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GAC GS3 é um produto maduro, mas o pedal do acelerador… | Impressões

Na contramão da eletrificação chinesa, o GAC GS3 aposta em um motor 1.5 turbo de 170 cv e no design geométrico para conquistar os brasileiros

7 min de leitura

A GAC iniciou as operações no Brasil há menos de um ano, oferecendo opções elétricas e híbridas, como os modelos Aion Y, Aion V, GS4 Hybrid e Hyptec HT, por exemplo. Agora anunciou uma parceria inédita entre a fabricante chinesa e a HPE para iniciar sua produção no Brasil, ampliando a participação com um plano de produção anual de 50.000 veículos em 2027.

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Outra novidade é a chegada do GAC GS3, sexto lançamento da marca em nosso mercado, sendo oferecido em duas configurações: Premium, cujo preço de lançamento até 31 de março de 2026 é de R$ 129.990, e avaliada Elite (R$ 159.990). O objetivo é atrair os consumidores de produtos consolidados, como Jeep Renegade, Hyundai Creta, Honda HR-V, Volkswagen T-Cross e cia.

Além do preço, afinal, inicialmente ele é semelhante ao Jeep Renegade Sport T270 (a partir de R$ 119.990) ou ao Volkswagen T-Cross Sense 200 TSI (R$ 119.990), o GAC GS3 também aposta no visual para fisgar o consumidor do ponto de vista emocional. Sem dúvidas, ele desperta atenção pelo design geométrico e pela carroceria com muito jogo de luz e sombra.

É uma pegada com linhas esportivas, oferecendo 4,41 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,60 m de altura e 2,65 m de entre-eixos. O porta-malas é de 341 litros, podendo ser ampliado para 1.271 litros após o rebatimento da segunda fileira. A comodidade fica por conta da tampa do compartimento com abertura e fechamento elétricos.

São dimensões até superiores em relação ao Nissan Kicks, que transmite 4,36 m de comprimento, 1,80 m de largura e 1,62 m de altura; porém, o rival é superior na volumetria do compartimento de bagagens, oferecendo 470 litros. Só que beleza e dimensões põem a mesa para o GAC GS3?

Porta-malas do GAC GS3 Elite
GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Como o GAC GS3 anda?

O GAC GS3 esconde sob o capô um motor 1.5 sobrealimentado por turbocompressor com injeção direta (TGDI) de ciclo Miller, sem eletrificação, atrelado ao câmbio de dupla embreagem banhado a óleo com sete marchas. O resultado desse matrimônio aparece nos 170 cv e 25,5 kgfm, bebendo apenas gasolina. Números que permitem ir de 0 a 100 km/h em rápidos 8,1 segundos.

Ao volante, o GAC GS3 acorda rapidamente e ganha velocidade sem esforços. Embora sem eletrificação, há pouco turbolag (atraso antes de o turbocompressor pegar para valer), o que ajuda na disposição. Só que o delay do pedal do acelerador pode incomodar. Afinal, com o pé no porão, ele leva um tempo para responder. Isso ocorre devido às calibrações para atingir os níveis de emissões.

Em contrapartida, a caixa de dupla embreagem banhada a óleo muda ou reduz as sete velocidades brevemente, contribuindo na experiência. Não há borboletas atrás do volante ou opção de mudar as marchas sequencialmente pela alavanca seletora.

O seletor de modos de condução reúne três programas, indo do mais comedido Econômico até o Esportivo. Neste último, o GAC GS3 muda o comportamento ao transmitir uma pegada mais rápida, com as marchas sendo trocadas em rotações mais elevadas. Apesar disso, o delay do pedal do acelerador não suaviza.

GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

E nas curvas?

As suspensões do GAC GS3 pendem para o lado da calibração mais “firminha”, o que lembra o ajuste de alguns modelos da Volkswagen, sendo ajustadas ao gosto dos brasileiros. O conjunto adota a arquitetura McPherson à frente e eixo de torção atrás, permitindo um bom controle da carroceria nas curvas, além de filtrar e absorver bem as irregularidades do asfalto.

Além disso, a aerodinâmica da carroceria não emite ruídos de turbilhonamento em velocidades mais altas, além de ajudar no consumo. De acordo com as medições do Inmetro, o consumo é de 10,2 km/l no ciclo urbano e de 11,6 km/l nas estradas. O isolamento acústico da cabine deixa do lado de fora os ruídos indesejados. Além disso, destaque para o belo desenho do spoiler de teto

Spoiler de teto do GAC GS3 Elite branco
GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O contato com o solo ocorre por meio das rodas de 19 polegadas, calçadas por pneus Michelin Pilot Sport 4 de medidas 235/45 em ambos os eixos (na configuração Elite) e exibindo as pinças de freios pintadas de vermelho. Já o conjunto de frenagem emprega discos ventilados no eixo frontal e sólidos atrás. Ainda em segurança, a versão Elite traz um arsenal de anjos da guarda.

Ele inclui o pacote ADAS de assistências à condução: alertas de colisão frontal e de mudança de faixa, assistente de permanência em faixa, frenagem autônoma de emergência, monitoramento de ponto cego por câmera e controlador de velocidade adaptativo (ACC), para citar.

Roda de 19 polegadas do GAC GS3 Elite
GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Interior

Um dos pontos altos do GAC GS3 está na qualidade construtiva do habitáculo. Querendo você ou não, é inegável que os chineses aprenderam a construir carros de qualidade. Uma vez dentro, aparecem áreas macias ao toque no painel, assim como nas laterais das portas dianteiras e traseiras. Ou seja, a mesma qualidade da primeira fileira foi replicada aos ocupantes do banco traseiro.

A posição de dirigir agrada e os bancos oferecem bons suportes laterais, que ajudam a segurar o corpo nas curvas, além de terem ajustes elétricos e boa acomodação da região lombar. A ergonomia é complementada pelos comandos bem localizados à mão e pela coluna de direção regulável em altura e profundidade.

GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

À frente dos olhos está o quadro de instrumentos de sete polegadas, enquanto o conjunto de telas é complementado pelo multimídia de 14,6 polegadas com conectividade Android Auto e Apple CarPlay sem fio. A boa habitabilidade é reforçada pelo teto solar panorâmico, assim como o assoalho traseiro plano. Aliás, o entre-eixos de 2,65 m assegura um bom espaço para as pernas e os joelhos. Há saída de ar dedicada.

A configuração Elite ainda soma Wi-Fi, controle do veículo por app, carregador de smartphone por indução de 50W e partida sem chave. Uma comodidade extra está no sistema de estacionamento autônomo, que controla direção e pedais, permitindo que o veículo execute manobras em vagas paralelas, perpendiculares ou em ângulo.

Veredicto

O GAC GS3 tem motivos e qualidades para cair nas graças dos consumidores brasileiros, assim como o GS4 Hybrid. A novidade mostra uma boa qualidade construtiva interna, bem como um fôlego interessante por conta do casamento do motor 1.5 turbo e injeção direta ao câmbio de dupla embreagem banhado a óleo. Apenas o delay no pedal do acelerador poderia ser menor, porém, algo necessário para atingir os níveis de emissões.

O preço promocional de R$ 129.990 até 31 de março de 2026 é um atrativo de compra. Após esse período, o valor da versão Premium é de R$ 139.990. Mesmo assim, o plano do fabricante é sólido e mostra que veio para ficar em nosso mercado. De acordo com a marca, a garantia do GAC GS3 é de cinco anos sem limite de quilometragem. Já o plano de revisão contempla a primeira com 5.000 km ou seis meses (sendo gratuita) e as demais realizadas a cada 10.000 km ou um ano.

GAC GS3 Elite branco parado de traseira com plantas ao fundo
GAC GS3 Elite [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

E você, o que achou do visual do GAC GS3? Acha que a eletrificação faz falta ou o motor turbo de 170 cv já é argumento suficiente? Deixe sua opinião nos comentários!

3 comentários em “GAC GS3 é um produto maduro, mas o pedal do acelerador… | Impressões”

  1. Celia Rosales

    Artigo esclarecedor.

  2. ponas

    mas é “xines”

  3. Sergio Paschoal

    Comparado com outros carros nacionais, quão lenta é a resposta ao pisar no acelerador (lag)? É preciso um parâmetro para nao dar a impressão que só esse carro tem o lag ou quanto isso pode incomodar.
    Esse tipo de informação deveria ser trazida em todas as reportagens, como se faz com suspensão, freios, câmbio…

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Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

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