Ao vivo
Home » Avaliação » Será que a Toyota Hilux ainda é um “pão quente”? | Avaliação

Avaliação

Clássico de mercado

Será que a Toyota Hilux ainda é um “pão quente”? | Avaliação

Avaliamos a versão SRV AT, na faixa de R$ 314.000, para constatar se a caminhonete Toyota Hilux continua um bom negócio diante das rivais

9 min de leitura

Não restam dúvidas de que a Toyota Hilux é um verdadeiro best-seller no mercado brasileiro. Mesmo com a Ford Ranger, Mitsubishi Triton e Chevrolet S10 recebendo novas gerações ou atualizações profundas, a caminhonete média japonesa se mantém firmemente na crista da onda. Atualmente, a linha conta com dez versões, abrangendo desde carrocerias de cabine simples até as de cabine dupla, com preços que variam entre R$ 256.390 e R$ 357.890.

YouTube video

A diferença de preço entre a versão de entrada, Cabine Chassi MT (R$ 256.390), e a topo de linha SRX Plus AT (R$ 357.890), que ostenta para-lamas abaulados e uma pegada visual de Baja 1000, é de exatos R$ 101.500. Essa enorme gama de opções permite à Toyota abraçar uma grande parcela de consumidores, atendendo desde quem busca um veículo para o trabalho pesado até quem foca no lazer.

A Toyota Hilux SRV AT, posiciona-se logo abaixo das versões mais completas SRX e SRX Plus. Com preço sugerido de R$ 314.690, ela mantém uma distância de R$ 43.200 em relação à variante mais cara. Mas, afinal, o que ela oferece? A SRV inclui faróis e luzes de neblina em LED, detalhes externos cromados, protetor de caçamba, sete airbags e assistentes eletrônicos, como o de reboque e os de partida em rampa e descida.

Toyota Hilux SRV prata estacionada de traseira com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

O peso da idade e a concorrência moderna

É preciso ser honesto: esta geração da Toyota Hilux já possui alguns anos de estrada. E ela já começa a sentir o tempo passar. Essa percepção fica clara logo após conduzirmos as principais rivais. A Ford Ranger se destaca pelo conjunto da obra mais moderno; a Chevrolet S10 impressiona pela menor vibração do motor em marcha lenta; e a Mitsubishi Triton leva vantagem pelo acerto mais refinado das suspensões e pela caixa de direção.

Então, a Toyota Hilux deixou de ser boa? Pelo contrário. Embora carregue o peso da idade, ela ainda entrega exatamente aquilo a que se compromete. A construção clássica de carroceria sobre longarinas assegura uma robustez inquestionável, seja no asfalto liso ou no fora de estrada severo. Vale lembrar que ela nasceu da plataforma IMV, compartilhada com o SUV raiz SW4. No exterior, a nova geração da caminhonete já deu as caras, indicando que mudanças profundas estão a caminho.

Toyota Hilux SRV prata estacionada de dianteira com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Enquanto a renovação total não chega ao Brasil, a atual Toyota Hilux SRV AT aposta no conhecido propulsor 2.8 turbodiesel, com injeção direta e duplo comando de válvulas, trabalhando em conjunto com o câmbio automático de seis marchas com conversor de torque. São 204 cv e 50,9 kgfm. Esses números estão na média do segmento e seguem o que se convencionou para as caminhonetes médias atuais.

A convenção dos 200 cv e o uso diário

Parece que se criou uma regra não escrita de que uma caminhonete média precisa oferecer pelo menos 200 cv e 50 kgfm de torque. Embora existam opções competentes com números inferiores, como a GWM Poer P30 (184 cv e 48,9 kgfm), a Toyota Hilux se apoia em sua enorme capilaridade de rede e na reputação inabalável construída ao longo das décadas.

Não é à toa que ela continua sendo um pão quente no mercado. No ano passado, a Toyota Hilux somou 49.721 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave. No uso cotidiano, ela se mostra uma caminhonete fácil de conduzir, mesmo para quem não está habituado a veículos desse porte.

A ampla área envidraçada proporciona uma excelente visibilidade. Contudo, os bancos revestidos em couro poderiam oferecer uma sustentação lateral mais pronunciada para segurar melhor o corpo em curvas feitas mais rapidamente.

Bancos dianteiros da Toyota Hilux SRV
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Em contrapartida, a densidade macia das espumas dos assentos favorece o conforto em viagens longas, assim como há ajustes elétricos. A ergonomia também é beneficiada pelos comandos bem localizados e pela coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, facilitando a vida do motorista.

Sinais do tempo no interior e capacidades Off-Road

Quando comparamos o interior da Hilux com o da nova Ford Ranger, a idade do projeto aparece, embora a qualidade dos plásticos e do acabamento seja bom ao toque. Um ponto que divide opiniões, mas que muitos puristas elogiam, é a presença de comandos físicos para quase tudo: desde os botões do multimídia até os ajustes do ar-condicionado e o seletor rotativo de tração (4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida).

Para quem pretende colocar a caminhonete no barro, os números são respeitáveis: ângulo de entrada de 29º, ângulo de saída de 26º e uma altura livre em relação ao solo de 286 mm. A Ford Ranger XLT V6 (R$ 315.900), equipada com motor 3.0 de 250 cv e 61,2 kgfm, oferece ângulos de 30º e 26º, respectivamente, mas com uma altura do solo menor, de 235 mm.

Espaço traseiro da Toyota Hilux SRV AT
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Nas dimensões externas, a rival da Ford também é mais generosa: 5,35 m de comprimento e 3,27 m de entre-eixos, contra os 5,32 m e 3,08 m da Hilux. Essa diferença se reflete diretamente no espaço interno, especialmente para quem viaja no banco traseiro.

Embora pessoas de estatura mediana se acomodem bem na Toyota, ocupantes acima de 1,80 m podem ter mais dificuldade em encontrar uma posição totalmente cômoda. Pelo menos, há saídas de ar dedicadas e entradas USB-C para os passageiros de trás.

Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Caçamba da caminhonete Toyota Hilux: o verdadeiro exercício de academia

A caçamba é, muitas vezes, o fator decisivo de compra. A Hilux SRV oferece capacidade volumétrica de 1.000 litros e suporta 1.000 kg de carga. Aqui, ela perde para a Ranger XLT, que entrega 1.250 litros e 1.037 kg de carga útil. Mas o volume não é o único detalhe.

Um ponto crítico na Hilux é a tampa da caçamba. Ela é excessivamente pesada e não conta com nenhum sistema de amortecimento. Abrir ou fechar o compartimento pode ser um verdadeiro exercício de academia, e a peça costuma desabar com força se não for segurada. Com meus 1,70 m de estatura e 68 kg, confesso que senti uma dificuldade real pelo peso excessivo da tampa.

Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Comportamento dinâmico e suspensão

No dia a dia, o acerto de suspensão da Toyota, sendo independente com braços sobrepostos à frente e eixo rígido na traseira, é visivelmente mais firme que o da Ranger ou da caminhonete da Mitsubishi. Não chega a sacrificar o conforto, mas não tem a mesma maciez. Em asfalto mal pavimentado, é possível sentir a movimentação característica do eixo traseiro rígido, que pode “bater seco” dependendo do obstáculo.

As rodas de 18 polegadas com pneus 265/60 ajudam no trabalho da suspensão, mas a direção hidráulica, ligeiramente pesada em baixas velocidades e manobras, mostra que o sistema elétrico das rivais é mais amigável no cotidiano.

Avaliação da caminhonete Toyota Hilux SRV prata estacionada de lado com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Por outro lado, o sistema de freios merece elogios pela precisão e leveza do pedal, mesmo utilizando o esquema de discos ventilados na frente e tambores na traseira. E embora a Toyota Hilux fique abaixo da Ranger V6 em números absolutos de força, ela ainda transmite muita confiança ao volante, especialmente pela entrega de torque em baixas rotações.

Performance e a música do Motor

Com uma relação peso-potência de 10,22 kg/cv, o desempenho da Hilux SRV é condizente com sua proposta. Ela acelera bem e o ronco do motor 2.8 turbodiesel invade a cabine de forma presente, produzindo uma sinfonia encorpada que é verdadeira música para os ouvidos dos entusiastas de caminhonetes diesel. O reservatório de Arla 32 vai dentro do cofre do motor ao invés de próximo ao bocal de abastecimento.

A caixa automática de seis marchas faz boas trocas e permite mudanças sequenciais na alavanca pelo trilho clássico da marca. Estão disponíveis os modos Eco (para economia e respostas brandas) e Power (que deixa a caminhonete média mais responsiva ao acelerador). O zero a 100 km/h é realizado em 12 segundos, com máxima de 180 km/h. No consumo, o Inmetro aponta médias de 9,3 km/l na cidade e 10 km/l na estrada.

Motor 2.8 turbodiesel da Toyota Hilux 2.8
Toyota Hilux SRV [Auto+ / Rafael Pocci Déa]

Veredicto

Inegavelmente, a Toyota Hilux é um best-seller que mantém uma legião de fiéis que trocam uma Hilux por outra de olhos fechados. O tempo passou e os sinais da idade do projeto aparecem, mas a robustez e a capilaridade da rede Toyota no Brasil continuam sendo argumentos de peso.

Ela tem uma dirigibilidade honesta, bem como é robusta. Só que aguarda ansiosamente pela nova geração para renovar suas armas e tentar se manter no topo das paradas de sucesso por mais uma década.

Caminhonete Toyota Hilux SRV AT prata estacionada de frente com muro de pedras ao fundo
Toyota Hilux SRV AT [Auto+ / Rafael Pocci Déa]
Quanto custa a Toyota Hilux SRV AT?

R$ 314.690

Qual é o motor?

2.8 turbodiesel, com injeção direta e duplo comando de válvulas, trabalhando em conjunto com o câmbio automático de seis marchas com conversor de torque. São 204 cv e 50,9 kgfm.

Quais são as dimensões?

5,32 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,81 m de altura e 3,08 m de comprimento

Quais são as capacidades da caçamba?

Volumétrica de 1.000 litros e de carga de 1.000 kg

E você, o que acha da Toyota Hilux? Entre ela e as rivais, qual escolheria? Compartilhe sua opinião nos comentários.


YouTube video

Deixe um comentário

Rafael Dea

Cursou Jornalismo para trabalhar com carros. Formado em 2005, atuou na mídia impressa por mais de 16 anos e também em veículos on-line. Embora tenha uma paixão por caminhonetes, não dispensa um esportivo — inclusive, foi o único brasileiro a participar do lançamento global do Porsche Panamera GTS.

Você também poderá gostar