Tudo tem começo, meio e fim. Lançado em 2016, à época dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Nissan Kicks construiu um caminho de sucesso. Isso é fato, sustentado pela plataforma V e por pilares como a dirigibilidade, garantida pela boa relação peso-potência, além do porta-malas de 432 litros. Após duas séries especiais UEFA e a XPlay, para citar, além de virar o Kicks Play, chega a hora ceder o lugar para o Kait.
Ele substituiu o Kicks Play, sendo oferecido em quatro versões, com foco no posicionamento de mercado: Active (a partir de R$ 117.990), Sense Plus (R$ 139.590), Advance Plus (R$ 149.890) e a topo Exclusive (R$ 152.990). Um novato com entranhas de veterano, preparado para duelar diretamente, por exemplo, com o novo Honda WR-V, que custa entre R$ 147.100 na versão EX e R$ 152.100 na EXL.
Além dele, a missão do Nissan Kait é atrair compradores de Fiat Pulse (R$ 102.990 a R$ 160.990, incluindo a opção esportiva Abarth, de 185 cv), Renault Kardian (R$ 113.690 a R$ 149.990) e Volkswagen Tera (R$ 108.390 a R$ 144.390). E aí, surge a pergunta: o lançamento da Nissan é apenas um Kicks Play com nova roupagem? A resposta está no meio do caminho entre o não e o sim.

O SUV é sustentado pela plataforma V do fabricante e, na ponta da fita métrica, transmite 4,30 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,61 m de altura e 2,62 m de entre-eixos. O Kicks Play, para comparar, oferece 4,31 m, 1,76 m, 1,59 m e 2,61 m, respectivamente. Sobretudo, o porta-malas de ambos os utilitários esportivos mantém a mesma capacidade volumétrica: 432 litros. Já as barras de teto podem suportar até 50 kg.
Nissan Kait: mesmo carro com visual diferente?
Sim. Essencialmente, o Nissan Kait é um carro novo, porém com nuances estilísticas que remetem aos modelos elétricos da marca, sobretudo pela dianteira praticamente fechada, evidenciando a grade recortada e os faróis afilados, separados pelas luzes de circulação diurnas posicionadas mais abaixo. Os faróis são interligados por uma barra em preto brilhante, reforçando a identidade visual mais moderna.
Um desenho bem resolvido e até futurista, acompanhado por uma traseira em que as lanternas divididas também se conectam. Outro destaque está no para-choque saliente, que cumpre a função de proteger a tampa do porta-malas em eventuais pequenas colisões. Além disso, o estilo da grafia Kait faz uma referência direta ao Patrol, que é vendido lá fora.



A estratégia da Nissan é controlar os custos e oferecer uma opção para quem deseja um SUV para chamar de seu, sem gastar rios de dinheiro. Isso fica evidente nas portas, assim como no botão de entrada herdados do Kicks Play. Ainda assim, as belas rodas de liga leve de 17 polegadas são inéditas e, próximo à coluna C, há um adesivo no estilo de tatuagem, recurso semelhante ao que a Renault utilizou anos atrás no Sandero Stepway.
No entanto, é ao abrir a porta do habitáculo que surge a ligação mais clara com o Kicks Play. Afinal, a disposição das teclas e o desenho do volante de base achatada permanecem os mesmos. Também não há mudanças nos comandos do ar-condicionado automático e digital de uma zona, que oferece logo abaixo o carregador de smartphone por indução de 15W.

Cabine confortável
O Nissan Kait emprega bancos com tecnologia Zero Gravity, conhecidos por oferecer excelente apoio lombar, além de acomodar muito bem o corpo, sem causar fadiga após longos períodos ao volante. Nesta versão Exclusive, eles são revestidos em couro com costuras contrastantes em cinza e azul. Além disso, há superfícies macias ao toque distribuídas pelos quatro cantos da cabine.
Atualmente, as telas são primordiais. O quadro de instrumentos TFT é de sete polegadas, enquanto o multimídia é fornecido pela Pioneer, com nove polegadas e Android Auto e Apple CarPlay sem fio, exibindo uma interface intuitiva de operar. Ainda há entrada USB-A frontal, duas USB-C traseiras e um bom espaço para as pernas, joelhos e cabeça, favorecido pelos 2,62 m de entre-eixos e pela altura da carroceria de 1,59 m.




No Kait, a Nissan deu atenção especial não apenas aos itens de conforto e de conveniência, como também ao pacote de anjos da guarda em prol da segurança de até cinco ocupantes. A lista contempla alertas de tráfego cruzado traseiro, de atenção do motorista e de colisão frontal com assistente inteligente de frenagem e detecção de pedestres.
O pacote ainda inclui controlador de velocidade adaptativo, sistema de visão de 360º com detecção de objetos em movimento, alerta de pontos cegos, indicado por um LED interno, em vez de estar no retrovisor, além dos assistentes de partida em rampas e de prevenção de mudança de faixas.

Bom de andar?
A engenharia do Kicks Play foi aplicada no Kait. Portanto, sob o capô ele esconde o propulsor 1.6 de quatro cilindros naturalmente aspirado (nomenclatura HR16DE) em trabalho conjunto ao câmbio continuamente variável (CVT), com seis marchas simuladas. Trata-se de um conjunto já conhecido dos brasileiros e, sobretudo, de fácil manutenção.
Estão disponíveis até 113 cv e 15,2 kgfm quando abastecido com etanol, mas, assim como no Kicks Play, é a relação peso-potência de 10,24 kg/cv que torna interessante a condução do Nissan Kait, oferecendo boas acelerações e retomadas, principalmente nos deslocamentos urbanos.


É um carro que acorda prontamente e, por não contar com sobrealimentação, não apresenta o turbolag (atraso antes de o turbocompressor encher). Além disso, a injeção é multiponto, ao contrário da direta, o que também contribui para baratear os custos de manutenção. Ou seja, o conceito de “menos é mais” aparece como um aliado do bolso do consumidor na hora das revisões ou de futuras manutenções.
Obviamente, ele não entrega um comportamento mais aceso, típico de modelos turbinados como o Renault Kardian Iconic (R$ 149.990), que oferece 125 cv e 22,4 kgfm utilizando combustível vegetal. Ainda assim, agrada pela condução condizente com a proposta, pelo isolamento acústico da cabine e pelo consumo equilibrado.

Consumo e suspensões do Nissan Kait
De acordo com o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o Nissan Kait Exclusive registra médias urbanas de 7,5 km/l e rodoviárias de 8,7 km/l com etanol, enquanto, utilizando gasolina, faz 11 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada. A condução do Nissan Kait ainda é favorecida pela maciez do conjunto de suspensões e pelos pneus de perfil 55, que ajudam o conjunto a trabalhar com maior conforto.
Falando nisso, na dianteira, utiliza arquitetura McPherson, enquanto na traseira adota um novo eixo de torção, com molas e amortecedores revisados, beneficiando tanto o controle dos movimentos da carroceria quanto os momentos de compressão e retorno da suspensão. Ou seja, ficou mais confortável em relação ao comportamento dinâmico do Kicks Play.


Além disso, o conjunto de frenagem emprega discos ventilados no eixo dianteiro e tambores na traseira. Com potência abaixo dos 120 cv, o sistema está bem dimensionado e calibrado para o comportamento do Nissan Kait. Soma-se a isso o acionamento progressivo dos pedais de freio e de acelerador, característica que privilegia a condução no uso cotidiano.
A direção é assistida eletricamente e, embora seja precisa, poderia oferecer um retorno mais comunicativo, exigindo, em algumas situações, auxílio maior das mãos para completar o movimento. De todo modo, o isolamento acústico cumpre bem a função de manter do lado de fora os ruídos indesejados. Apenas em situações de rotações mais elevadas o ruído do motor invade a cabine, embora o capô tenha a aplicação parcial de revestimento fonoabsorvente.Aliás, a peça é apenas parcialmente pintada!

Veredicto
Sem dúvidas, o Nissan Kait surge como uma nova arma do fabricante para enfrentar a concorrência de Tera, Kardian e Pulse. Produzido na fábrica de Resende, no Rio de Janeiro, trata-se de um utilitário esportivo com mais acertos do que críticas, enquanto a adoção do conhecido motor 1.6 de quatro cilindros naturalmente aspirado assegura uma manutenção simples e descomplicada.
É um conjunto motriz bastante conhecido dos brasileiros, e o Nissan Kait se mostra especialmente competitivo nas versões de entrada e intermediária. A topo de linha faz sentido para quem valoriza o pacote completo de anjos da guarda em prol da segurança ou deseja adquirir um modelo mais completo. Já na versão de entrada, ele faz muito sentido, sobretudo pelas dimensões generosas e pelo amplo porta-malas.

E você, o que achou do Nissan Kait? Acredita que ele terá sucesso em nosso mercado? Entre Pulse, Kardian e Tera, qual escolheria? Compartilhe sua opinião nos comentários.
R$ 152.990
4,30 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,61 m de altura e 2,62 m de entre-eixos
1.6 de quatro cilindros naturalmente aspirado casado ao câmbio continuamente variável (CVT) de seis marchas simuladas
113 cv e 15,2 kgfm
Faz médias urbanas de 7,5 km/l e rodoviárias de 8,7 km/l com etanol, enquanto, utilizando gasolina, faz 11 km/l na cidade e 12,5 km/l na estrada.



