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Coeficiente aerodinâmico do carro explica consumo e até autonomia de elétricos

Número mostra o quanto um carro enfrenta resistência do ar, portanto ele influencia diretamente consumo de energia, eficiência e autonomia

7 min de leitura

O coeficiente aerodinâmico dos carros, conhecido como CX ou CD (drag coefficient), quer dizer o quanto o veículo resiste ao movimento através do ar. Em outras palavras, ele mede o arrasto aerodinâmico, que é a força de atrito que o ar exerce contra a carroceria enquanto o carro se move.

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Esse valor não possui unidade de medida, pois é um número adimensional. Quanto menor for o CX, mais fácil o carro atravessa o ar. Consequentemente, o motor precisa fazer menos esforço para manter o veículo em movimento.

Hoje, a maioria dos carros modernos apresenta coeficiente aerodinâmico próximo de 0,30. Já modelos muito eficientes podem chegar a 0,21 ou 0,28, o que significa que eles cortam o ar com mais facilidade. Só por curiosidade, a Fórmula 1 trabalha o cx em 0,70. 

O que acontece quando você tira o pé do acelerador

Coeficiente aerodinâmico do Fiat Pulse
Fiat Pulse [Auto+/Luiz Forelli]

A aerodinâmica fica mais fácil de entender em uma situação comum no dia a dia. Quando o motorista tira o pé do acelerador, o carro entra em modo de inércia.

Nesse momento o motor deixa de enviar força para as rodas, porém o veículo continua em movimento por causa da energia cinética acumulada. É como se o carro estivesse surfando no fluxo de ar. Enquanto isso acontece, duas forças começam a desacelerar o carro.

BMW i8 prata em movimento
BMW i8 [Divulgação]

Primeiro aparece o arrasto do ar, que empurra a carroceria na direção contrária ao movimento. Depois surge a resistência ao rolamento, causada pelo contato dos pneus com o asfalto.

Se o carro tiver um CX baixo, ele atravessa o ar com mais facilidade, portanto perde velocidade mais lentamente quando o motorista solta o acelerador.

Por que isso influencia o consumo de energia

Honda Civic Type R [Divulgação]

A aerodinâmica não mede o consumo diretamente, porém ela influencia quanto de energia o carro precisa para se mover. Por isso, na estrada, fazemos números melhores que o Inmetro normalmente, pois o instituto faz os testes em laboratório, enquanto o fluxo de ar influencia isso no final das contas. 

Em contrapartida, quanto maior for a resistência do ar, mais força o motor precisa gerar para manter a velocidade. Como consequência, o carro gasta mais combustível ou eletricidade.

Honda Accord 2026 estático na cor preta para avaliação
Honda Accord 2026 [Auto+/Luiz Forelli]

Por isso esse efeito aumenta muito em velocidades mais altas. Na estrada, por exemplo, a resistência do ar passa a ser uma das principais forças que o carro precisa vencer. Por isso, melhorar o coeficiente aerodinâmico ajuda a reduzir o consumo e aumentar a eficiência energética.

A relação com carros elétricos e híbridos

Nos carros elétricos e híbridos, a aerodinâmica ganha ainda mais importância. Como esses veículos dependem de baterias, qualquer ganho de eficiência pode significar mais quilômetros de autonomia. Nos carros elétricos o consumo costuma aparecer em kWh por 100 km, indicando quantos quilowatts-hora o carro precisa para percorrer essa distância. 

Porsche Macan Turbo [Auto+ / João Brigato]

Os motores elétricos também são mais eficientes, em média, eles conseguem transformar grande parte da energia em movimento, enquanto motores a combustão perdem muita energia em forma de calor. Por isso, melhorar o coeficiente aerodinâmico ajuda os elétricos a aproveitar melhor a energia disponível na bateria.

O efeito do sistema One Pedal

Muitos carros elétricos e híbridos possuem o chamado sistema One Pedal. Quando o motorista tira o pé do acelerador, o motor elétrico passa a funcionar como um gerador. Nesse momento ocorre a frenagem regenerativa, que desacelera o carro e ao mesmo tempo recarrega a bateria.

GWM Ora 03 GT estático cinza fosco
GWM Ora 03 GT [Auto+/Luiz Forelli]

Esse sistema recupera energia, porém ele também reduz a inércia do veículo. Ou seja, o carro desacelera mais rápido e deixa de deslizar livremente pelo ar. Por isso algumas montadoras sugerem reduzir ou desativar o One Pedal em determinadas situações, principalmente em rodovias, permitindo que o carro continue se movendo por mais tempo apenas com a aerodinâmica.

Como engenheiros reduzem o coeficiente aerodinâmico

Para diminuir o arrasto do ar, engenheiros e designers passam muitas horas analisando o fluxo de ar ao redor do carro. Grande parte desse trabalho acontece em túneis de vento, onde especialistas simulam o deslocamento do ar pela carroceria.

Volkswagen Nivus GTS {Divulgação]

Com base nesses testes surgem várias soluções aerodinâmicas, como as entradas de ar no para-choque que ajudam a direcionar o fluxo, algo, que por exemplo, aconteceu recentemente na reestilização do Volkswagen Nivus

Já os aerofólios controlam turbulências, as rodas com desenho fechado reduzem a resistência. Além disso, algumas marcas adotam maçanetas embutidas na carroceria, justamente para melhorar a passagem do ar. Quanto mais suave for o fluxo de ar ao redor do carro, menor será o coeficiente aerodinâmico.

Um exemplo histórico

Chevrolet Calibra [divulgação]

Um dos carros mais famosos quando o assunto é aerodinâmica foi o Chevrolet Calibra. Produzido entre 1989 e 1997, o cupê esportivo se tornou referência por apresentar coeficiente aerodinâmico de 0,26, um número extremamente baixo para a época.

O modelo chegou ao Brasil nos anos 1990 com motor 2.0 de cerca de 150 cv, além de velocidade máxima superior a 250 km/h. Mais do que desempenho, o Calibra ficou conhecido pela carroceria extremamente eficiente ao cortar o vento.

Outros fatores que influenciam a eficiência do carro

Leapmotor C10 [divulgação] SUV Stellantis
Leapmotor C10 [divulgação]

A aerodinâmica é um dos principais fatores que determinam a eficiência energética de um veículo, porém ela não atua sozinha. A chamada resistência ao rolamento também interfere no consumo.

Os pneus geram atrito constante com o asfalto, enquanto o peso do conjunto roda e pneu aumenta o esforço necessário para deixar o carro em movimento. Rolamentos de roda, pequenas forças residuais de frenagem e até o funcionamento da transmissão também geram perdas de energia.

Renault Koleos Full Hybrid e-Tech Esprit Apline [Divulgação]

Dentro da caixa de câmbio, por exemplo, engrenagens giram mergulhadas em óleo. Quando esse óleo está frio, ele se torna mais viscoso e cria mais resistência mecânica. O mesmo acontece com sistemas de tração integral, que possuem componentes adicionais como cardã, diferencial extra e caixa de transferência.

A aerodinâmica é algo extremamente importante

À medida que os carros evoluem, a eficiência energética passa a ser uma prioridade para a indústria automotiva, especialmente tratando-se de carros elétricos e até híbridos, que cada km conta.  

Motor do Volkswagen Jetta GLI 350 TSI
Volkswagen Jetta GLI 350 TSI [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Reduzir o coeficiente aerodinâmico permite que o veículo se mova com menos resistência do ar. Como resultado, o motor precisa gerar menos força, o consumo diminui e a autonomia aumenta.

E você, já tinha percebido como o formato da carroceria pode influenciar no consumo e até na autonomia de um carro? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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