Quando pensamos em montadoras chinesas a primeira que vem à cabeça é a BYD. Não à toa, nos últimos anos a marca chinesa superou a gigante Tesla, foi a mais vendida chinesa globalmente e até superou a Ford, se tornando a 6ª maior montadora do mundo em 2025. No entanto, uma ameaça vem crescendo exponencialmente também: a Geely.
Depois de anos dominando o mercado de carros eletrificados, a BYD começou a perder força dentro da própria China, e enquanto isso, a Geely está crescendo cada vez mais, especialmente em 2026, com novos produtos, tecnologia e uma estratégia de mercado mais diversificada.
Esse resultado se deu nos números, em fevereiro de 2026, a Geely assumiu a liderança do mercado automotivo chinês em um momento em que a BYD enfrentou uma queda consideravelmente acentuada nas vendas domésticas.
A virada começou no fim de 2025

Para entender o que está acontecendo, vale voltarmos alguns meses no tempo. Em 2025, a BYD ainda terminou o ano como a maior montadora chinesa em volume global, com 4,6 milhões de veículos vendidos, um crescimento de 7,7% em relação a 2024. Mesmo assim, a segunda metade do ano já mostrava sinais de pressão competitiva.
A Geely, por outro lado, fechou 2025 com 4,1 milhões de veículos vendidos, um salto de 23,4% em relação ao ano anterior, impulsionado principalmente por novos modelos elétricos e híbridos.

No primeiro semestre de 2025, a BYD dominava o mercado chinês com folga. Porém, na segunda metade do ano a Geely começou a ganhar tração com lançamentos como a linha Galaxy e, principalmente, com o sucesso do Geely EX2, conhecido na China como Xingyuan.
Esse modelo acabou se tornando um fenômeno e, em 2025, ele ultrapassou 465 mil unidades vendidas, superando carros populares como o BYD Dolphin e até o Tesla Model Y em alguns momentos.
A virada da Geely contra a BYD
![BYD Dolphin Plus [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2024/02/BYD-Dolphin-Plus-12-1320x791.jpg)
O início de 2026 confirmou a mudança de cenário, pois no primeiro bimestre do ano, a Geely vendeu cerca de 476.327 veículos, enquanto a BYD registrou 400.241 unidades, dentro da China. A diferença foi de aproximadamente 76 mil carros, a maior vantagem entre as duas marcas desde 2022.
Em janeiro, a Geely já largou na frente, com cerca de 270 mil veículos vendidos, contra pouco mais de 200 mil da BYD. Já em fevereiro, a Geely aumentou a distância, com a BYD vendendo 190.190 e a Geely cerca de 206.000. Ou seja, uma queda de 35,7% da BYD no acumulado até o momento.

No entanto, um resultado curioso: pela primeira vez, a BYD vendeu mais carros fora da China do que dentro do próprio país. Em fevereiro, foram 100.151 veículos exportados, um salto de 41,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a Geely, também cresceu em 138% em exportações, cerca de 60.000 unidades, muito graças a Zeekr e a Polestar.
Por que a Geely ultrapassou a BYD
A liderança da Geely no início de 2026 não aconteceu do nada. Na prática, ela reflete uma mudança estrutural na forma como as duas empresas atuam. A principal diferença está na estratégia. A BYD aposta quase totalmente em carros eletrificados, com elétricos a bateria e híbridos plug-in. Já a Geely tem um portfólio muito mais amplo, com elétricos, híbridos e também modelos a combustão de alta eficiência.

E foi justamente essa diferença que se tornou muito crucial para a Geely. O governo chinês reduziu alguns incentivos para veículos 100% elétricos no final de 2025, pois após 15 anos de subsídios que somaram mais de US$ 230 bilhões, a China entendeu que o setor atingiu a maturidade e o mercado não precisa mais de sustento artificial e agora as montadoras devem se autorregular.
Desta forma, naturalmente, muitos consumidores voltaram a considerar híbridos ou até carros a gasolina, segmento em que a Geely continua forte. Ao mesmo tempo, a Geely investiu pesado em refinamento técnico, aproveitando o conhecimento de engenharia de suas marcas premium, como Volvo e Lotus.

Essa influência aparece diretamente nos produtos da marca com a plataforma SEA, por exemplo, usadas em vários modelos elétricos do grupo, que também oferecem uma melhor dinâmica de condução, maior eficiência energética e mais espaço interno.
Além disso, sistemas integrados chamados de arquitetura 11 em 1 permitem reunir motor, inversor, transmissão e outros componentes em um único conjunto compacto, reduzindo peso e melhorando desempenho.
O fenômeno Geely EX2
![Geely EX2 Pro [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/12/geely-ex-pro-10-1320x743.webp)
Entre todos os carros que ajudaram nessa virada, nenhum foi tão importante quanto o Geely EX2. Esse hatch elétrico foi projetado justamente para competir com o BYD Dolphin, oferecendo mais tecnologia e um preço menor que o rival.
Na China, o modelo ficou conhecido pela capacidade de recarga rápida. Ele pode passar de 30% para 80% de carga em cerca de 21 minutos, enquanto o Dolphin demora cerca de 30 minutos. O sucesso foi tão grande que o EX2 se transformou no carro elétrico mais vendido da China em 2025.
No Brasil, a Geely agora vai bem, mas começou mal

No Brasil, a rivalidade também começa a ganhar forma. A Geely voltou ao país em julho de 2025, iniciando sua nova fase com o EX5, um SUV elétrico. O modelo chegou como o primeiro SUV médio elétrico do mercado brasileiro, mas apesar de ser um carro tecnicamente interessante, seu preço é muito alto para a realidade do país, especialmente em um mercado sem maturidade elétrica.
Hoje, o EX5 custa R$ 205.800 na versão Pro e R$ 225.800 na configuração Max. Mesmo assim, a marca não demorou para reagir e, em novembro de 2025, a Geely lançou o EX2 no Brasil com uma estratégia muito mais agressiva.
A virada

A versão Pro custa R$ 123.800, enquanto a Max chega a R$ 136.800. O detalhe que chama a atenção é que o carro tem tamanho do BYD Dolphin, mas custa praticamente o mesmo que o Dolphin Mini. Devido a isso, os números de vendas da Geely foi impulsionada por aqui com o hatch e começou a funcionar.
No primeiro mês completo no mercado, em novembro de 2025, o Geely EX2 registrou 835 emplacamentos. No mesmo período, o BYD Dolphin fez 802 unidades, enquanto o Dolphin Mini liderou com 2.881 carros. Em dezembro, o EX2 cresceu ainda mais e alcançou 1.557 unidades, contra 2.347 do Dolphin e 3.889 do Dolphin Mini.
![BYD Dolphin [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2023/06/BYD-Dolphin-14-1200x720.jpg)
Assim, o modelo da Geely encerrou 2025 com 2.442 emplacamentos (teve poucas vendas registradas um pouco antes), um resultado bem relevante para um carro elétrico recém-lançado. No início de 2026, a Geely continuou o ritmo e, em janeiro, o EX2 registrou 1.124 unidades, enquanto o Dolphin fez 1.511 e o Dolphin Mini 2.840.
Falta de estoque em fevereiro fez EX2 despencar
Já em fevereiro trouxe uma queda nas vendas do EX2, que ficou em 193 unidades por falta de estoque, enquanto o Dolphin registrou 1.193 carros e o Dolphin Mini saltou para 4.874 emplacamentos, inclusive o carro mais vendido no varejo em fevereiro. Mesmo assim, para um elétrico recém-chegado ao mercado, os números mostram que o Geely EX2 conseguiu encontrar espaço.

Além disso, o Geely EX2 também chama atenção por ter uma configuração mais aprimorada que a família Dolphin. Ele utiliza tração traseira, algo incomum nesse segmento, e entrega 116 cv e 15,3 kgfm de torque. A bateria tem 39,4 kWh, garantindo autonomia de 289 km, segundo o Inmetro.
Outro ponto forte é a recarga rápida em corrente contínua, que chega a 70 kW. O BYD Dolphin, por sua vez, oferece na versão de entrada, que compete com o EX2, 95 cv, 18,3 kgfm de torque, bateria de 44,9 kWh e autonomia de 291 km, com recarga máxima de 60 kW. Já o Dolphin Mini utiliza um motor de 75 cv, bateria de 38 kWh e autonomia de 270 km, com recarga de até 40 kW.
A parceria com a Renault no Brasil

Outro fator que fortalece a Geely no Brasil também é sua parceria estratégica com a Renault. A marca chinesa adquiriu 26,4% da operação da Renault no país e passou a utilizar a infraestrutura da fabricante francesa.
Isso inclui a fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, onde a Geely vai montar veículos em regime CKD, recebendo peças da China e realizando a montagem local. O modelo já confirmado é o SUV EX5 híbrido plug-in, que competirá com o BYD Song Plus. GW, Haval H6, Jaecoo 7 e companhia. A expectativa é que o EX2 também seja montado no final do ano por lá, conforme apurou o site Autos Segredos.

Além disso, a meta da empresa é chegar a 40 concessionárias no Brasil até o fim de 2026, muitas delas ligadas aos mesmos grupos que já operam a rede Renault.
E você, acha que a Geely pode realmente ameaçar o domínio da BYD no mercado ou não passa de algo momentâneo? Deixe seu comentário!




