Enquanto no Brasil a Citroën segue uma estratégia voltada para carros de entrada dentro da Stellantis, na Europa o cenário é bem diferente. Foi lá que nasceu, em 2009, a divisão de luxo ligada à Citroën, que em 2014 virou independente, e em 2021 entrou dentro do grupo. A DS Automobiles hoje funciona separadamente da Citroën, mas tem sua ligação histórica, e agora começa a desenhar o futuro do seu modelo de entrada, o DS 3.
O DS 3 atual, lançado em 2018, já soma sete anos de mercado e está perto de uma renovação completa. Mas, ao contrário do que se esperaria, a DS não pretende simplesmente lançar um novo DS 3 encaixado ele em algum segmento tradicional como conhecemos, ou seja, hatch, sedan ou SUV. A DS quer criar uma nova, uma ideia bem mais ousada.
Um carro que não cabe em segmento prontos
O CEO da DS, Xavier Peugeot, deixou claro que a marca quer ir além dos rótulos clássicos. Segundo ele, ainda existe espaço para carros premium em qualquer porte, mas isso não significa seguir fórmulas prontas.

“Existe espaço para um carro premium nos segmentos pequeno, médio ou grande, mas acho que também devemos inventar novos segmentos, se for possível”, afirmou o executivo. “Há espaço nos diferentes segmentos para uma marca premium.”
Ou seja, essa fala sugere que o sucessor do DS 3 não deve ser simplesmente um hatch, nem exatamente um SUV compacto. A proposta é misturar conceitos, algo que a própria DS já vem fazendo em outros modelos da nova fase da marca.
A nova lógica da DS

Essa mudança de pensamento não começou agora. A própria diretora de produto da DS, Audrey Amar, explicou que o conceito tradicional de segmentação já não faz mais tanto sentido como antes.
“Quando você olha para os segmentos antigos, era muito claro. Havia hatch do segmento B, SUV do segmento B, hatch do segmento C, SUV do segmento C. Hoje isso já não é tão óbvio assim”, disse.

Ela cita como exemplo o DS N°4, que tem comprimento parecido com o Audi A3 e BMW Série 1, mas aposta em uma silhueta mais alta e inspiração de SUV. Já o novo DS N°8 vai ainda além, sendo tratado internamente como um sedã e SUV, sem se encaixar perfeitamente em nenhum dos dois mundos. “Estamos misturando os códigos de diferentes segmentos para criar novos conceitos”, disse Amar.
O novo DS 3
O atual DS 3 utiliza a plataforma CMP, a mesma base herdada do antigo grupo PSA e usada em diversos modelos do grupo aqui no Brasil, como o C3, Aircross e Basalt, além do Peugeot 208 e 2008 e o futuro Avenger.

Para a próxima geração, porém, a tendência é a migração para a nova arquitetura STLA Small, que nada mais é do que a evolução direta da CMP dentro da nova família global de plataformas da Stellantis. A diferença é que a STLA Small já foi pensada desde o início para eletrificação, sendo a base também de uma nova geração de carros elétricos do grupo.
A estratégia pode ser semelhante à da Peugeot com o 208 e o e-208. Isso quer dizer fazer um novo modelo totalmente elétrico sobre a STLA Small e, ao mesmo tempo, ter o mesmo carro com motor a combustão, apenas tendo leves atualizações de visual.

Outro detalhe importante é que o sucessor do DS 3 deve abandonar esse nome. Dentro da nova estratégia de nomenclatura da marca, ele passaria a se chamar DS N°3, seguindo o padrão dos outros modelos recentes.
Ainda não há data oficial de lançamento, nem protótipos flagrados em testes. Mas considerando que Opel Corsa e o 208 de nova geração vão chegar em 2026 e que o DS 3 atual está há sete anos no mercado, é esperado ter novidades em breve do modelo.
O DS 3 que o Brasil conheceu

Vale lembrar que, muito antes de virar um SUV compacto premium na Europa, o DS 3 passou bons tempos no Brasil. Entre 2012 e 2017, ele foi vendido por aqui como um hatch esportivo importado da França, equipado com motor 1.6 turbo THP de 165 cv e 24,5 kgfm de torque.
Além de ser pequeno, rápido e com muita personalidade, o hatch é considerado um dos carros mais legais da marca por aqui, que veio para competir com Audi A1, Mini Cooper e Volkswagen Fusca.

Hoje, com a Citroën posicionada como marca de entrada no Brasil e a DS completamente ausente do nosso mercado, esse novo DS N°3 dificilmente daria as caras por aqui.
Acha que a DS faz certo de querer encaixar um carro em um segmento misturado? Deixe seu comentário!



