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JAC E-JS4: um elétrico viável, mas cheio de pequenas falhas | Avaliação

Primeiro modelo da JAC melhorado pela Volkswagen, o SUV 100% elétrico E-JS4, ainda precisa de uma última lapidação antes de virar o jogo
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JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]

Antes de qualquer ponto a ser levantado é preciso entender algo importantíssimo: não existe um SUV elétrico no Brasil tão barato quando o E-JS4. Por R$ 259.900, o modelo movido a eletricidade custa a mesma coisa que muito SUV a combustão, como Ford Bronco Sport ou Peugeot 3008. Mas a condução alternativa tem seus custos.

Desde que a JAC passou a fazer parte do grupo Volkswagen, a marca alemã tem feito trabalhos intensos de engenharia em seus carros. As mudanças são nítidas e as melhorias também. Mas, o E-JS4 deixa claro que ainda não está naquele ponto de virada como o CAOA Chery Tiggo 8. Mas será que a eletrificação compensa e o torna mais atrativo?

Pisou, disparou

Frente aos seus rivais diretos em preço, o JAC E-JS4 tem a grande vantagem na propulsão elétrica. São 150 cv e 34,7 kgfm de torque – ou seja, mesma potência de um Volkswagen Taos, com torque 1 kgfm menor que o do Compass diesel. A diferença, no entanto, é que toda força está disponível em um pisão mais forte no acelerador.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Sem atraso, o SUV elétrico da JAC dispara sem a menor cerimônia. Tão forte, que chega a cantar pneu algumas vezes. Mas ele não é do tipo de elétrico que quebra pescoços como o Porsche Taycan ou até o Volvo XC40. Acelera muito bem, tanto que chega aos 100 km/h em 7,5 segundos, mas já é um lugar comum aos elétricos mais modernos.

O mais interessante é que, por não ter barulho, ele não parece estar indo tão rápido quanto de fato está. A JAC fez um bom trabalho de isolamento de vento, garantindo uma viagem tranquila na estrada. O único ruído percebido é o de rolagem dos pneus. O compósito mais duro dos Michelin 225/45 R17 é culpado por isso, mas também pela boa estabilidade.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Mas há uma questão bastante pertinente na condução do E-JS4. Apesar de bom de curva, ele detesta uma subida. O assistente de partida em rampa funciona com tamanho atraso que ele desce involuntariamente como um carro manual desgovernado. Demora alguns segundo para o creeping entrar em ação ou para o assistente entender que ele está em uma subida. Quando ele funciona.

Ai que começa

Um dos pontos em que a Volkswagen mais trabalhou no E-JS4 foi na suspensão. Ela agora é mais firminha e tem respostas melhores. O JAC ficou mais estável nas curvas e mais gostoso de ser conduzido próximo ao limite. A moleza típica dos carros chineses foi atenuada, mas ainda está um pouco distante do padrão europeu.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Contudo, o fato de ser um carro que não emite ruídos do motor fez com que as demais partes passem a ser fonte de barulho. E a suspensão traseira se tornou a vilã do E-JS4. Ela é barulhenta em superfície irregular ou buracos. Falta um isolamento acústico extra na região traseira, algo que foi feito na dianteira que trabalha silenciosa.

Já a direção, com assistência elétrica, poderia ser mais pesada. Ela é excessivamente leve o tempo todo. Para manobras é ótimo, mas como o torque do E-JS4 é forte e instantâneo, isso faz com que o volante sambe um pouco nas arrancadas. Um pouco mais de firmeza no conjunto permitiria uma dirigibilidade mais apurada.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
Há também outra questão pertinente. A JAC afirma que o E-JS4 roda 420 km com carga completa. O problema é que isso é medido no ciclo NDEC, que é mais generoso quanto aos quilômetros rodados. No próprio painel de instrumentos, o E-JS4 mostra que gasta mais quilômetros do que de fato anda.

Na prática, ele deve rodar cerca de 330 km com carga completa. Não arrisquei chegar até o limite da bateria pois, ao contrário de um carro a combustão, não é fácil fazer um elétrico voltar a andar depois da carga finalizada. Outro problema está no carregamento, que exige um adaptador para o padrão mais comum usado nos eletropostos brasileiros.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]

Padrão espaço

Na categoria dos SUVs médios, são poucos os modelos que batem o JAC E-JS4 (e seu irmão a combustão T60) no quesito espaço interno. Mesmo com o banco dianteiro em posição naturalmente alta, há muita área para a cabeça. O assento é grande, confortável e mesmo assim permite muito espaço para os que se sentam à frente.

Mas o destaque vai para a traseira. As pernas ficam tão folgadas quanto em um Nissan Versa, que é conhecido por seu espaço de limosine. Dá para cruzar as pernas mesmo se sentando atrás de um motorista alto. O encosto tem inclinação confortável e o teto panorâmico ajuda na sensação de amplitude.

Some isso ao grande porta-malas de 520 litros e entenderá porque esse JAC é imbatível no quesito espaço interno. O acabamento também é bem bom. Não está no nível do Jeep Compass, mas é superior ao do Volkswagen Taos e do Toyota Corolla Cross. Tem superfícies macias no painel e nas portas, que ajuda bastante na sensação de qualidade.

[Auto+ / João Brigato]
As telas usadas no painel de instrumentos e central multimídia tem ótima definição e uso facilitado. A central, contudo, costumeiramente trava ou fica com a tela totalmente preta ou ainda não funciona a sensibilidade ao toque. Tem Android Auto e Apple CarPlay com uso veloz e sem engasgos, no entanto.

Ele conta também com banco com regulagem elétrica, porém apenas para o assento, inexplicavelmente ausente para o encosto. Já o aquecimento dos bancos é feito por um bando de menus e sub-menus dentro da central multimídia. Outra mancada do E-JS4 está na manopla de câmbio rotativa que, vez ou outra, não entende o movimento de mudança das marchas.

Quem é ele?

Uma das grandes diversões de testar os carros de imprensa é ver a curiosidade das pessoas para com os carros na rua. E o JAC E-JS4 está entre os mais chamativos que testei recentemente. Não por fazer os pescoços na rua virarem, algo que os Porsche 911 Turbo S e Taycan, além do Jaguar I-Pace fizeram com mais frequência.

[Auto+ / João Brigato]
A real, é que esse SUV elétrico foi o que mais pessoas me abordaram na rua para perguntar se era bom. Boa parte desse excesso de atenção se deve ao chamativo visual do JAC E-JS4. A reestilização fez muito bem ao modelo, que ganhou frente mais reta e agressiva, com faróis de LED em L combinando com o filete cromado que ladeia as luzes principais no para-choque.

A grade frontal nem parece fechada, por conta da textura que a JAC inseriu. A lateral ainda parece bagunçada, com linhas em excesso e sem harmonia. Sem contar a linha dos vidros baixa, que da um certo ar de minivan. Já a traseira tem elegantes lanternas interligadas e porta-malas com apenas o logo da JAC. O resultado visual é bastante agradável e diferente.

[Auto+ / João Brigato]
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O que agradou a muitos também foi a quantidade de itens de série presentes. Ele tem ar-condicionado digital de uma zona, faróis full-LED, câmeras 360° (com definição ruim), controle de tração e estabilidade, teto solar panorâmico, faróis com ascendimento automático, chave presencial, monitoramento de pressão dos pneus e seis airbags.

Veredicto

Se você não considerar o JAC iEV40, que está mais para um hatch aventureiro, o E-JS4 é o SUV elétrico mais barato do Brasil. Pelo preço dele só é possível levar modelos como Renault Zoe e elétricos mais charmosos, porém menores e com autonomia restrita como Fiat 500e e Mini Cooper SE.

JAC E-JS4 [Auto+ / João Brigato]
A grande questão é que ele é baseado em um carro de R$ 139.990, o T60. Faltam mimos e um refinamento a mais pelo valor que ele cobra pensando no carro individualmente. Contudo, ao trazer o fato de que ele é elétrico, o jogo vira. Custo de rodagem é baixíssimo, a autonomia é boa e suficiente para viagens. Além disso, o E-JS4 ainda anda bem.

Pequenas falhas não tiram as qualidades do projeto, mas ainda falta uma mão a mais da Volkswagen para a lapidação final. Aqui a grande questão é potencial. Ele tem, mas falta apenas mais uma correção de pequenas falhas. Algo que a JAC já fez em relação ao antigo T60.

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João Brigato

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