O universo dos carros passa por transformações tão rápidas quanto o setor de telefonia móvel. Um smartphone de dez anos atrás parece uma peça de museu perto de um aparelho atual, e o mesmo ocorre com os automóveis da década passada. Algumas tendências sumiram por força de lei, enquanto outras foram simplesmente atropeladas pelas novas demandas do mercado consumidor global.
Essa evolução constante faz com que muitos segmentos passem por metamorfoses definitivas. Dessa forma, certos modelos deixam de existir para dar lugar a novas tecnologias ou formatos mais rentáveis para as montadoras. Entender por que esses carros morreram ajuda a prever o que o futuro reserva para as garagens brasileiras e internacionais.
Modelos conversíveis de marcas populares
![Renault Mégane CC [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/07/renault_megane_cc_6_edited-1200x722.jpg)
Houve uma época em que montadoras generalistas apostavam alto em carros sem teto, como as variantes dos Peugeot 206 e 307. Até mesmo a Ford oferecia o Escort conversível como uma opção de desejo para o grande público. Contudo, esse tipo de veículo se tornou extremamente caro de produzir para um volume de vendas tão pequeno.
Atualmente, apenas marcas de luxo se aventuram nessa categoria, embora nomes como Audi e Volvo tenham reduzido drasticamente sua oferta. No mercado popular, restou apenas o Fiat 500C, que funciona mais como um hatch com teto de tecido do que um conversível tradicional. Portanto, a chance de vermos um novo hatch popular sem teto é praticamente nula.
A era das peruas fabricadas no Brasil

O mercado brasileiro de carros familiares mudou drasticamente após o fim da Fiat Weekend. A exigência de itens como cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos os ocupantes apressou a morte do modelo. Desde então, nenhuma station wagon voltou a ser produzida em solo nacional, sendo substituída permanentemente pelos SUVs.
Embora as peruas ainda dominem as vendas em certas regiões da Europa, a realidade local é bem diferente. As minivans e os utilitários esportivos enterraram esse segmento no Brasil e nos Estados Unidos de forma definitiva. Ver uma perua inédita nas linhas de montagem brasileiras seria algo impensável nas atuais condições do mercado.
O fim dos aventureiros compactos

Os aventureiros compactos foram uma febre iniciada pela linha Palio Weekend Adventure nos anos 2000. Entretanto, as fabricantes perceberam que é possível lucrar muito mais vendendo um SUV derivado de um hatch do que uma simples versão com adereços plásticos. Por conta disso, o nicho de carros com suspensão elevada e visual off-road leve desapareceu.
A Honda trocou o Fit Twist pelo WR-V e a Volkswagen prefere focar no Tera em vez de lançar um Polo Cross. A Renault também seguiu esse roteiro estratégico ao substituir a família Stepway, Sandero e Logan pelo Kardian. Até mesmo o Argo Trekking perdeu protagonismo para o Pulse e para o Fastback dentro da linha Fiat. A esperança agora recai sobre o Chevrolet Onix Activ, que foi ressuscitado.
Faróis escamoteáveis e a segurança

Os icônicos faróis escamoteáveis permitiam que carros esportivos tivessem perfis extremamente aerodinâmicos e agressivos. Modelos lendários como o Mazda Miata e o Honda NSX ficaram famosos por esse par de olhos que se abria durante a noite. Entretanto, leis rígidas de proteção a pedestres na Europa e nos EUA proibiram esse tipo de design.
O mecanismo móvel das luzes aumentava o risco de lesões graves em casos de atropelamento, o que tornou o sistema inviável. Além disso, a tecnologia LED atual permite conjuntos ópticos muito menores e mais eficientes sem a necessidade de peças móveis. Ver essa tendência de design retornar em um veículo moderno seria tecnicamente proibido.
Carros médios com câmbio manual

Os carros médios equipados com pedal de embreagem estão em franco processo de extinção global. No Brasil, já não existe nenhum sedã ou SUV de porte médio zero quilômetro que ofereça a opção de transmissão manual, a não ser que seja um esportivo como o Toyota GR Corolla ou o Honda Civic Type-R. Essa tecnologia ficou restrita a picapes voltadas para o trabalho pesado ou modelos de entrada.
Até mesmo o segmento de hatch compactos, que ainda preserva o câmbio manual pelo preço, deve ver essa opção sumir em breve. As transmissões automáticas oferecem mais conforto e, em muitos casos, melhor eficiência energética para atender às normas de emissões. O pedal de embreagem está se tornando um item exclusivo de modelos entusiastas ou esportivos.
Qual outro tipo de carro você acredita que esteja desaparecendo? Conte nos comentários.


