Não restam dúvidas de que a Toyota Hilux é um verdadeiro best-seller no mercado brasileiro. Mesmo com a Ford Ranger, Mitsubishi Triton e Chevrolet S10 recebendo novas gerações ou atualizações profundas, a caminhonete média japonesa se mantém firmemente na crista da onda. Atualmente, a linha conta com dez versões, abrangendo desde carrocerias de cabine simples até as de cabine dupla, com preços que variam entre R$ 256.390 e R$ 357.890.
A diferença de preço entre a versão de entrada, Cabine Chassi MT (R$ 256.390), e a topo de linha SRX Plus AT (R$ 357.890), que ostenta para-lamas abaulados e uma pegada visual de Baja 1000, é de exatos R$ 101.500. Essa enorme gama de opções permite à Toyota abraçar uma grande parcela de consumidores, atendendo desde quem busca um veículo para o trabalho pesado até quem foca no lazer.
A Toyota Hilux SRV AT, posiciona-se logo abaixo das versões mais completas SRX e SRX Plus. Com preço sugerido de R$ 314.690, ela mantém uma distância de R$ 43.200 em relação à variante mais cara. Mas, afinal, o que ela oferece? A SRV inclui faróis e luzes de neblina em LED, detalhes externos cromados, protetor de caçamba, sete airbags e assistentes eletrônicos, como o de reboque e os de partida em rampa e descida.

O peso da idade e a concorrência moderna
É preciso ser honesto: esta geração da Toyota Hilux já possui alguns anos de estrada. E ela já começa a sentir o tempo passar. Essa percepção fica clara logo após conduzirmos as principais rivais. A Ford Ranger se destaca pelo conjunto da obra mais moderno; a Chevrolet S10 impressiona pela menor vibração do motor em marcha lenta; e a Mitsubishi Triton leva vantagem pelo acerto mais refinado das suspensões e pela caixa de direção.
Então, a Toyota Hilux deixou de ser boa? Pelo contrário. Embora carregue o peso da idade, ela ainda entrega exatamente aquilo a que se compromete. A construção clássica de carroceria sobre longarinas assegura uma robustez inquestionável, seja no asfalto liso ou no fora de estrada severo. Vale lembrar que ela nasceu da plataforma IMV, compartilhada com o SUV raiz SW4. No exterior, a nova geração da caminhonete já deu as caras, indicando que mudanças profundas estão a caminho.




Enquanto a renovação total não chega ao Brasil, a atual Toyota Hilux SRV AT aposta no conhecido propulsor 2.8 turbodiesel, com injeção direta e duplo comando de válvulas, trabalhando em conjunto com o câmbio automático de seis marchas com conversor de torque. São 204 cv e 50,9 kgfm. Esses números estão na média do segmento e seguem o que se convencionou para as caminhonetes médias atuais.
A convenção dos 200 cv e o uso diário
Parece que se criou uma regra não escrita de que uma caminhonete média precisa oferecer pelo menos 200 cv e 50 kgfm de torque. Embora existam opções competentes com números inferiores, como a GWM Poer P30 (184 cv e 48,9 kgfm), a Toyota Hilux se apoia em sua enorme capilaridade de rede e na reputação inabalável construída ao longo das décadas.
Não é à toa que ela continua sendo um pão quente no mercado. No ano passado, a Toyota Hilux somou 49.721 unidades emplacadas, segundo a Fenabrave. No uso cotidiano, ela se mostra uma caminhonete fácil de conduzir, mesmo para quem não está habituado a veículos desse porte.


A ampla área envidraçada proporciona uma excelente visibilidade. Contudo, os bancos revestidos em couro poderiam oferecer uma sustentação lateral mais pronunciada para segurar melhor o corpo em curvas feitas mais rapidamente.

Em contrapartida, a densidade macia das espumas dos assentos favorece o conforto em viagens longas, assim como há ajustes elétricos. A ergonomia também é beneficiada pelos comandos bem localizados e pela coluna de direção com regulagem de altura e profundidade, facilitando a vida do motorista.
Sinais do tempo no interior e capacidades Off-Road
Quando comparamos o interior da Hilux com o da nova Ford Ranger, a idade do projeto aparece, embora a qualidade dos plásticos e do acabamento seja bom ao toque. Um ponto que divide opiniões, mas que muitos puristas elogiam, é a presença de comandos físicos para quase tudo: desde os botões do multimídia até os ajustes do ar-condicionado e o seletor rotativo de tração (4×2, 4×4 e 4×4 com reduzida).
Para quem pretende colocar a caminhonete no barro, os números são respeitáveis: ângulo de entrada de 29º, ângulo de saída de 26º e uma altura livre em relação ao solo de 286 mm. A Ford Ranger XLT V6 (R$ 315.900), equipada com motor 3.0 de 250 cv e 61,2 kgfm, oferece ângulos de 30º e 26º, respectivamente, mas com uma altura do solo menor, de 235 mm.



Nas dimensões externas, a rival da Ford também é mais generosa: 5,35 m de comprimento e 3,27 m de entre-eixos, contra os 5,32 m e 3,08 m da Hilux. Essa diferença se reflete diretamente no espaço interno, especialmente para quem viaja no banco traseiro.
Embora pessoas de estatura mediana se acomodem bem na Toyota, ocupantes acima de 1,80 m podem ter mais dificuldade em encontrar uma posição totalmente cômoda. Pelo menos, há saídas de ar dedicadas e entradas USB-C para os passageiros de trás.

Caçamba da caminhonete Toyota Hilux: o verdadeiro exercício de academia
A caçamba é, muitas vezes, o fator decisivo de compra. A Hilux SRV oferece capacidade volumétrica de 1.000 litros e suporta 1.000 kg de carga. Aqui, ela perde para a Ranger XLT, que entrega 1.250 litros e 1.037 kg de carga útil. Mas o volume não é o único detalhe.
Um ponto crítico na Hilux é a tampa da caçamba. Ela é excessivamente pesada e não conta com nenhum sistema de amortecimento. Abrir ou fechar o compartimento pode ser um verdadeiro exercício de academia, e a peça costuma desabar com força se não for segurada. Com meus 1,70 m de estatura e 68 kg, confesso que senti uma dificuldade real pelo peso excessivo da tampa.



Comportamento dinâmico e suspensão
No dia a dia, o acerto de suspensão da Toyota, sendo independente com braços sobrepostos à frente e eixo rígido na traseira, é visivelmente mais firme que o da Ranger ou da caminhonete da Mitsubishi. Não chega a sacrificar o conforto, mas não tem a mesma maciez. Em asfalto mal pavimentado, é possível sentir a movimentação característica do eixo traseiro rígido, que pode “bater seco” dependendo do obstáculo.
As rodas de 18 polegadas com pneus 265/60 ajudam no trabalho da suspensão, mas a direção hidráulica, ligeiramente pesada em baixas velocidades e manobras, mostra que o sistema elétrico das rivais é mais amigável no cotidiano.



Por outro lado, o sistema de freios merece elogios pela precisão e leveza do pedal, mesmo utilizando o esquema de discos ventilados na frente e tambores na traseira. E embora a Toyota Hilux fique abaixo da Ranger V6 em números absolutos de força, ela ainda transmite muita confiança ao volante, especialmente pela entrega de torque em baixas rotações.
Performance e a música do Motor
Com uma relação peso-potência de 10,22 kg/cv, o desempenho da Hilux SRV é condizente com sua proposta. Ela acelera bem e o ronco do motor 2.8 turbodiesel invade a cabine de forma presente, produzindo uma sinfonia encorpada que é verdadeira música para os ouvidos dos entusiastas de caminhonetes diesel. O reservatório de Arla 32 vai dentro do cofre do motor ao invés de próximo ao bocal de abastecimento.
A caixa automática de seis marchas faz boas trocas e permite mudanças sequenciais na alavanca pelo trilho clássico da marca. Estão disponíveis os modos Eco (para economia e respostas brandas) e Power (que deixa a caminhonete média mais responsiva ao acelerador). O zero a 100 km/h é realizado em 12 segundos, com máxima de 180 km/h. No consumo, o Inmetro aponta médias de 9,3 km/l na cidade e 10 km/l na estrada.



Veredicto
Inegavelmente, a Toyota Hilux é um best-seller que mantém uma legião de fiéis que trocam uma Hilux por outra de olhos fechados. O tempo passou e os sinais da idade do projeto aparecem, mas a robustez e a capilaridade da rede Toyota no Brasil continuam sendo argumentos de peso.
Ela tem uma dirigibilidade honesta, bem como é robusta. Só que aguarda ansiosamente pela nova geração para renovar suas armas e tentar se manter no topo das paradas de sucesso por mais uma década.

R$ 314.690
2.8 turbodiesel, com injeção direta e duplo comando de válvulas, trabalhando em conjunto com o câmbio automático de seis marchas com conversor de torque. São 204 cv e 50,9 kgfm.
5,32 m de comprimento, 1,85 m de largura, 1,81 m de altura e 3,08 m de comprimento
Volumétrica de 1.000 litros e de carga de 1.000 kg
E você, o que acha da Toyota Hilux? Entre ela e as rivais, qual escolheria? Compartilhe sua opinião nos comentários.



