O compartilhamento possibilita às marcas diminuírem os custos, bem como oferecer produtos diferentes, com a mesma base e conjuntos mecânicos mútuos, embora tenham calibrações distintas. É uma prática comum. Cada um na sua, mas com algo em comum, Honda City Touring e WR-V EXL possuem características e gostos para públicos diferentes, mas qual deles leva vantagem?
Ambos são consolidados em nosso mercado. O primeiro City debutou em 2009, enquanto oito anos mais tarde, em 2017, chegava ao Brasil o WR-V (sigla para Winsome Runabout Vehicle ou um veículo cativante para o dia a dia, traduzido livremente). Dois produtos com entranhas semelhantes, mas com propostas heterogêneas.
Eles buscam quem prefere os sedans e a dirigibilidade mais próxima ao solo, ou aqueles que priorizam uma posição mais alta e maior distância sobre o asfalto. Segundo a Fenabrave, neste ano, o Honda City já soma 2.045 emplacamentos e o WR-V, 4.441 veículos registrados, ficando atrás do irmão maior e mais caro HR-V (5.721).


Honda City Touring e WR-V EXL: corpos diferentes
Tanto o Honda City Touring quanto o WR-V EXL nascem da plataforma Honda Global Small Car, a qual também serve ao HR-V e City Hatch. Ambos seguem a escola estilística do fabricante marcada por linhas retas, porém, na ponta da fita métrica, o três volumes guarda duas dimensões ligeiramente superiores.
De uma extremidade a outra, o Honda City Touring mede 4,57 m de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,60 m de entre-eixos. O porta-malas ostenta volumosos 519 litros, que o coloca em vantagem sobre o Nissan Versa (466), porém, em degrau inferior em relação ao Fiat Cronos (525) e apenas dois litros abaixo do Volkswagen Virtus (521).


O Honda WR-V segue a fórmula dos SUVs medindo 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,65 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. O compartimento de bagagens é de 458 litros. O tamanho maior da boca ajuda na hora de transportar objetos volumosos, como uma bicicleta, assim como facilita o processo de carga e descarga.
Obviamente, City Touring e WR-V EXL mostram carrocerias distintas, apesar de servirem bem às famílias. O sedan transmite uma percepção de porte maior, assim como é superior no espaço para levar as malas. Apesar disso, o SUV ganha em largura, altura e entre-eixos, beneficiando a habitabilidade. Ambos levam cinco ocupantes a bordo.


Qualidade construtiva
Uma vez dentro, a qualidade construtiva das cabines é parelha pelos plásticos texturizados, além de também aparecerem áreas macias ao toque e bancos revestidos em couro. No City Touring, o revestimento claro transmite mais requinte, mas exige uma dose de cuidado extra com limpeza e manutenção.
Em qualquer um deles, os bancos oferecem uma boa sustentação lateral e acomodam confortavelmente o corpo, especialmente na região lombar. Isso evita o cansaço após longas horas ao volante. A ergonomia da dupla é auxiliada pelos comandos bem localizados à mão e pela coluna de direção ajustável em altura e profundidade.


São carros que não se renderam aos modismos dos fabricantes chineses ou suecos, com habitáculos minimalistas ao extremo, onde as funções básicas dependem do multimídia. Portanto, City Touring e WR-V EXL mantêm controles físicos para ajustar desde os espelhos retrovisores até a temperatura do ar-condicionado. Algo prático.
Ou seja, eles não reinventam a roda ou tampouco forçam o motorista a reaprender o simples. Tudo está visível. No City Touring, há o quadro de instrumentos TFT de sete polegadas e o multimídia de oito polegadas, enquanto o WR-V mostra o mesmo tamanho do quadro digital, mas a central, também com Apple CarPlay e Android Auto sem fio, é maior, com 10 polegadas.


Conforto e conveniência
Em contrapartida, o City Touring rebate com o ar-condicionado de duas zonas e saídas dedicadas aos ocupantes da segunda fileira (também encontradas no utilitário esportivo da Honda). Quem viaja atrás encontra um espaço menor para as pernas por conta do entre-eixos de 2,60 m do sedan.
Outra característica está na posição mais baixa tanto na primeira quanto na segunda fileira do City, além do passageiro traseiro se acomodar mais afundado e inclinado, em uma pegada executiva. No WR-V EXL, o ocupante traseiro senta mais ereto, desfrutando de mais folga para os joelhos graças aos 2,65 m de entre-eixos. Um ponto positivo do SUV.


Os dois modelos possuem o rebatimento elétrico dos espelhos retrovisores, mas o Honda City Touring oferece o freio de estacionamento eletrônico com função Auto Hold, que mantém o veículo parado sem a necessidade de pressionar o pedal. É uma comodidade extra não presente no WR-V, que mantém a alavanca tradicional. Poderia ter o mesmo sistema, mas concessões são feitas para controlar os custos aos consumidores.
A ausência da alavanca convencional também cooperou para liberar o espaço no console central do sedan. O carregador de smartphone por indução está presente em ambas versões de topo dos carros, além de entradas USB para o carregamento de dispositivos. Nos dois carros, as ilhas das portas são revestidas.


A segurança do Honda City Touring e WR-V EXL
O sistema Honda Sensing de assistência à condução equipa os dois carros. O pacote inclui ajuste automático de farol alto, controlador de velocidade adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa com atuação no volante e mitigação de evasão de pista.
Com um funcionamento suave, os sistemas não pregam sustos no condutor. A experiência é semelhante aos carros da Volvo, e a leveza com que o Honda Sensing atua é um ponto alto para tornar a viagem mais tranquila. Um dos diferenciais tecnológicos do City Touring é o sistema Lane Watch, que utiliza uma câmera instalada no retrovisor direito para transmitir imagens diretamente à central multimídia, eliminando os pontos cegos em manobras e mudanças de faixa.

Além disso, a dupla oferece o Isofix para fixação de cadeirinhas infantis, mas o City Touring traz os práticos sensores de estacionamento na dianteira e na traseira. O WR-V conta com o sensor somente atrás. Outra diferença técnica está nos freios a disco nas quatro rodas no sedan contra o uso de tambores no eixo traseiro do SUV.
Dirigibilidade
Sob o capô, eles dividem o motor 1.5 DI i-VTEC Flex de quatro cilindros naturalmente aspirado com injeção direta e duplo comando de válvulas com variação na admissão e no escape. O conjunto trabalha casado ao câmbio continuamente variável (CVT) de sete marchas simuladas. São 126 cv a 6.200 rpm e até 15,8 kgfm a 4.600 rpm.
Trata-se de um conjunto bem acertado que permite boas médias rodoviárias. WR-V EXL e City Touring respondem prontamente e, pela ausência de turbocompressor, não apresentam atrasos nas respostas. O desempenho é entregue de prontidão, principalmente nas baixas e médias rotações.


O City Touring é ligeiramente mais leve, com 1.174 kg, o que assegura uma relação peso-potência de 9,32 kg/cv. Do outro lado, o WR-V EXL ostenta 1.278 kg e uma relação de 10,14 kg/cv. Embora os números de torque e potência surjam nas mesmas faixas, ao volante, o sedan mostra uma disposição superior.
Isso é percebido ao solicitar o pedal do acelerador em retomadas e ultrapassagens. Na balança, o peso em ordem de marcha menor do City Touring é notado logo nos primeiros metros, permitindo ganhar velocidade mais rapidamente e garantindo melhores saídas de semáforo.

Convivência
O City Touring agrada quem procura uma condução mais conectada ao solo. O peso menor associado à altura reduzida proporciona boa desenvoltura em curvas, apresentando menor rolagem da carroceria. A altura em relação ao solo do sedan é de 144 mm, enquanto a do SUV é de 223 mm.
Em contrapartida, o WR-V encara melhor os obstáculos urbanos. Ele não raspa a frente em lombadas ou valetas pronunciadas, facilitando a vida também em saídas de garagens. O ângulo de entrada do WR-V é de 17,42° e o de saída é de 27,18°. Isso proporciona uma dose extra de tranquilidade em nosso asfalto.

O City é mais pregado no solo. Ambos adotam arquitetura McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, mas o WR-V é ligeiramente mais macio na absorção de impactos. Nos dois, a direção assistida eletricamente é precisa em velocidades altas e leve em manobras.
Além disso, o sedan emprega rodas de liga leve de 16 polegadas com pneus 185/55 R16, ao passo que o WR-V EXL usa redondas de 17 polegadas, que preenchem melhor as caixas de rodas e usam pneus 215/55. Ao exigir mais do SUV, o ruído do motor invade mais a cabine acima de 3.500 rpm. Pelas linhas mais quadradas, o WR-V também transmite mais ruídos aerodinâmicos, embora a 100 km/h rode abaixo de 2.000 rpm. É praticamente a mesma faixa no sedan na mesma situação.


City é mais eficiente
O Honda City é mais baixo, uma vantagem para quem gosta de dirigir. As linhas fluídas cooperam na aerodinâmica e o sedan fura melhor a resistência do ar. Não é apenas sobre design, mas sobre eficiência. De acordo com o Inmetro, o City Touring crava médias urbanas de 9,3 km/l (etanol) e 12,8 km/l (gasolina). O WR-V faz 8,2 km/l e 12 km/l, respectivamente.
Na estrada, o três volumes da Honda mostra consumo de 10,4 km/l (etanol) e de 15,5 km/l (gasolina), enquanto o SUV crava 8,9 km/l com o combustível vegetal e 12,8 km/l na gasolina. A diferença na balança entre eles é de 104 kg. O City é mais silencioso (menos ruído de vento), assim como permite esticar a autonomia do tanque. Ambos trazem o botão Econ, que muda o mapa do acelerador e o ar-condicionado para maior eficiência.

Falando agora das revisões, elas ocorrem a cada 10.000 km ou um ano. O preço da primeira é de R$ 426,68 para ambos, com mão de obra gratuita. A oitava revisão, aos 80.000 km, sai por R$ 1.992,18 em ambos os carros. Valores baseados em São Paulo.
Veredicto
Embora compartilhem o DNA e quase o mesmo preço, com uma diferença irrisória de R$ 600 entre os R$ 152.700 do City e os R$ 152.100 do WR-V, as propostas são mundos distintos. A decisão vai além da preferência estética; trata-se de escolher entre o refinamento técnico ou a paz de espírito ao encarar valetas.
O Honda City Touring é o produto mais maduro e tecnológico da dupla. Ele entrega um pacote que o SUV não oferece: freios a disco nas quatro rodas, sensores de estacionamento dianteiros e o freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold. É o carro para quem gosta de dirigir conectado ao chão e valoriza uma posição baixa de condução, apesar de cobrar o preço nas lombadas, valetas ou saídas de garagens.

Já o Honda WR-V EXL se apoia no fator novidade e na carroceria SUV. Afinal, ele convive melhor com o asfalto castigado graças à maior altura em relação ao solo, mas cobra o preço com algumas concessões a exemplo do freio de estacionamento convencional de alavanca. De todo modo, o multimídia de 10 polegadas é superior ao do modelo com três volumes.
No fim do dia, o Auto+ não fica em cima do muro: pelo conjunto da obra e pelo refinamento, o City Touring vence este comparativo. Ele oferece mais carro por praticamente o mesmo dinheiro, deixando o WR-V como a escolha racional apenas para quem não consegue viver sem a altura extra de um SUV.


Entre City Touring e WR-V EXL, qual deles você escolheria? Escreva sua opinião nos comentários.



