No ciclo normal de vida de um carro, a chegada de uma nova geração decreta a aposentadoria do modelo antigo. No máximo, o veterano sobrevive por pouco tempo como uma opção de baixo custo. Mas o Brasil sempre gosta de desafiar a lógica global, e o Hyundai Tucson é a prova viva disso. Por aqui, a marca coreana conseguiu a proeza de manter três gerações do SUV à venda simultaneamente.
O Tucson foi o grande sonho da classe média nos anos 2000, posto que hoje pertence ao Jeep Compass e ao Toyota Corolla Cross. Ao lado do Chevrolet Captiva, ele mostrou que o brasileiro desejava um SUV médio espaçoso e com status superior aos modelos compactos que começavam a dominar as ruas.
O “Santa Fezinho” que não queria morrer
A primeira geração do Hyundai Tucson desembarcou no Brasil em 2005, ainda como importado da Coreia do Sul. A produção foi nacionalizada em 2009 pela CAOA em Anápolis (GO). O fato mais impressionante é que ele seguiu em linha até 2018 sem mudar praticamente um parafuso. Outra bizarrice da época: ele era oferecido quase exclusivamente nas cores prata, preto e dourado, com pouquíssimas unidades brancas rodando por aí.
Enquanto no Brasil ele era um sucesso de sobrevivência, no exterior a história era outra. A produção sul-coreana encerrou em 2009. Curiosamente, o Japão foi o único mercado a mudar o nome do modelo para Hyundai JM, enquanto a China esticou a vida do SUV com uma reestilização visual bastante polêmica.

ix35: o Tucson com crise de identidade
A segunda geração apareceu no Brasil em 2010 batizada como Hyundai ix35. A estratégia de mudar o nome serviu para padronizar o lineup europeu, enquanto os Estados Unidos mantiveram o nome original. Por aqui, a mudança de batismo foi providencial: como o salto tecnológico entre as gerações era absurdo, a CAOA conseguiu posicionar o ix35 como um produto premium acima do Tucson velho de guerra.
Assim como o antecessor, o ix35 começou importado e foi nacionalizado em 2013. Isso significa que, entre 2013 e 2018, a fábrica de Goiás produzia as duas gerações do Tucson ao mesmo tempo, dividindo a linha de montagem e o showroom das concessionárias.

O trio de Anápolis e o apelido New Tucson
A confusão atingiu o ápice em 2015, quando a Hyundai decidiu voltar a usar o nome global para a terceira geração do SUV médio. Para não confundir o cliente (ou tentar não confundir), a marca adotou o apelido New Tucson. Com isso, o mercado brasileiro oferecia o Tucson original como entrada, o ix35 como intermediário e o New Tucson no topo da gama.
O feito histórico aconteceu entre 2016 e 2019: a planta de Anápolis fabricava as três gerações do Tucson simultaneamente sob o mesmo teto. O modelo mais moderno foi reestilizado em 2018 no exterior, mas por aqui o visual antigo resistiu até 2022 convivendo com o ix35. Com a mudança na parceria entre CAOA e Hyundai, o Tucson deixou de ser produzido no Brasil, aguardando a vinda da quarta geração que já roda há anos lá fora.

Você já teve algum dos três Tucson produzidos em Goiás ou acha que a marca exagerou ao manter o modelo jurássico em linha por tanto tempo? Escreva nos comentários.


