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5 carros lendas do rally que ganharam placas e foram para as ruas

De Grupo A ao insano Grupo B,  o Auto+ separou cinco carros que nasceram no WRC e acabaram na garagem de colecionadores

6 min de leitura

O rally sempre foi o laboratório mais extremo da indústria automotiva, pois diferente da Fórmula 1, que vive isolada dos carros de rua, o WRC fez por décadas que as montadoras vendessem versões civis muito próximas dos modelos de competição. Desta forma, nasceram máquinas que misturam brutalidade, engenharia e uma dose generosa de loucura.

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Por isso, o Auto+ separou cinco carros que saíram das especiais de Monte Carlo, Finlândia e Portugal direto para as concessionárias. Vale lembrar que alguns foram feitos apenas para homologação, já outros até mudaram o rumo da indústria. 

Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition 1999 a 2001

Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition
Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition [Divulgação]

Entre os fãs da fabricante japonesa, o modelo chamado Evo 6.5 é o ápice da linhagem. O Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition nasceu como celebração direta do tetracampeonato mundial de Tommi Mäkinen entre 1996 e 1999. Foram apenas 2.500 unidades produzidas entre 1999 e 2001, além da Mitsubishi ter aproveitado as regras do Grupo A para criar uma versão ainda mais próxima do carro de competição.

Por exemplo, o chassi recebeu 130 pontos extras de solda para aumentar a rigidez torcional. O para-choque dianteiro também ganhou novo desenho para melhorar o fluxo de ar, enquanto a asa traseira passou a ter ajuste. 

Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition
Mitsubishi Lancer Evolution VI Tommi Mäkinen Edition [Divulgação]

Já a suspensão foi rebaixada em 10 mm na dianteira e adotou amortecedores invertidos e braços de alumínio, além das rodas Enkei de 17 polegadas que replicavam o visual das usadas no WRC.

Debaixo do capô, o lendário 4G63 2.0 turbo respeitava oficialmente o acordo japonês que limitava a potência declarada a 280 cv. Na prática, muitos exemplares passavam dos 300 cv. O torque chegava a 38,1 kgfm a 2.750 rpm graças ao turbocompressor de titânio que aguentava toda a pressão em baixa. O 0 a 100 km/h ficava em 4,8 segundos.

Mitsubishi Lancer Evolution VI rally
Mitsubishi Lancer Evolution rally [Divulgação]

Nas especiais do WRC, o Evo VI Group A foi muito bem em Monte Carlo, venceu na Suécia sobre neve, foi competitivo na Finlândia e na Austrália e consolidou o ciclo de vitórias que garantiu o tetracampeonato de Mäkinen. 

Subaru Impreza 22B STi 1998

Subaru Impreza 22B STi
Subaru Impreza 22B STi [Divulgação]

Se existe um Santo Graal da Subaru, ele atende pelo nome de Subaru Impreza 22B STi. Esse modelo foi lançado em 1998 e comemorava os 40 anos da Subaru e o tricampeonato mundial de construtores no WRC entre 1995 e 1997. Foram 400 unidades para o Japão, esgotadas em cerca de 30 minutos, além de 24 feitas à exportação.

Baseado no cupê WRX Type R, o 22B recebeu carroceria wide-body com para-lamas 80 mm mais largos, idênticos aos do Impreza WRC97 desenhado por Peter Stevens. A suspensão usava amortecedores invertidos Bilstein e molas Eibach, nesse caso ajustadas para o asfalto e cascalho.

Subaru Impreza 22B STi
Subaru Impreza 22B STi [Divulgação]

O nome vem do motor 2.2 litros turbo EJ22G que, oficialmente, declarava 280 cv a 6.000 rpm devido ao pacto entre as montadoras japonesas com a Associação de Fabricantes de Automóveis no Japão (JAMA), que regulava a potência até 276 hp e o velocímetro até 180 km/h de máxima por efeito do aumento crescente de acidentes fatais.

Já o torque atingia 37 kgfm a 3.200 rpm. O 0 a 100 km/h era de 5,1 segundos. O 22B foi inspirado no WRC97 e WRC98 preparado pela Prodrive, com câmbio sequencial e interior totalmente aliviado. O 22B era a versão civil ultra-limitada.

Subaru Impreza WRC
Subaru Impreza WRC [Divulgação]

Hoje, exemplares ultrapassam US$ 300.000 em leilões (cerca de R$ 1,5 milhão). Uma réplica quase perfeita do carro de Colin McRae, mas com placa e ar-condicionado.

Audi Quattro

Audi Quattro
Audi Quattro [Divulgação]

Antes do Audi Quattro, a tração integral era coisa de jipe. Depois dele, virou regra no rali. Por isso falamos que o Audi Quattro mudou o esporte para sempre. Lançado em 1980, o modelo introduziu tração integral permanente com diferencial central oco. O motor 2.1 turbo de cinco cilindros entregava cerca de 200 cv e 29 kgfm. O 0 a 100 km/h acontecia em 7,1 segundos, número forte para a época.

A Audi pressionou a FIA para permitir 4×4 no rally. Enquanto os rivais apostavam na tração traseira, o Quattro mostrou que a aderência extra era vantagem decisiva em neve, gelo e cascalho. 

Audi Quattro WRC
Audi Quattro WRC [Divulgação]

Entre 1981 e 1985, venceu em Sanremo, Suécia, Finlândia e até na Costa do Marfim. Em 1982 o Quattro conseguiu o título de construtores. Depois surgiram as versões A1, A2 e o radical Sport Quattro S1 E2 do Grupo B.

Diferente de modelos de homologação quase artesanais, o Quattro virou carro de produção real. Foram 11.452 unidades fabricadas até 1991. Era um Gran Turismo civilizado, com interior bem acabado, bancos esportivos e até painel digital nas versões posteriores.

Peugeot 205 Turbo 16 1984

Peugeot 205 Turbo 16
Peugeot 205 Turbo 16 [Divulgação]

O Peugeot 205 Turbo 16 é o exemplo perfeito de lobo em pele de cordeiro. Lançado em 1984, ele compartilhava apenas faróis e silhueta com o 205 comum. 

O motor 1.8 turbo foi movido para posição central-traseira, e o chassi traseiro recebeu estrutura tubular para abrigar a mecânica. Foram apenas 200 unidades de rua para homologação.

Peugeot 205 Turbo 16
Peugeot 205 Turbo 16 [Divulgação]

Sob liderança de Jean Todt, a Peugeot criou um carro compacto e extremamente ágil para derrotar o Audi no Grupo B. Deu certo. O 205 T16 conquistou os títulos mundiais de construtores e pilotos em 1985 e 1986.

A versão civil entregava 200 cv e 26 kgfm, com 0 a 100 km/h em 6 segundos. Já a Evo 2 de competição passava dos 500 cv.

Peugeot 205 WRC
Peugeot 205 WRC [Divulgação]

Depois do fim do Grupo B, o modelo ainda venceu o Dakar em 1987 e 1988 e conquistou Pikes Peak. Um detalhe curioso que agrada qualquer entusiasta é que o bloco do motor derivava de um diesel da própria Peugeot, escolhido pela robustez para aguentar altas pressões de turbo.

Ford Escort RS Cosworth

Ford Escort RS Cosworth azul parado de traseira
Ford Escort RS Cosworth [divulgação]

A asa traseira de dois andares virou assinatura do Ford Escort RS Cosworth. A Cosworth e a Ford encurtaram o chassi do Sierra RS Cosworth e adaptaram à carroceria do Escort. O motor YBP entregava 227 cv e 31 kgfm. A tração integral distribuía 34% na frente e 66% atrás, o que fazia ser um carro bem arisco. O 0 a 100 km/h acontecia em 6,1 segundos.

Foram 7.145 unidades entre 1992 e 1996. As primeiras 2.500 eram puras para homologação, com turbinas maiores e o famoso turbo lag evidente que conhecemos em diversos modelos atuais.

Ford Escort RS Cosworth WRC
Ford Escort RS Cosworth WRC [Divulgação]

Nas especiais, competiu entre 1993 e 1998 e venceu Monte Carlo em 1994 com François Delecour. Em alguns mercados, a Ford removeu a asa por exigências legais. Quase todos os donos instalaram novamente.

E você, qual desses monstros do rally teria coragem de colocar na sua garagem? Compartilhe sua opinião nos comentários!


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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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