A BMW nos últimos anos vem focando na sua linha global em SUVs, ainda mais no Brasil, país que desvalorizou o segmento de hatches e peruas. Ainda assim, o Série 1 sobrevive forte na Europa e agora retorna ao mercado brasileiro por R$ 459.950, depois de dois anos de ausência.
A briga concentra com o Volkswagen Golf GTI, que parte de R$ 430.445, além de enfrentar os japoneses Honda Civic Type R por R$ 430.500 e Toyota GR Corolla por R$ 461.990. Querendo ou não, também cruza caminho com os modelos premium como o Audi A3 Sportback de R$ 374.990 e, no topo da categoria, o Mercedes-AMG A45 S por R$ 633.990. O novo Série 1 tenta se posicionar exatamente no meio desse cenário.
A história do Série 1 no Brasil
O Série 1 sempre teve presença relevante por aqui. A primeira geração, conhecida internamente como E81, E82, E87 e E88, foi vendida entre 2004 e 2012. Na época, oferecia motor 2.0 aspirado de 136 cv e 150 cv, além do 3.0 turbo de seis cilindros no 135i Coupé.

Em 2012 chegou a segunda geração, código F20. Os motores turbo passaram a equipar todas as versões. A 116i tinha 1.6 turbo de 136 cv, a 118i entregava 170 cv com o mesmo motor, enquanto a 120i nacionalizada a partir de 2015 adotava 2.0 turbo flex de 184 cv. Parte da produção ocorreu em Araquari (SC) em regime CKD.
No topo estavam as M135i e M140i, ambas com seis cilindros turbo que geravam 320 cv e 45,9 kgfm e 340 cv e 51 kgfm, respectivamente. Eles foram até hoje os Série 1 mais potentes à venda em nosso mercado.

A terceira geração, de código F40, chegou ao Brasil em 2019. Inicialmente trouxe a 118i Sport com motor 1.5 turbo. Em 2020 desembarcou a M135i xDrive com 2.0 turbo de 306 cv e 45,9 kgfm. Essa versão saiu de linha em 2022.
Depois disso, apenas a 118i permaneceu até o fim de 2024, com 140 cv e 22,4 kgfm, 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e proposta mais comportada. Com vendas modestas e a estratégia voltada aos SUVs, o hatch saiu de cena, até agora.
Quarta geração F70 estreia no Brasil

Apresentada na Europa em 2024, a quarta geração do Série 1, código F70, acaba de chegar ao Brasil como o primeiro lançamento da BMW no país neste novo ciclo.
Ele mantém a plataforma UKL2 da geração anterior, mas cresceu ligeiramente. Agora mede 4,36 metros de comprimento (42 mm a mais que o F40). A altura passou para 1,46 m (25 mm adicionais). A largura é de 1,80 m e o entre-eixos segue com 2,67 m. O porta-malas oferece 380 litros, um número muito competitivo para um hatch médio e que o coloca entre os maiores da categoria no Brasil.
Motorização

Na Europa, o Série 1 tem versões 116 com 1.5 turbo de três cilindros e 122 cv, 120 com 1.5 turbo semi-híbrido de 48V e 170 cv, além da 123 xDrive com 2.0 turbo de 218 cv. A M135 xDrive europeia entrega 300 cv.
No Brasil, o cenário é diferente. O M135 xDrive utiliza o motor 2.0 turbo, o mesmo conjunto presente em modelos como Mini Cooper S 2.0, Countryman e BMW 235. Aqui ele rende 317 cv a 5.750 rpm e 40,8 kgfm a 2.000 rpm. O câmbio é automatizado de dupla embreagem com sete marchas. O 0 a 100 km/h ocorre em 4,9 segundos e a velocidade máxima é de 250 km/h.

Diferentemente da última configuração mais comportada de tração traseira, o M135 xDrive traz tração integral, como acontecia com o modelo vendido até 2022. Esse vale destacar porque coloca o BMW em posição estratégica frente aos rivais, exceto ao A45 S.
Entre os premium, o Audi A3 Sportback tem o 2.0 turbo com 204 cv e 32,6 kgfm, 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. Está abaixo em desempenho e preço, por isso não compete diretamente em proposta. Já o Mercedes-AMG A45 S entrega 421 cv e 51 kgfm com 2.0 turbo e câmbio de oito marchas, acelerando até 100 km/h em 3,9 segundos. Contudo, custa muito mais, o que o posiciona em outro patamar.

Na prática, o principal rival direto é o Volkswagen Golf GTI. Ele usa o 2.0 turbo de 245 cv e 37,7 kgfm e acelera até 100 km/h em cerca de 6 segundos. Entretanto, há limitação de unidades e exigências na compra, o que restringe a disponibilidade.
Entre os manuais, o Honda Civic Type R oferece 297 cv e 42,8 kgfm, faz 0 a 100 km/h em 5,4 segundos. O Toyota GR Corolla entrega 304 cv e 37,7 kgfm, acelera em 5,5 segundos. Desta forma, o M135 xDrive se posiciona no meio do caminho entre o GTI e o A45 S.
Visual mais agressivo

O novo Série 1 traz identidade mais limpa e moderna. Os faróis ficaram mais afilados e elevados, com iluminação em LED de série. A tradicional grade duplo rim foi encurtada, mas continua com sua presença forte, além de ter iluminação no contorno chamado de BMW Iconic Glow, como aparece no X3.
Há grande entrada de ar inferior e novos para-choques com elementos em preto brilhante. O capô alongado e os balanços curtos reforçam a proposta esportiva. Já na traseira, as lanternas ganharam novo desenho curvado e invadem a tampa do porta-malas.

Agora são quatro saídas de escape, substituindo as duas anteriores. O para-choque mantém a barra preta característica do modelo e o conjunto tem ainda spoiler destacado. As rodas são de 19 polegadas.
Interior inédito no Série 1
Por dentro, o M135 xDrive adota a filosofia BMW Curved Display. O conjunto une painel digital de 10,25 polegadas e central multimídia de 10,7 polegadas sob uma mesma peça curva. Há Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

Os bancos são esportivos com logotipo iluminado. O volante M recebe marcação vermelha às 12 horas e paddle shifts atrás. O acabamento utiliza alumínio frisado e iluminação interna dinâmica.
Em conectividade, o modelo oferece BMW ConnectedDrive com chamada de emergência, telemetria para manutenção, navegação com trânsito em tempo real, portais de notícias e clima. A Digital Key Plus permite abrir e ligar o carro pelo smartphone.

Entre os principais itens estão, o novo 135 xDrive oferece o Park Assistant Plus, que auxilia ao estacionar, ar-condicionado automático de duas zonas, head-up display, teto solar, sistema de som Harman Kardon e chave presencial.
O novo BMW importado da Alemanha ganha também o Drive Assistant Professional com piloto automático adaptativo, assistente de faixa com centralização, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego com tráfego cruzado, entre outros. Vale lembrar que a geração anterior não oferecia pacote de assistentes tão completo.
Você encara quase R$ 460 mil em um hatch esportivo ou partiria para um SUV pelo mesmo valor? Deixe seu comentário!




