de sedãs e hatches, a Nissan Europa jogou sua última cartada no desenvolvimento de um utilitário esportivo diferenciado.
O Qashqai não apenas salvou as operações da fabricante no continente, como também é creditado por popularizar o conceito de crossover urbano. Sem este modelo, a presença industrial e comercial da Nissan na Europa provavelmente teria deixado de existir há anos.
Chevrolet Agile

4. Chevrolet Agile: O herói brasileiro da General Motors
Durante a crise financeira global de 2008, a General Motors enfrentou seu momento mais sombrio, recorrendo a auxílios governamentais nos Estados Unidos e encerrando divisões históricas. Nesse contexto, a GM América do Sul, e especificamente a operação brasileira, assumiu um papel vital para o fluxo de caixa da matriz.
O Chevrolet Agile foi a peça-chave dessa engrenagem. Desenvolvido com foco em baixo custo de produção e alta margem de lucro, o modelo utilizava uma plataforma simplificada, mas entregava o que o consumidor local buscava na época. Fontes internas do setor indicam que a rentabilidade gerada pelo Agile no Brasil foi fundamental para evitar que o colapso da corporação fosse total e irreversível.
Aston Martin DB7

A trajetória da Aston Martin é marcada por constantes trocas de comando e crises financeiras. Quando estava sob o guarda-chuva da Ford, a marca operava no limite do prejuízo. A solução veio de forma inesperada: um projeto originalmente destinado a substituir o Jaguar XJS foi descartado pela marca irmã.
A Aston Martin assumiu o design, refinou suas linhas e lançou o DB7. O modelo tornou-se rapidamente o veículo mais vendido da história da fabricante até então. Além de salvar a empresa da falência iminente nos anos 1990, o DB7 estabeleceu a identidade visual que definiria os modelos da marca por quase duas décadas.
![Chevrolet Agile [divulgação] carros polêmica](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/04/chevrolet_agile_42_editeb-1200x720.jpg)


Na verdade o Agile foi um dos grandes fracassos da GM. O Onix é que salvou a operação brasileira.