O grande mote de toda marca chinesa sempre foi entregar mais cobrando menos do que as tradicionais. Mas e quando uma marca chinesa consegue fazer isso comparando a uma fabricante de mesma origem? Basicamente é o que a Geely fez com o EX2 Pro, modelo de entrada da marca que custa R$ 119.900.
Enquanto a versão Max já testada aqui no Auto+ mira modelos como BYD Dolphin e GWM Ora 03, o Geely EX2 Pro de entrada é rival direto de BYD Dolphin Mini, Renault Kwid E-Tech e JAC E-JS1. Mas para custar menos, o que a Geely cortou? E será que esse sacrifício valeu à pena?
O suficiente?
Exatos R$ 15.110 separam a versão Pro da Max do Geely EX2. Economizando essa grana, você abre mão de Câmera 360 graus, assistente de luz alta, alerta de mudança de faixa, frenagem autônoma de emergência, piloto automático adaptativo, rodas de liga-leve, carregador de celular por indução, banco dianteiro elétrico, partida remota e teto com pintura preta.
![Geely EX2 Pro [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/12/geely-ex-pro-18-1320x743.webp)
Salvo a frenagem autônoma de emergência, honestamente não senti falta de nenhum desses itens durante o teste do EX2 Pro. Talvez a roda de liga-leve faça falta porque a calota tem um desenho horroroso, mas isso é algo fácil de ser resolvido. Até porque, desde a versão de entrada, o hatch compacto elétrico é muito bem equipado.
Ele conta com chave presencial, retrovisor elétrico, vidro elétrico nas quatro portas com função um toque, câmera e sensor de ré, farol com acendimento automático, controle de tração e estabilidade, ar-condicionado na tela mas sem função de ventilação automática, faróis full-LED, seis airbags, freio de estacionamento eletrônico com função auto-hold e bancos revestidos em vinil.
Costume chinês

Confesso que minha primeira impressão com o Geely EX2 não foi tão positiva. E nem é culpa dele. Isso porque o nível de acabamento que as marcas chinesas nos deixaram acostumados é alto. Procurei por superfícies macias ao toque e só encontrei uma pequena faixa de material que imita couro nas portas.
Mas, ao analisar com mais cuidado, o acabamento é bom. Os plásticos duros tem mais qualidade e texturas mais bem feitas do que as do BYD Dolphin Mini, além disso, o console central é bem mais sólido e melhor montado. O EX2 também não traz cores carnavalescas para a cabine, apostando em tons de cinza com detalhes em prata e preto.

O material que imita couro e reveste os bancos, volante, parte das portas e o console central tem qualidade. Dá uma impressão melhor do que tecido, mas claramente é algo artificial. Detalhe que ainda vale falar sobre a qualidade de construção é a solidez das batidas de porta, inclusive porta-malas e capô. Tudo parece bem montado, sólido e no lugar.
Telas para que te quero
Se a cabine só passa a verdadeira qualidade depois de um pouco mais de análise, as telas do Geely EX2 decepcionam com o tempo. Ainda que o painel de instrumentos e a central multimídia tenham telas de excelente qualidade, ambas bem maiores do que as do Dolphin Mini, elas carecem de recursos.


Como o EX2 Pro não tem sistemas ADAS, o meio do painel de instrumentos fica totalmente inútil nessa versão. Ou seja, você só usa as extremidades do painel. Além disso, o canto direito só mostra informações de música, o que o torna ainda mais sem utilidade.
Já a central multimídia não contar com Android Auto ou Apple CarPlay é inaceitável. Ela é uma tela bem feita, de ótima qualidade, fácil de usar, mas sem conexão com celulares faz com que seja somente um gigantesco rádio. A Geely promete atualização, mas isso já deveria ter sido instalado no EX2 desde sua estreia.
Olha o tamanho disso


Em compensação, o tamanho da cabine do Geely EX2 impressiona. Ele é um carro compacto de 4,13 m de comprimento, 1,58 m de altura, 1,80 m de largura e entre-eixos de 2,65 m, mas que, visualmente, parece menor. Contudo, é bem espaçoso por dentro.
O motorista conta com vários níveis de regulagem do banco, provendo uma boa posição de dirigir. Pena que a Geely esqueceu da regulagem de profundidade do volante. Só que, mesmo assim, um passageiro alto consegue se sentar com muito espaço mesmo com um motorista de mais de 1,90 m de altura.


O porta-malas do EX2 Pro entrega impressionantes 375 litros, algo que não se espera de um carro desse porte. Pena que, novamente, a Geely tenha feito economia e retirado a corda que eleva o tampão ao abrir a tampa do porta-malas. O prático frunk carrega ainda 70 litros adicionais com até 25 kg de capacidade.
Tração traseira!
Diferentemente de todos os carros elétricos de entrada no Brasil vendidos até hoje, o Geely EX2 tem tração traseira. E isso muda tudo. Não somente pelo toque naturalmente entusiasta que esse layout traz, mas também pela dinâmica que altera o comportamento do hatch chinês.
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A sensação de ser empurrado é diferente da de ser puxado, tornando o modelo naturalmente mais esperto. Além disso, o layout permite que as rodas dianteiras tenham mais espaço para esterçar, aumentando a eficiência em curvas. Que também é auxiliada pelo costume de encaixar a traseira a cada curva com o pé em baixo.
Como resultado, o Geely EX2 é um carro muito gostoso de dirigir, mas ainda no estilo chinês de ser. Ou seja, a suspensão é molenga e tende a flutuar, mas sem o complexo de transatlântico de alguns rivais. É macia demais, mas não é penalizante para a dinâmica se pensado que é um carro para conforto.
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A direção vai na mesma pegada, sendo mais leve do que deveria. Especialmente porque o volante pequeno instiga uma certa esportividade. Um volante mais firme e uma suspensão mais ao gosto brasileiro resolveria muita coisa. Especialmente na estrada onde o vento lateral leva o Geely EX2.
Questão numérica
Enquanto o Dolphin Mini tem performance que fica no limiar entre o suficiente e o manco, o EX2 é bem divertido. São 116 cv e 15,3 kgfm de torque, o que seria equivalente a potência de carros 1.0 três cilindros turbo e torque na mesma faixa de um 1.5 aspirado. Só que, como o torque é instantâneo, a força parece maior.
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Segundo a Geely, o EX2 precisa de 10,2 segundos para atingir os 100 km/h, número bem melhor do que o do Dolphin Mini. Além disso, a velocidade máxima é limitada a 130 km/h. Mas, durante nossos testes, ele só parou de acelerar em 140 km/h com uma nítida trava para preservar as baterias. A autonomia é de 289 km, segundo o INMETRO. Na vida real, passa de 300 km.
Com esse números e o tamanho diminuto, o Geely EX2 se torna um carro muito ágil e gostoso de dirigir na cidade e na estrada. Como a autonomia real é bem maior do que a divulgada, tanto que chegamos a 320 km com uma carga e ainda sobrando cerca de 13% de bateria, o modelo se torna um pau para toda obra.

Veredicto
O Geely EX2 é o perfeito carro elétrico de entrada para o brasileiro: tem bom espaço interno para ser o único carro da casa (ainda que seja preciso coragem para elencar um carro elétrico para esse posto), tem bons itens de série e é muito bom de dirigir. A Geely só precisa urgentemente instalar Android Auto e Apple CarPlay nesse compacto para ter o pacote certo.
No final das contas, o maior charme do hatch elétrico da parceira da Renault é entregar porte de BYD Dolphin a preço de Dolphin Mini. Você abre mão de equipamentos e itens de segurança eletrônicos em favor de mais espaço e dirigibilidade mais apurada. Mas são pontos que fazem a conta fechar.
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