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Moab é o Jeep Renegade definitivo? | Avaliação

Versão mais barata do Jeep Renegade com motor diesel e tração 4×4, o Moab entrega tudo que precisa por menos de R$ 150 mil
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]

Desde que o Ford EcoSport morreu no Brasil, o Jeep Renegade voltou a ser o único SUV compacto com tração 4×4 à venda no país. Contudo, o maior atrativo da Jeep sempre foi a motorização diesel, presente no Renegade Moab avaliado, o qual ele se vangloria ainda de ser o único da categoria a dispor.

Coloque como agravante o fato de que o motor 1.8 E.Torq flex é insuficiente para o peso do Renegade e excessivamente gastão, torna o 2.0 MultiJet II turbo diesel ainda mais atraente. O problema sempre foi o preço, já que a versão mais barata era a Longitude.

Para contornar esse problema, a Jeep recentemente apresentou a versão Moab. Custando R$ 149.134, ele invade a ceara de preço de SUVs compactos flex topo de linha como Honda HR-V Touring (R$ 148.800) e Volkswagen T-Cross Highline com todos os opcionais (R$ 144.440). Vale à pena abrir mão de equipamentos pelo diesel?

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]

Menos itens, mas o essencial

Ao contrário do que a Jeep fez anteriormente com a versão Custom diesel, na qual abriu mão de equipamentos que seriam essenciais na faixa de preço no qual ele atua, o Renegade Moab vem bem servido. É claro que não tem bancos revestidos em couro ou faróis de LED como os rivais, mas traz o essencial para a faixa dos R$ 150 mil.

De série, o SUV compacto traz ar-condicionado digital de duas zonas, retrovisores elétricos, vidros elétricos nas quatro portas, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, câmera e sensor de ré. Só que faróis com acendimento automático e sensor de chuva são as faltas mais notáveis pela faixa de preço, mas ausências compreensíveis.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]

Abre-se mão

Para economizar e deixar a versão Moab diesel o mais barato quanto possível, o modelo não conta com borboletas para troca de marcha atrás do volante, os bancos são revestidos em um agradável tecido e não há couro em nenhum lugar. A compensação fica pelo acabamento de qualidade – típico do Jeep Renegade.

A cabine mantém o acabamento esmerado acima da média da categoria. Toda porção frontal do painel é macia e bem montada. Há plásticos duros nas portas, mas evidentemente de qualidade, sendo acompanhados por uma grande faixa de tecido, incluindo nas portas traseiras.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Não há couro no volante, mas o material usado é agradável e não parece de baixo custo. A Jeep manteve ainda os comandos de som e do computador de bordo espalhados por 22 teclas no volante.

Um dos evidentes cortes de custo dessa versão está na central multimídia. Ela tem tela menor do que a usadas nas versões Longitude e Trailhawk, o que dificulta um pouco a operação do ar-condicionado, que felizmente também pode ser controlado por botões na parte inferior do console.

A qualidade da tela é apenas ok, tendo alguns problemas de reconhecimento de toque em alguns momentos. Mas a interface é amigável, fácil de usar e sem tantos menus e submenus desnecessários. Já a qualidade da câmera de ré poderia ser melhor, é preciso admitir.

Menos é menos mesmo

Ainda sobre a cabine do Renegade, ele é mais apertado que seus rivais, com menos espaço para as pernas de quem se senta atrás. Mas, ironicamente, parece um carro maior por dentro do que de fato é para quem anda na frente. Muito se deve à posição alta de dirigir, para-brisa reto e painel comprido, sem contar os retrovisores quadrados que mais parecem televisões de tubo.

Com 320 litros de capacidade, o porta-malas não é dos maiores, mas traz algumas soluções criativas. Ele conta com ganchos para sacolas e para prender cabos, tem redes nas laterais e um piso com altura ajustável.

Estrela da linha

A melhor parte do Jeep Renegade Moab está debaixo do capô: o motor 2.0 quatro cilindros turbo diesel entrega 170 cv e 35,7 kgfm de torque, sendo ele o SUV compacto com mais torque dentro de sua categoria e só não é o mais potente porque o HR-V Touring o supera por 3 cv.

[Auto+ / João Brigato]
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Com ele, o Renegade acelera sem vacilar e com uma agilidade que faz tanta falta ao modelo flex. Pesado, o Moab registra 1.641 kg na balança, mas que não se fazem sentir pelo motor diesel. O torque está disposto o tempo todo, tanto para ganhar velocidade, quanto para superar um obstáculo na pista.

A transmissão automática também colabora nessa sensação. Com nove marchas, ela sempre larga em segunda já que usa a primeira como reduzida. Na estrada, alterna entre oitava e nona marcha para economizar combustível, o que resultou em 20 km/l durante nossos testes. Na cidade, ele se manteve nos 12 km/l.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
As trocas são suaves somente a partir da terceira marcha. Na troca da segunda para a terceira (já que ele usa a primeira como reduzida e sempre larga em segunda) o câmbio sempre da trancos e atrasa a troca. Inexplicavelmente falta um indicador de marcha no painel de instrumentos, algo que a Fiat Toro tem, e olha que ela usa o mesmo painel do Renegade.

SUV de shopping? Ele não

Desde que foi lançado, o Renegade é visto por muitos como um Uno gordo ou mais um SUV de shopping. Mas definitivamente não é isso que ele é. Basta rodar alguns quilômetros dentro e fora do asfalto para entender que o pequeno Jeep é o SUV compacto mais robusto da categoria.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
A carroceria é sólida, firme e não torce mesmo em situações de off-road mais pesado. O Renegade também encara buraqueira e lombadas altas como se fossem brincadeiras para ele. Virtude da suspensão que é macia e confortável mesmo em terrenos acidentados. Ela é robusta e aguenta o tranco sem fazer barulho.

Ainda assim, não deixa o Renegade bobo balançando nas curvas mais fortes como alguns SUVs compactos concorrentes fazem. Com tração nas quatro rodas, levamos o Moab para algumas trilhas e ele se mostrou valente o tempo todo, encarando até trechos alagados sem reclamar. Entre os rivais, só ele encara terrenos verdadeiramente difíceis além da rampa do shopping.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
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Veredicto

O Jeep Renegade Moab está no mercado para atrair os consumidores que querem algo além de um SUV compacto para passear por aí. Ele verdadeiramente encara aventuras fora da estrada com robustez e força. Junte a isso à força e economia do motor diesel e terá o melhor conjunto mecânico disponível para o modelo produzido no Brasil.

Para quem pode abrir mão de alguns mimos presentes em rivais flex que se apresentam em versão topo de linha, o Moab traz o essencial em equipamentos para a categoria em um ótimo custo-benefício. É o melhor Renegade à venda hoje pensando pelo lado racional.

Jeep Renegade Moab [Auto+ / João Brigato]
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Sobre o autor

João Brigato

6 Comentários

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  • Vcs não consideram por exemplo o Vitara Allgrip na avaliação, para dizer que o Renegade é o único 4×4?

    Tudo bem que o Vitara é considerado um AWD, mas sua capacidade para fora de estrada em tempos supera até do Renegade.

    As vendas deles são pequenas, mesmo assim, podemos dizer que temos outras opções além do extinto Ecosport e Renegade.

    • Tenho um Vitara allgripp. Fiquei entre os dois, Renegade e Vitara por serem 4×4. Tinha decidido pelo Renegade por querer um carro a diesel, mas na véspera, apos ler diversas páginas de reclamação em relação ao mesmo, mudei para o Vitara, estou há três anos com ele e muito satisfeito. Ando uns 1500km por mês e pelo menos metade é em estradas de terra e mal conservadas e sem problema algum até agora!! O Vitara tem 4×4 para andar normal e 4×4 reduzida para encarar lama. Top!!

  • Me desculpe mais os itens retirados em relação ao Top não é tanto representativo é governo cobrando muito imposto e as montadoras aproveitando e metendo no consumidor dois contra um sendo um é quem paga. Um monta e governo suga