A Toyota e a Suzuki têm uma parceria pouco comentada que, na prática, colocou um RAV4 com outro nome nas ruas. O Suzuki Across nasceu dessa parceria e virou uma peça-chave na estratégia global das duas fabricantes japonesas e ainda se transformou em dois carros diferentes dependendo do mercado.
Toyota resolve a eletrificação e Suzuki escapa das multas
Em 2019, Toyota e Suzuki fecharam uma aliança de capital e compraram a participação uma na outra e passaram a compartilhar tecnologia, custos e projetos.
Enquanto a Toyota domina a eletrificação, especialmente híbridos, a Suzuki é forte em carros compactos que é a grande frota na Índia devido aos incentivos fiscais concedidos em 2006 às montadoras para veículos menores de 4 metros de comprimento.

Com isso, cada uma cobre a fraqueza da outra, reduzindo custos e acelerando o desenvolvimento. Na Europa, a Suzuki precisava reduzir emissões rapidamente e não tinha tecnologia híbrida avançada, então passou a usar sistemas da Toyota.
Já em mercados emergentes, como a própria Índia acontece o contrário, a Toyota vende carros da Suzuki com outro nome e menores, como acontece com modelos derivados do Baleno e do Vitara Brezza.
É um RAV4 mesmo, só mudaram o nome e pronto

Foi assim que surgiu o Suzuki Across em julho de 2020, o primeiro fruto direto dessa parceria na Europa. E ele não esconde a origem, porque é basicamente um Toyota RAV4 híbrido plug-in, o mesmo que foi vendido pouquíssimo tempo aqui no Brasil por R$ 399.990, só mudando a dianteira.
Debaixo do capô, o conjunto é exatamente o mesmo dpo RAV4, que inclusive conhecemos aqui em terras tupiniquins. O Across combina um motor 2.5 a gasolina de cerca de 185 cv com dois motores elétricos (um dianteiro e outro traseiro), formando um sistema híbrido plug-in com 306 cv ligado a bateria de 18,1 kWh.

Em dimensões, ele é 3 cm maior em comprimento que o RAV4, com 4,63 m, 1,85 m de largura, 1,69 m de altura e 2,69 m de entre-eixos. O porta-malas tem 490 litros.
Tecnologia de Toyota, mas com logo da Suzuki
Por dentro, o Across segue a mesma lógica, porque entrega o pacote completo da Toyota. O painel digital pode chegar a 12,3 polegadas, enquanto a central multimídia vai até 12,9 polegadas, com conexão sem fio para Apple CarPlay e Android Auto.

O conjunto ainda oferece ar-condicionado digital de duas zonas, carregamento por indução, além dos assistentes de condução.
O mesmo nome, dois carros completamente diferentes
Só que a história do Across não ficou presa nesse modelo. A partir de dezembro de 2025, começaram a surgir as primeiras informações de uma nova geração com proposta totalmente diferente, baseada no projeto indiano Victoris.

Em 2026, a Suzuki oficializou essa nova fase, com um Across compacto de 4,36 m de comprimento e 2,60 m de entre-eixos, produzido na Índia e voltado para exportação global.
O motor também acompanha essa proposta, com o 1.5 semi-híbrido de 12V, como os carros da Stellantis, com cerca de 103 cv. Seria justamente esse carro um modelo interessante para o Brasil se a Suzuki acertasse no preço.
Um carro global com estratégia dividida pelo mundo

A versão híbrida plug-in da Suzuki é pensada para a Europa, em países com regras rígidas de emissão, como Alemanha, França, Itália e Reino Unido. Já o modelo compacto ganha o mundo a partir da Índia, sendo exportado para África, Oriente Médio e América Latina. Ele já apareceu em mercados como África do Sul, Arábia Saudita e até nas Ilhas Seychelles, além de ter sido confirmado na Argentina.
Você compraria um RAV4 com outro nome sabendo que, no fundo, é praticamente o mesmo carro? Fala para gente nos comentários!



