O Torque e potência trabalham juntos, mas não são a mesma coisa. Um é força bruta. O outro é a velocidade com que essa força é usada. O Auto+ vai explicar como essas forças trabalham juntas em um carro.
O que é torque na prática
O torque é, basicamente, a força de giro, ou seja, a força que faz algo rodar. O conceito existe desde a época de Arquimedes, lá na Grécia Antiga, quando ele estudou o princípio da alavanca. Mas o termo técnico torque só passou a ser usado oficialmente na engenharia em 1884, com James Thomson.
No carro, o torque nasce dentro do motor. No caso de um motor a combustão, o pistão desce com a explosão do combustível e empurra o virabrequim. Esse empurrão é o torque. É ele que começa todo o movimento do carro e sem torque, o carro não sai do lugar.

Vamos pensar da seguinte forma: você tenta soltar um parafuso muito apertado com uma chave pequena e não consegue. Ao pegar uma chave maior, com braço mais longo, fica fácil. O que mudou? A alavanca. Você aumentou o torque. No carro é igual. Quanto maior o torque disponível, mais força o motor tem para empurrar o veículo.
É por isso que os caminhões têm muito torque, pois eles precisam mover toneladas. As picapes a diesel seguem a mesma lógica, com força forte em baixa rotação para carregar peso e subir rampas. Já os carros elétricos também têm muito torque, mas de um jeito diferente.

Eles não têm pistões nem explosão de combustível. Nesse caso, eles funcionam com campos magnéticos. Quando você pisa no acelerador, a corrente elétrica gera um campo magnético que faz o motor girar imediatamente, e por isso não existe espera pela combustão.
O torque máximo aparece praticamente desde zero rpm. É aquela sensação de empurrão imediato assim que você encosta no acelerador. Ou seja, o elétrico não precisa subir giro para acordar, ele já entrega força total na hora.

Agora um ponto importante: o torque não significa que o carro é rápido, mas sim que ele é forte. A velocidade vem depois, com a rotação e potência. Mas sem torque, não existe base para nada.
Se potência é o quanto o motor consegue correr, torque é o quanto ele consegue empurrar, e por isso, ele é o mais importante quando falamos em ultrapassagens curta, subida na garagem e até na cidade, quando precisa sair de algum cenário de força curta.
O que é potência

Já a potência é a rapidez com que o trabalho acontece. É o quanto rápido o motor consegue transformar força em movimento. Em termos técnicos, a potência é o resultado do torque multiplicado pela rotação do motor. Ou seja, potência = torque × RPM.
Isso quer dizer que o motor não cria cavalos sozinho. Ele gera torque. A potência aparece quando esse torque está sendo aplicado em determinada velocidade de giro.

Se o torque é a força bruta que empurra o carro, a potência é a velocidade dessa força. É ela que permite que o carro continue acelerando depois da arrancada.
Agora vamos pensar da seguinte maneira: não adianta ter muita força se ela é aplicada devagar. Também não adianta girar muito rápido se não existe força suficiente. A potência nasce justamente da combinação dessas duas coisas, força e rotação trabalhando juntas.

Na prática, é a potência que determina a velocidade final do carro. Por isso, carros esportivos costumam ter a potência máxima em giros altos, enquanto motores voltados para trabalho pesado priorizam torque em rotações mais baixas.
Quando olhamos a ficha técnica e vê um número alto de cavalos, aquilo está dizendo o quanto rápido aquele motor consegue aplicar sua força. É a capacidade de continuar acelerando forte lá em cima, depois que o torque já fez o carro sair do lugar.
A diferença entre os dois

Bom, agora vamos para a diferença: o torque tira o carro do lugar. Já a potência mantém o carro andando rápido. No caso do torque, ele atua mais nas baixas rotações. Já a potência aparece nas altas rotações.
É legal vermos isso em exemplos. Por exemplo, um caminhão tem torque absurdo, mas não tem muitos cavalos comparado a um superesportivo. Já uma moto esportiva pode ter pouco torque, mas muita potência porque gira altíssimo.

Por isso existe aquela frase antiga: torque ganha corrida, potência vende carro. Ela não é totalmente técnica, mas ajuda a entender o papel de cada um.
De onde surgiu o cavalo
Potência tem pai e sobrenome. Quem criou o conceito de horsepower foi James Watt, engenheiro escocês, por volta de 1782. Ele precisava vender máquinas a vapor para donos de minas que usavam cavalos para puxar carga.

Então ele observou quanto trabalho um cavalo conseguia fazer e criou uma unidade que o mercado entendesse. Basicamente disse que sua máquina substituía X cavalos. Ele calculou que um cavalo conseguia levantar 75 kg a 1 metro de altura em 1 segundo (na adaptação métrica posterior). Por isso usamos isso até hoje.
HP, CV, Nm e kgfm. Por que tanta sigla?
Aqui entra a confusão cultural. HP significa horsepower. CV significa cavalo-vapor. Os dois medem potência, mas vêm de sistemas diferentes. HP usa o sistema imperial, baseado em libras e pés. CV usa o sistema métrico.
- 1 HP ≈ 745,7 watts
- 1 CV ≈ 735,5 watts
O HP é um pouco mais forte que o CV. 1 HP ≈ 1,014 CV. Por isso um carro com 100 HP tem cerca de 101,4 CV. Em termos de países, Brasil e Europa usam CV. Já EUA e Reino Unido usam HP.

Já Nm e kgfm medem torque. Nm significa Newton-metro. É a unidade oficial do Sistema Internacional. Já kgfm significa quilograma-força metro. É uma unidade mais antiga e usada no Brasil.
- 1 kgfm ≈ 9,8 Nm
Para transformar kgfm em Nm, basta multiplicar por quase 10. O mundo técnico usa Nm. O Brasil usa kgfm porque é mais intuitivo para o consumidor.
Você sabia de tudo isso? Deixe seu comentário!
![Chevrolet Camaro SS Conversível [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Chevrolet-Camaro-SS-Conversível-21_edited-1200x720.jpg)



