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Ganha ou perde?

Carros chineses perdem valor ou são bons negócios?

A desvalorização de carros chineses é real? Realizamos um levantamento para comparar a Tabela Fipe com o mercado em 2026

4 min de leitura

Quando uma nova marca chega, o fator novidade inegavelmente aumenta a curiosidade dos consumidores. Gigantes como Chevrolet, Fiat, Ford e Volkswagen, ao lado das fabricantes japonesas, passaram a conviver com os carros chineses, que oferecem preços competitivos e tecnologias 100% elétricas ou híbridas.

Passado o entusiasmo inicial, a desvalorização de carros chineses tornou-se a principal dúvida de quem pretende entrar no segmento. O peso dos modelos da BYD e GWM no bolso do consumidor é questionado na hora da revenda. Sabendo disso, o Auto+ elaborou um levantamento com base na Tabela Fipe e no Webmotors para um tira-teima: afinal, eles seguram ou perdem valor no mercado de usados?

Carros chineses: o fenômeno BYD e a valorização dos elétricos

Muito antes da fábrica em Camaçari, na Bahia, a BYD (Build Your Dreams) já operava no Brasil com a montagem de chassis de ônibus elétricos. A partir de 2021, os horizontes foram abertos com os carros chineses Tan EV e o Han EV, mas a ofensiva iniciou de vez com o Song Plus DM-i, o Yuan Plus e, principalmente, o Dolphin.

O Dolphin popularizou a mobilidade elétrica entre os brasileiros ao oferecer preço acessível em um segmento antes dominado pelo mercado premium. O impacto desse modelo é tão agressivo que o mercado de usados pratica valores acima da referência oficial: o Dolphin GS (2023/2024) é tabelado pela Fipe em R$ 117.954, mas o valor médio nos anúncios atinge R$ 122.334.

Outro carro chinês, o irmão menor, Dolphin Mini, segue a mesma tendência de retenção. No mesmo ano-modelo, o compacto é registrado pela Fipe por R$ 99.905, mas os anúncios revelam uma pedida média de R$ 102.843. A eliminação das visitas aos postos de combustível e a alta demanda urbana fizeram o preço de ambos os modelos valorizar.

Ágio na Shark e estabilidade nos híbridos

A BYD Shark protagoniza o movimento mais curioso do levantamento. Embora a picape híbrida ainda enfrente a resistência do público picapeiro tradicional, o mercado pratica um ágio considerável. Enquanto a Tabela Fipe indica um valor de R$ 289.216 para o ano-modelo 2024/2025, a escassez de unidades elevam o preço médio anunciado para R$ 332.563. Ou seja, patamar de um modelo zero-quilômetro, que cobra R$ 344.990.

Carro chinês BYD Song Pro GS 2026 preto estático para avaliação
BYD Song Pro [Auto+/Luiz Forelli]

Essa força se estende aos SUVs da marca. O Song Plus e o Song Pro (2023/2024) são encontrados por R$ 169.300 e R$ 167.100, respectivamente, ambos posicionados acima de suas referências na Fipe.

Outro destaque em nosso mercado é o sedan BYD King. O modelo (ano-modelo 2024/2025), indicado para quem busca espaço interno e baixo consumo urbano, custa R$ 150.125 segundo a Tabela Fipe. Contudo, a pedida na maior parte dos anúncios é de R$ 150.959, confirmando que o três volumes também mantém o preço acima da média.

BYD King GS [Auto+ / João Brigato]
BYD King GS [Auto+ / João Brigato]

Indo para o segmento de luxo, o três volumes de luxo Han EV desafia a lógica de depreciação do segmento premium, sendo comercializado por R$ 303.213, ligeiramente acima da tabela.

Maturidade da GWM e o desempenho do Haval H6

A Great Wall Motors (GWM) desembarcou no Brasil em 2023 com a linha Haval H6, foco central desta pesquisa. O Haval H6 HEV (2023/2024) apresenta preço médio anunciado de R$ 176.186, mantendo-se em linha com a Fipe de R$ 175.937. Nota-se que a maioria dos exemplares à venda possui baixa quilômetragem, geralmente abaixo dos 50.000 km.

Na transição para a tecnologia híbrida plug-in, o Haval H6 PHEV34 demonstra maturidade ao manter um vigor incomum na revenda. Mesmo que o valor médio de R$ 200.498 apareça abaixo dos R$ 212.973 sugeridos pela Fipe, a depreciação é considerada baixa para um veículo deste porte. Diferente de rivais premium que frequentemente perdem 20% do valor no primeiro ano, o SUV chinês retém o capital do proprietário.

Já na carroceria SUV-Coupé, o Haval H6 GT tem preço médio no Webmotors de R$ 227.942, superando a tabela de R$ 224.385. Os dados consolidam que, tanto para BYD quanto para GWM, o estigma de desvalorização das marcas chinesas foi substituído por uma boa retenção de valor do mercado nacional.

E você, já aderiu à mobilidade dos carros chineses? Caso seja proprietário, compartilhe sua experiência nos comentários.


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2 comentários em “Carros chineses perdem valor ou são bons negócios?”

  1. Vinicius Serrano

    Pq não fala dos descontos que eles mesmos dão e jogam o preço do veículo lá pra baixo? O Seal deu desconto de 50k e o King, de 30k. E quem comprou com preço cheio, ficou como? Com um grande preju. Uma matéria mais completa mostraria que tem seus riscos, sim. Mas pra quem roda muito, vale a pena!

  2. João Antônio Lins

    Híbrido?
    Sim?
    Elétrico?
    Sem chance!

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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