Inegavelmente, a Toyota sabe como aproveitar os nichos de mercado em cada canto do mundo usando um nome estabelecido para oferecer produtos distintos. Embora o Toyota Yaris Cross já tenha sacudido o mercado brasileiro após sua estreia, muitos motoristas ainda não sabem que a marca japonesa produz dois carros completamente diferentes sob o mesmo nome. Ambos disputam o concorrido segmento de SUVs de entrada, contudo, as semelhanças param no logotipo da grade frontal.
O modelo sofisticado que ficou para os países ricos
O Toyota Yaris Cross identificado pelo código interno XP210 representa a visão da marca para mercados como Japão e Europa. Certamente, ele pode receber o rótulo de SUV subcompacto, visto que deriva diretamente do Yaris hatch europeu e compartilha até as mesmas portas laterais. O efeito visual é semelhante ao que a Fiat fez com o Pulse em relação ao Argo ou a Renault com o Kardian sobre o Sandero.
Em termos de dimensões, o XP210 foca na agilidade urbana, mas sua concepção tem alto custo de produção. Ele possui 4,18 m de comprimento e utiliza a plataforma sofisticada TNGA-B. Sob o capô, a Toyota instalou apenas motores 1.5 de três cilindros, tanto na versão aspirada de 118 cv quanto na variante híbrida (HEV) de 116 cv. Além disso, os europeus contam com a sofisticação da tração 4×4 opcional e um interior que utiliza o volante do icônico GR Corolla.
A estratégia para o mercado brasileiro
Enquanto o SUV para países desenvolvidos surgiu em 2020, a Toyota desenvolveu uma variante específica para países emergentes, batizada internamente de AC200. Revelado na Indonésia em 2023, este foi o projeto escolhido para o Brasil. A decisão da fabricante ocorreu por um motivo simples e pragmático: o custo reduzido de produção aliado a um porte significativamente maior, algo que o brasileiro valoriza muito mais do que plataformas refinadas.
Nesse sentido, o Yaris Cross nacional utiliza a base DNGA-B, uma versão simplificada da arquitetura global da marca, com desenvolvimento liderado pela subsidiária Daihatsu. O resultado é um SUV consideravelmente maior, com 4,31 m de comprimento e 2,62 m de entre-eixos. Diferente do primo rico de três cilindros, o nosso modelo utiliza um motor 1.5 de quatro cilindros, que entrega 122 cv na versão flex e 111 cv no conjunto híbrido.
Design e convivência interna
Visualmente, os dois carros seguem escolas de design opostas. O Yaris Cross europeu parece uma versão aventureira e musculosa de um hatch, com faróis altos e colunas pretas que criam o efeito de teto flutuante. Por outro lado, o modelo brasileiro abandonou a estética de hatch alto para parecer um mini-Highlander. A dianteira apresenta uma grade trapezoidal agressiva e faróis afilados, enquanto a traseira ostenta lanternas que invadem a tampa do porta-malas.


Ademais, o interior do modelo brasileiro, consegue parecer mais moderno que o japonês graças às linhas horizontais e ao painel parcialmente digital. Todavia, a Toyota manteve o bom acabamento nos dois modelos, cheio de lugares macios. O câmbio CVT é padrão em ambos os mercados, embora o modelo tailandês conte com uma opção manual de cinco marchas para as versões de entrada, enquanto o europeu oferece seis velocidades. No Brasil, só automático.
Afinal, a Toyota seguiu a lógica de mercado ao nos entregar o modelo maior e menos refinado, provando que o tamanho da carroceria ainda dita as regras por aqui.
Qual das duas versões do Yaris Cross você prefere ter na garagem? Conte sua opinião nos comentários.



