Ao vivo
Home » Avaliação » BYD Atto 8 segue filosofia chinesa com quase 500 cv | Impressões

Avaliação

SUV de sete lugares

BYD Atto 8 segue filosofia chinesa com quase 500 cv | Impressões

Novo SUV híbrido plug-in de sete lugares custa R$ 399.990 e aposta em ser o PHEV mais potente da marca à venda no Brasil contra rivais premium

7 min de leitura

O BYD Atto 8 acaba de chegar ao Brasil como o novo SUV grande da fabricante chinesa por R$ 399.990, ou seja, mais barato que seus principais rivais como o GWM Wey 07 de R$ 429.000 e Volvo XC90, que parte de R$ 679.950 e vai até R$ 739.950. O Auto+ teve um levíssimo contato com o modelo em São Paulo (SP), o que deu para passar poucas impressões do que esse utilitário esportivo de sete lugares pretende entregar.

YouTube video

O Atto 8 se posiciona como o segundo SUV grande da BYD por aqui. Antes dele existia o BYD Tan, um SUV totalmente elétrico de sete lugares, inclusive o primeiro modelo da marca por aqui. O Atto 8, por outro lado, inaugura entre os modelos grandes da marca a proposta híbrida plug-in, algo que aumenta muito o leque de concorrentes.

Potência chama atenção

Debaixo do capô está um motor 1.5 turbo a gasolina que entrega 156 cv e 22,9 kgfm de torque. Ele trabalha junto com dois motores elétricos, um dianteiro e outro traseiro, ambos com 272 cv. Somando tudo, o Atto 8 entrega 488 cv sem o torque combinado divulgado. São números que chamam atenção para um SUV familiar de sete lugares.

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

Esse conjunto utiliza a plataforma DM-p  (Dual Mode-performance) da BYD, voltada justamente para modelos híbridos plug-in focados em alto desempenho e potência. Por exemplo, a DM-i, vista na família Song e King, é pensada para economia, enquanto a DM-p utiliza motores elétricos potentes.

Na prática, isso quer dizer que o carro distribui potência para as quatro rodas, algo que ajuda não só o desempenho como também a estabilidade em pisos mais escorregadios ou irregulares. A BYD claramente priorizou potência e desempenho, ainda que a autonomia elétrica também seja parte importante da equação. Aqui a autonomia elétrica divulgada é de 111 km, segundo o Inmetro e 900 km combinados (NEDC).

Primeiras impressões 

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

Sentar no Atto 8 já mostra o já bom e velho conhecido acabamento sofisticado da BYD, com bons materiais e acolchoados por toda parte. Os bancos são bem acolchoados, confortáveis e passam a sensação de estar de fato sentado em um carro grande e premium.

A posição de dirigir é boa, mas há o detalhe do volante que poderia ter uma regulagem maior de profundidade e altura. Para quem é mais alto, como eu, acaba sendo necessário esticar um pouco mais os braços para encontrar a posição ideal.

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

Outro ponto é o raio do volante, que acaba encobrindo um pouquinho do quadro de instrumentos digital dependendo da posição. Não chega a ser um problema grave, mas é algo perceptível para aqueles mais exigentes ao quase desembolsar R$ 400 mil, embora dependa muito do ajuste do condutor. 

Ao rodar com o Atto 8 pelas ruas de São Paulo, o que mais chama atenção logo de início é o acerto de suspensão claramente voltado ao conforto. Ele usa McPherson na dianteira e multilink na traseira, além de uma suspensão semi-ativa, que ajusta o comportamento dos amortecedores de acordo com o modo de condução.

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

No modo Eco, o carro fica ainda mais macio, não passando aquela sensação de gelatina, mas um pouco longe do que o brasileiro ainda gosta, apesar de não ser desconfortável. Já no modo Sport, a suspensão fica mais firme. Dá para sentir mais os impactos do piso, mas ao mesmo tempo o carro ganha mais controle de carroceria.

Mesmo assim, o conjunto ainda preserva aquela característica típica dos SUVs da BYD, que prioriza a maciez ao pisar em irregularidades. O ponto positivo é que ele absorve bem buracos, lombadas e irregularidades sem transmitir muita vibração para a cabine. Mas ainda está levemente distantes dos acertos vistos nos carros da GAC e até nos mais atuais da GWM

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

Se a suspensão privilegia conforto, o desempenho vai no caminho oposto. No modo esportivo, o Atto 8 acelera com muita força. A BYD declara 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, número que faz sentido quando você pisa fundo. O SUV simplesmente dispara, fazendo os motores elétricos entregarem torque imediato e o carro ganhar velocidade muito rápido. 

Com a tração integral a aceleração vem limpa e constante, sem cantar pneu, algo que quem tem um Song Pro/Plus/King sente nas leves pisadas do pneu dianteiro escorregando. No modo Eco, a resposta fica bem mais tranquila. O carro passa a priorizar suavidade e eficiência, mas ainda assim continua tendo uma boa capacidade de aceleração para um SUV desse porte.

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

A direção tem um peso bem equilibrado. Não é leve demais, mas também não chega a ser pesada. A BYD ainda permite escolher modos diferentes de assistência. Por exemplo, no modo conforto, o volante fica mais leve. Já no modo esportivo, ele ganha mais peso e precisão. Particularmente, prefiro essa calibração mais firme.

Vale lembrar que a marca parece ter adaptado melhor esse comportamento ao gosto brasileiro. Nos primeiros carros da BYD, inclusive o Song Pro, a direção é excessivamente leve. Aqui parece ter sido ajustado.

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

No entanto, o ponto que menos agradou foi o freio. Ele não tem uma resposta muito sensível. O pedal passa uma sensação borrachuda, o que tira um pouco da sensação de segurança. Sim, o carro aparenta frear bem nessa mínima impressão, mesmo pesando cerca de 2.650 kg, mas a calibração poderia ser melhor para transmitir mais confiança na primeira pressão do pedal.

Muito espaço interno

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

O Atto 8 mede 5,04 metros de comprimento, 1,99 metro de largura, 1,76 metro de altura e tem 2,95 metros de entre-eixos. Esse tamanho se reflete na prática, pois com o banco do motorista recuado ao máximo, sobra espaço tranquilamente atrás para mim, com meus 1,88 m. O carro acomoda bem adultos e transmite aquela sensação de SUV realmente grande. O porta-malas oferece 960 litros com cinco lugares e 270 litros com sete lugares em uso

No interior, infelizmente, tivemos pouco contato, mas ele baseia ter aquilo de melhor que conhecemos em um BYD. O quadro de instrumentos digital tem 10,25 polegadas e a central multimídia de 15,6 polegadas. O sistema ao todo responde bem e a ergonomia geral é boa. Os bancos oferecem massagem também, som premium, console central limpo e bastante tecnologia embarcada. 

Veredicto

BYD Atto 8
BYD Atto 8 [Auto+/Luiz Forelli]

Ainda é cedo para cravar uma conclusão definitiva sobre o BYD Atto 8. Nosso contato foi curto, pouco mais de dez minutos de condução. Mesmo assim, já dá para perceber que o SUV impressiona pela potência, espaço generoso e o conforto. São pontos que fazem sentido em um modelo familiar de sete lugares.

O preço é bom diante os rivais, o conjunto em geral convence e a autonomia também é muito boa na teoria. Uma avaliação mais profunda é necessária para entendermos de fato o que esse SUV de sete lugares pode entregar. 

E você, pagaria quase R$ 400 mil em um SUV híbrido plug-in chinês ou ainda prefere apostar nas marcas tradicionais? Deixe seu comentário!


YouTube video

1 comentário em “BYD Atto 8 segue filosofia chinesa com quase 500 cv | Impressões”

  1. Eduardo Miranda Fernandes

    Belíssimo carro e acertaram no nome! sou a favor da BYD adotar de vez a nomenclatura Atto para seus SUVs! Transformando o Yuan Plus em Atto 3 e o Yuan Pro em Atto 2. Esses Yuan são nomes muito feios!

Deixe um comentário

Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

Você também poderá gostar