A Fiat está estudando uma solução para seus carros compactos na Europa com a proposta de limitar a velocidade máxima desses modelos para eliminar parte dos sistemas avançados de segurança (ADAS) exigidos atualmente. Segundo a marca, esses recursos encarecem demais veículos pensados quase exclusivamente para uso urbano.
De acordo com a Autocar, o CEO da Fiat, Olivier François, afirmou em entrevista que aceitaria limitar a velocidade máxima de carros como o Fiat 500, o Fiat Panda e o Fiat Grande Panda a 117 km/h. O objetivo seria retirar desses modelos o ADAS, que hoje encarecem demais os carros compactos vendidos na Europa.
Legislação sem pensar em carros urbanos
O pano de fundo dessa discussão está no Regulamento Geral de Segurança da União Europeia, o Regulation EU 2019/2144. Esse regulamento criou um calendário de implementação que passou a valer para novos tipos de veículos a partir de 6 de julho de 2022 e se tornou obrigatório para todos os carros novos vendidos no bloco europeu desde 7 de julho de 2024.

Na prática, isso significa que até os modelos mais simples precisam atender a uma série de exigências de segurança. Vale destacar que esse regulamento não obriga um pacote completo de ADAS no sentido mais avançado.
Por exemplo, ele não exige que os modelos venham com piloto automático adaptativo, assistente e centralização de faixa, entre outros. O que a legislação impõe é um conjunto específico de assistências, pensadas para reduzir acidentes, muitas delas de baixo a médio nível de automação.
O que a legislação obriga

O texto do regulamento lista como obrigatórios itens como frenagem automática de emergência, assistência inteligente de velocidade, assistente de permanência em faixa de emergência, alerta de sonolência e atenção do motorista, alerta de distração e sistemas de detecção de obstáculos em manobras de ré. São tecnologias que ajudam o condutor, mas não assumem o controle do carro.
Dentro desse cenário, aí que entra o ponto da Fiat. Do jeito que a legislação está hoje, apenas limitar a velocidade máxima de um carro não remove automaticamente a obrigação de oferecer esses sistemas. Para que a ideia faça sentido do ponto de vista legal, seria necessário criar uma nova categoria regulatória com exigências específicas para carros urbanos ou promover uma flexibilização formal das regras atuais.
Flexibilização

É justamente aí que entra o debate citado pela imprensa europeia. O setor discute a criação de categorias específicas para veículos pequenos e urbanos, reconhecendo que o peso regulatório está ficando caro demais para esse segmento.
No entanto, por enquanto, essa discussão ainda não se transformou em regra. Mas a União Europeia, no entanto, já estuda a criação de uma nova categoria específica para carros pequenos, ou seja, uma flexibilização.

Não há nada concreto ainda em vigor que permita cortar ADAS apenas com base na limitação de velocidade, o que torna a proposta da Fiat um sinal de alerta sobre os custos do que uma solução imediata. A proposta, por isso, não tem data para entrar em vigor e depende de discussões com autoridades regulatórias europeias.
O porquê de limitar
A teoria defendida por François é que esses sistemas foram pensados principalmente para melhorar a segurança em velocidades mais altas. Em carros pequenos, usados majoritariamente na cidade e em deslocamentos curtos, esse pacote perde relevância. Segundo ele, a obrigação de instalar sensores, câmeras e sistemas de leitura de placas acaba inflando o preço sem trazer um ganho proporcional para o consumidor.

Dentro dessa lógica, limitar a velocidade máxima a 117 km/h poderia enquadrar esses modelos em regras menos rígidas. Esse valor, inclusive, está muito próximo do limite legal médio nas estradas europeias. O executivo questiona por que carros urbanos precisam ser preparados para rodar bem acima da velocidade permitida, o que acaba exigindo uma carga maior de tecnologia embarcada.
“Tenho dificuldade em entender por que precisamos instalar todo esse hardware caro. Tudo isso contribuiu para aumentar o preço médio de um carro urbano em 60% nos últimos cinco ou seis anos. Não acho que os carros urbanos de 2018 ou 2019 sejam extremamente perigosos”, afirmou François.

François também comentou que nenhum desses modelos ultrapassa facilmente marcas muito altas de velocidade. O Grande Panda elétrico, por exemplo, já tem velocidade limitada a cerca de 132 km/h. Para ele, reduzir ainda mais esse teto não traria impacto real no uso diário, mas ajudaria a conter custos.
Vale lembrar que o Grande Panda é hoje o carro mais atual da Fiat. Lançado em 2024, ele já foi testado pelo Auto+. Além disso, o modelo serve como base conceitual para a próxima geração de carros da marca, inclusive no Brasil. É dele que vão nascer os futuros sucessores do Mobi e Argo, com chance de trazer até o nome Uno de volta.
Como funciona o ADAS

O sistema ADAS nasce devido a sigla Advanced Driver Assistance Systems. Na prática, o ADAS reúne tecnologias que auxiliam o motorista e aumentam a segurança, especialmente em situações de risco.
O nível 1 oferece recursos básicos, como frenagem automática de emergência ou alerta de mudança de faixa, mas sem interferir totalmente na condução. O nível 2 já permite ações combinadas, como controle de cruzeiro adaptativo com manutenção em faixa, embora o motorista ainda precise manter atenção total.

Já o nível 3 representa uma automação mais avançada, na qual o carro pode assumir a condução em situações específicas, com menor intervenção humana.
Você acha que faz sentido abrir mão de sistemas avançados de segurança em carros para reduzir preços? Deixe seu comentário!



