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Volkswagen fecha fábrica na Alemanha pela primeira vez em 88 anos

Encerramento da planta de Dresden mostra o impacto que a China faz, os custos europeus e a tentativa de reviravolta na estratégia do grupo

5 min de leitura

A Volkswagen vai fechar sua primeira fábrica na Alemanha desde que foi fundada, há 88 anos. A produção de veículos na planta de Dresden será encerrada definitivamente e vai marcar um momento simbólico e negativamente pesado para a atual maior montadora da Europa. Entretanto, tudo isso é um sinal claro do reflexo da crise global que a marca está envolvida. 

Crise escancarada

Segundo informações do Financial Times, a decisão da empresa acontece devido ao cenário complicado que a Volkswagen passa. São quedas fortes nas vendas na China, menos demanda na Europa e pressão adicional causada por tarifas nos Estados Unidos. 

Tudo isso apertou o fluxo de caixa do grupo justamente no momento em que a empresa precisa financiar uma reestruturação bilionária para sobreviver ao novo cenário que o setor enfrenta com as montadoras chinesas.

Volkswagen fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Desde 2024, a Volkswagen vem sofrendo no que sempre foi seu mercado de ouro — a China. O país, que hoje tem mais de 1,4 bilhão de habitantes e dezenas de milhões de carros vendidos por ano, deixou de ser um terreno confortável para marcas estrangeiras. 

Pressão grande na China

Montadoras locais como BYD, Geely, Chery, GWM, entre outras diversas, cresceram rápido, com carros mais baratos, extremamente tecnológicos e pensados sob medida para o consumidor chinês. Audi, Porsche, Mercedes e a própria Volkswagen perderam protagonismo, volume e margem.

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

A resposta veio em forma de choque de realidade. Sob o comando de Oliver Blume, a Volkswagen abandonou a ideia de crescimento agressivo e entrou em um processo de reestruturação global a partir de 2025. 

O Brasil, no caso, fica praticamente fora desse ajuste. Aqui, a marca segue bem posicionada e com estratégia clara para a América do Sul. O problema está na Europa, na China e em partes da Ásia, onde a competitividade despencou.

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Fechar Dresden é parte desse manejo. Mas seu protagonismo, curiosamente, é fraco comparado com outras plantas da marca espalhadas pelo Velho Continente. A fábrica, inaugurada em 2002, ou seja, passou por duas décadas, produziu menos de 200 mil carros.

Por comparação, esse número é inferior à metade do que a planta de Wolfsburg faz em um único ano. Mas ela tem algumas histórias interessantes. Por exemplo, ela foi  considerada vitrine tecnológica com o luxuoso Phaeton. Depois, virou símbolo da eletrificação ao montar o ID.3. No entanto, nenhum dos dois projetos entregou o retorno esperado.

Volkswagen fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Mais aperto

O fechamento da planta se soma a um pacote maior de cortes. A Volkswagen já tem um acordo com sindicatos para reduzir cerca de 35 mil postos de trabalho na Alemanha até 2030, principalmente por meio de aposentadorias parciais e desligamentos voluntários. Também estão em discussão cortes salariais de pelo menos 10%, congelamento de bônus em 2025 e 2026 e uma revisão geral dos investimentos.

O plano de aportes para os próximos cinco anos foi reduzido de 180 bilhões para 160 bilhões de euros. Ao mesmo tempo, a empresa admitiu algo que antes parecia proibido de se falar publicamente: os motores a combustão e os híbridos vão viver mais do que o previsto pelos planos, ainda mais com a indecisão da União Europeia sobre proibir os veículos que emitem emissão até 2035.

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Enquanto corta na Europa, a Volkswagen faz o movimento oposto na China. Lá, a estratégia agora é se adaptar completamente ao gosto local. Carros específicos para o mercado chinês, mais telas, softwares avançados, interfaces próprias e modelos que jamais serão vendidos na Europa. 

A marca chegou ao ponto de criar uma nova divisão chamada AUDI, escrita em letras maiúsculas, focada em carros maiores, mais luxuosos e alinhados ao que o consumidor chinês espera.

Volkswagen ID.3 fábrica de Dresden na Alemanha que fecha
Volkswagen fábrica de Dresden (ALE) [Divulgação]

Além disso, a Volkswagen firmou parcerias tecnológicas com empresas como Xpeng e JAC, inaugurou um centro de inovação em Hefei e acelerou o desenvolvimento local. A meta agora é diminuir em até 30% o tempo de criação de novos modelos e cortar os custos de produção em até 50%.

E todo esse contraste ajuda a explicar a decisão de Dresden. Produzir na Alemanha ficou caro demais. Energia, burocracia, custos trabalhistas e ritmo lento de desenvolvimento fazem a operação europeia menos competitiva frente ao que hoje se faz na China.

Volkswagen fábrica de logo estampado na fábrica na Alemanha
Volkswagen [Divulgação]

Mesmo com o fim da produção, a fábrica de Dresden não será totalmente abandonada. O espaço será alugado para a Universidade Técnica de Dresden, que vai instalar um centro de pesquisa voltado a inteligência artificial, robótica e semicondutores. 

A Volkswagen e a universidade prometem investir cerca de 50 milhões de euros ao longo de sete anos. A montadora também deixará o local como ponto de entrega de veículos e atração turística.

Você acha que outras montadoras europeias vão sofrer ao ponto de fechar fábricas como a Volkswagen? Deixe seu comentário!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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