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Taos Comfortline é forte custo-benefício entre SUVs médios | Avaliação

Versão de entrada do Taos, a Comfortline, tem excelente conjunto, mas as economias da Volkswagen são decepcionantes
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]

Apesar de ter se consagrado como vencedor do comparativo entre Toyota Corolla Cross e Jeep Compass, o Volkswagen Taos não tem embalado nas vendas como a marca queria. O foco da marca está concentrado na versão Highline, que é bem equipada, mas deve em sofisticação. Porém a estrela da linha é na verdade o Taos Comfortline.

Por R$ 159.785 ele é mais barato que o Jeep Compass Longitude e que o Toyota Corolla Cross XRE, as versões intermediárias de seus rivais com lista de equipamentos semelhante. A grande questão é que aqui no Comfortline, o Taos deixa ainda mais evidente as economias que a Volkswagen fez nele.

Fortalecimento do dinheiro

Apesar de ser a versão mais barata do Taos, a Comfortline vem bem recheada. O modelo já é equipado com ar-condicionado digital de duas zonas, partida por botão, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay (sem fio só para iPhone), seis airbags, piloto automático, carregador de celular por indução e câmera de ré.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Há ainda sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, farol de LED com acendimento automático, detector de fadiga, retrovisores elétricos com função tilt-down, rodas de liga-leve de 18 polegadas, painel digital e sensor de chuva. A versão tem como opcional somente dois pacotes, que não equipavam o modelo de teste.

Ele conta com pacote segurança por R$ 4.920 que adiciona detector de pedestres, frenagem autônoma de emergência e piloto automático adaptativo. Outro é o pacote Conforto com revestimento em couro e aquecimento nos bancos. Mas, sinceramente, pule esse último pacote.

O tecido usado nos bancos do Taos é de qualidade muito superior ao couro opcional e que está na versão Highline. É um visual mais agradável com mistura de elementos cinza em tons diferentes junto a costuras contrastantes e relevos. Já há couro onde precisa: volante, laterais dos bancos e portas.

Mais barato e melhor

E justamente esses bancos são parte do que torna a cabine do Taos Comfortline melhor que a do Highline. Na versão topo de linha o painel tem acabamento em cinza brilhante junto a plásticos pretos e suede preto. No Comfortline há mais contraste. A faixa do painel é em azul escuro acetinado, criando um visual mais elegante e moderno.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Ele contrasta com a faixa em couro cinza nas portas e também no painel. Já a parte inferior segue em preto. Entretanto, essa diferença de cores deixa a cabine mais agradável que o festival de preto do Highline. Contudo, segue a qualidade dos plásticos que seria ótima para um SUV compacto, mas fica devendo em um médio.

As portas tem material macio na parte superior e no couro cinza. Já o painel é todo em plástico duro, assim como o console central simples e praticamente idêntico ao de Nivus e T-Cross. A simplicidade impera na traseira com portas totalmente duras e sem um revestimento macio sequer, a não ser onde o cotovelo encosta.

Um recurso que foi simplificado em relação ao Taos Highline é o painel de instrumentos. Ele segue digital, mas agora em uma tela de 8 polegadas. Surpreendentemente ela é mais rápida nas suas funções, tem ótima definição e é fácil de usar. Deixa claro que é uma tela menor e mais simples, mas não falta recursos e parece até mais moderna que o Active Info Display.

Origens

Se em questão de acabamento ele está até abaixo do Toyota Corolla Cross, que já não é referência, pelo menos o Volkswagen Taos compensa pelo espaço mais do que farto. Motorista e passageiro contam com ajuste de altura e de lombar para os bancos, algo raro na categoria.

[Auto+ / João Brigato]
[Auto+ / João Brigato]
Já quem se senta atrás tem muito espaço para as pernas e também na lateral. Entre os SUVs médios abaixo dos R$ 200 mil, o Taos é o que melhor trata seus passageiros no quesito espaço. Isso não fez com que o porta-malas ficasse pequeno, pelo contrário, são 498 litros, o maior da categoria.

A Volkswagen soube bem aproveitar o interior farto do Taos sem aumentar suas medidas. São 4,46 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,62 m de altura e entre-eixos de 2,68 m. Dentro da média da categoria. O que só fica de fora é o visual nitidamente simplificado em relação ao Highline. Nesse caso, ele parece externamente mais barato que o Corolla Cross XRE e que o Compass Longitude.

Os faróis são de LED, mas com lente bem mais simples e visual nitidamente mais barato. A barra de LED na grade frontal foi substituída por um filete preto sem graça. Já as rodas de liga-leve de 18 polegadas parecem pequenas e não tem acabamento diamantado. Apenas a traseira fica igual entre as duas versões, salvo o rack de teto preto do Comfort.

Pena que a Volkswagen economizou até nas cores para a versão Comfortline. Ele tem apenas como opção Preto, Prata, Branco e Cinza. Os tons mais legais como Azul e Bege ficaram restritos somente ao Highline.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]

Acerto fino

Entre os SUVs médios de entrada, o Volkswagen Taos é o mais gostoso para dirigir. O conjunto mecânico é um clássico da marca alemã: 1.4 TSI quatro cilindros turbo de 150 cv e 25,5 kgfm de torque ligado a uma transmissão automática de seis marchas. O motor tem bom rendimento, entrega torque a contento, mas é um tanto áspero em alguns momentos.

No Taos ele veste suficientemente, fazendo com que o SUV tenha bom rendimento na cidade e na estrada, mas sem surpreender. Um pouco semelhante à Amarok V6, mas um pouco mais discreto, ele sai um pouco vagarosamente antes de ganhar velocidade com a entrada do turbo. Já na estrada, consegue fazer retomadas sem passar sufoco.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Durante nossos testes marcou média de 8,6 km/l abastecido com etanol em trecho 50% cidade, 50% estrada. O câmbio trabalha com suavidade, mas tende a se perder vez ou outra. Parece que ele e o motor brigam um pouco sobre o que cada um quer fazer em momentos diferentes.

Na estrada, ele conseguiria retomar tranquilamente em sexta marcha, mas o câmbio às vezes joga uma quarta ou até terceira sem a menor necessidade. Além disso, o Taos tem mania de segurar a segunda marcha em acelerações sem o menor motivo – quando faz isso ainda troca para a terceira com um pequeno tranco.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
A direção é excessivamente leve em todos os momentos. Isso é atenuado na versão Highline com seletor de modo de condução, não presente aqui. A leveza é boa nas manobras, mas na cidade e estrada poderia ter mais firmeza para passar mais segurança. Ainda que o Taos seja um carro muito estável e bom de curva. Além de não ser afetado por ventos laterais médios.

Veredicto

O Volkswagen Taos Comfortline é a melhor versão dentro do portfólio do SUV médio alemão. Tem o que é necessário, sem deixar um item sequer faltar, dos que verdadeiramente fazem falta. Tem interior mais agradável que da versão topo de linha, ainda que seja mais simples do que deveria.

Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Volkswagen Taos Comfortline [Auto+ / João Brigato]
Adicione tudo isso ao benefício de ser mais barato que os rivais diretos e ter três revisões anuais grátis. Em matéria de custo-benefício fica difícil bater o Taos Comfortline nessa categoria. Só feche os olhos para o visual nitidamente simplificado e para a cabine com acabamento bem longe da sensação premium que o Compass Longitude oferece.

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João Brigato

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