O BYD Atto 8 acaba de chegar ao Brasil como o novo SUV grande da fabricante chinesa por R$ 399.990, ou seja, mais barato que seus principais rivais como o GWM Wey 07 de R$ 429.000 e Volvo XC90, que parte de R$ 679.950 e vai até R$ 739.950. O Auto+ teve um levíssimo contato com o modelo em São Paulo (SP), o que deu para passar poucas impressões do que esse utilitário esportivo de sete lugares pretende entregar.
O Atto 8 se posiciona como o segundo SUV grande da BYD por aqui. Antes dele existia o BYD Tan, um SUV totalmente elétrico de sete lugares, inclusive o primeiro modelo da marca por aqui. O Atto 8, por outro lado, inaugura entre os modelos grandes da marca a proposta híbrida plug-in, algo que aumenta muito o leque de concorrentes.
Potência chama atenção
Debaixo do capô está um motor 1.5 turbo a gasolina que entrega 156 cv e 22,9 kgfm de torque. Ele trabalha junto com dois motores elétricos, um dianteiro e outro traseiro, ambos com 272 cv. Somando tudo, o Atto 8 entrega 488 cv sem o torque combinado divulgado. São números que chamam atenção para um SUV familiar de sete lugares.

Esse conjunto utiliza a plataforma DM-p (Dual Mode-performance) da BYD, voltada justamente para modelos híbridos plug-in focados em alto desempenho e potência. Por exemplo, a DM-i, vista na família Song e King, é pensada para economia, enquanto a DM-p utiliza motores elétricos potentes.
Na prática, isso quer dizer que o carro distribui potência para as quatro rodas, algo que ajuda não só o desempenho como também a estabilidade em pisos mais escorregadios ou irregulares. A BYD claramente priorizou potência e desempenho, ainda que a autonomia elétrica também seja parte importante da equação. Aqui a autonomia elétrica divulgada é de 111 km, segundo o Inmetro e 900 km combinados (NEDC).
Primeiras impressões

Sentar no Atto 8 já mostra o já bom e velho conhecido acabamento sofisticado da BYD, com bons materiais e acolchoados por toda parte. Os bancos são bem acolchoados, confortáveis e passam a sensação de estar de fato sentado em um carro grande e premium.
A posição de dirigir é boa, mas há o detalhe do volante que poderia ter uma regulagem maior de profundidade e altura. Para quem é mais alto, como eu, acaba sendo necessário esticar um pouco mais os braços para encontrar a posição ideal.

Outro ponto é o raio do volante, que acaba encobrindo um pouquinho do quadro de instrumentos digital dependendo da posição. Não chega a ser um problema grave, mas é algo perceptível para aqueles mais exigentes ao quase desembolsar R$ 400 mil, embora dependa muito do ajuste do condutor.
Ao rodar com o Atto 8 pelas ruas de São Paulo, o que mais chama atenção logo de início é o acerto de suspensão claramente voltado ao conforto. Ele usa McPherson na dianteira e multilink na traseira, além de uma suspensão semi-ativa, que ajusta o comportamento dos amortecedores de acordo com o modo de condução.

No modo Eco, o carro fica ainda mais macio, não passando aquela sensação de gelatina, mas um pouco longe do que o brasileiro ainda gosta, apesar de não ser desconfortável. Já no modo Sport, a suspensão fica mais firme. Dá para sentir mais os impactos do piso, mas ao mesmo tempo o carro ganha mais controle de carroceria.
Mesmo assim, o conjunto ainda preserva aquela característica típica dos SUVs da BYD, que prioriza a maciez ao pisar em irregularidades. O ponto positivo é que ele absorve bem buracos, lombadas e irregularidades sem transmitir muita vibração para a cabine. Mas ainda está levemente distantes dos acertos vistos nos carros da GAC e até nos mais atuais da GWM.

Se a suspensão privilegia conforto, o desempenho vai no caminho oposto. No modo esportivo, o Atto 8 acelera com muita força. A BYD declara 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, número que faz sentido quando você pisa fundo. O SUV simplesmente dispara, fazendo os motores elétricos entregarem torque imediato e o carro ganhar velocidade muito rápido.
Com a tração integral a aceleração vem limpa e constante, sem cantar pneu, algo que quem tem um Song Pro/Plus/King sente nas leves pisadas do pneu dianteiro escorregando. No modo Eco, a resposta fica bem mais tranquila. O carro passa a priorizar suavidade e eficiência, mas ainda assim continua tendo uma boa capacidade de aceleração para um SUV desse porte.

A direção tem um peso bem equilibrado. Não é leve demais, mas também não chega a ser pesada. A BYD ainda permite escolher modos diferentes de assistência. Por exemplo, no modo conforto, o volante fica mais leve. Já no modo esportivo, ele ganha mais peso e precisão. Particularmente, prefiro essa calibração mais firme.
Vale lembrar que a marca parece ter adaptado melhor esse comportamento ao gosto brasileiro. Nos primeiros carros da BYD, inclusive o Song Pro, a direção é excessivamente leve. Aqui parece ter sido ajustado.

No entanto, o ponto que menos agradou foi o freio. Ele não tem uma resposta muito sensível. O pedal passa uma sensação borrachuda, o que tira um pouco da sensação de segurança. Sim, o carro aparenta frear bem nessa mínima impressão, mesmo pesando cerca de 2.650 kg, mas a calibração poderia ser melhor para transmitir mais confiança na primeira pressão do pedal.
Muito espaço interno

O Atto 8 mede 5,04 metros de comprimento, 1,99 metro de largura, 1,76 metro de altura e tem 2,95 metros de entre-eixos. Esse tamanho se reflete na prática, pois com o banco do motorista recuado ao máximo, sobra espaço tranquilamente atrás para mim, com meus 1,88 m. O carro acomoda bem adultos e transmite aquela sensação de SUV realmente grande. O porta-malas oferece 960 litros com cinco lugares e 270 litros com sete lugares em uso
No interior, infelizmente, tivemos pouco contato, mas ele baseia ter aquilo de melhor que conhecemos em um BYD. O quadro de instrumentos digital tem 10,25 polegadas e a central multimídia de 15,6 polegadas. O sistema ao todo responde bem e a ergonomia geral é boa. Os bancos oferecem massagem também, som premium, console central limpo e bastante tecnologia embarcada.
Veredicto

Ainda é cedo para cravar uma conclusão definitiva sobre o BYD Atto 8. Nosso contato foi curto, pouco mais de dez minutos de condução. Mesmo assim, já dá para perceber que o SUV impressiona pela potência, espaço generoso e o conforto. São pontos que fazem sentido em um modelo familiar de sete lugares.
O preço é bom diante os rivais, o conjunto em geral convence e a autonomia também é muito boa na teoria. Uma avaliação mais profunda é necessária para entendermos de fato o que esse SUV de sete lugares pode entregar.
E você, pagaria quase R$ 400 mil em um SUV híbrido plug-in chinês ou ainda prefere apostar nas marcas tradicionais? Deixe seu comentário!





Belíssimo carro e acertaram no nome! sou a favor da BYD adotar de vez a nomenclatura Atto para seus SUVs! Transformando o Yuan Plus em Atto 3 e o Yuan Pro em Atto 2. Esses Yuan são nomes muito feios!