A evolução dos carros é feita de tentativas, erros e genialidades incompreendidas. Ao longo das décadas, algumas soluções que surgiram com status de inovação revolucionária acabaram caindo em desuso, seja pela total falta de praticidade no cotidiano ou porque a tecnologia simplesmente se tornou obsoleta diante de novas demandas.
Todavia, algumas dessas ideias merecem ser resgatadas da história. Seja pelo impacto estético, pelo design fora do comum ou por terem antecipado conceitos que a indústria só conseguiria aplicar anos depois, selecionamos cinco delas que deixaram saudade (ou não).
Carros que falavam

Muito antes de assistentes virtuais como Alexa, Siri ou os comandos de voz modernos por inteligência artificial ditarem as regras, os carros já tentavam conversar com o motorista através de vozes robóticas sintetizadas que pareciam saídas de um filme de ficção científica. O Nissan 300ZX vinham com o sistema para emitir alertas sonoros, lembrando o condutor de afivelar o cinto ou avisando sobre o nível de combustível.
O pioneirismo no Brasil ficou pelo fora de série Miura Top Sport (entre 1989 e 1992), que trazia uma voz computadorizada. A tecnologia, contudo, irritava os motoristas, e a maioria preferia desligar para não ter que aguentar os puxões de orelha do painel.
Volante quadrado


Adotar um volante com formato quadrado ou com as bordas achatadas ao extremo parece uma heresia ergonômica Só que a ideia chegou a ganhar as ruas nas décadas de 1970 e 1980, bem longe dos carros-conceito. O caso mais emblemático foi o do Austin Allegro, hatch britânico produzido pela divisão Austin-Morris da British Leyland.
A justificava era melhorar a visibilidade do quadro de instrumentos e abrir espaço para as pernas do motorista. A moda passou, mas a ideia acabou reciclada com o polêmico volante estilo manche, adotado pela Tesla em modelos como o Model S Plaid.
Limpadores de farol

Extremamente funcionais em regiões que sofrem com nevascas ou estradas tomadas por lama, os mini limpadores de faróis viraram símbolo de status e sofisticação entre o fim dos anos 1970 e os anos 1990. Eles equipavam o topo da cadeia automotiva, como os Mercedes-Benz das icônicas gerações W123 e W126, além do indestrutível Volvo 240.
A engenharia era interessante, mas a conta não fechava: o custo de manutenção era alto e os pequenos braços mecânicos quebravam com facilidade em lavagens ou pequenas batidas. Hoje, são item de colecionador.
Carros com duas rodas

Apresentado no Salão de Detroit em 1961, o Ford Gyron desafiou as leis da física ao propor um conceito de carro com visual aeronáutico e apenas duas rodas traseiras alinhadas. Para se manter equilibrado em curvas ou parado, o veículo utilizava um complexo sistema de giroscópio mecânico, acomodando os dois ocupantes em fila (um atrás do outro), como em uma motocicleta coberta.
O protótipo original em fibra de vidro teve um fim trágico, sendo destruído no histórico incêndio da Ford Rotunda em 1962. Apenas o modelo de estúdio (em escala) sobreviveu à história, sendo arrematado em um leilão de antiguidade por US$ 40.000 em dezembro de 2012. Embora o Gyron não tenha vingado, o corte no número de rodas gerou frutos comerciais em outras marcas, como os clássicos modelos de três rodas Morgan Three Wheeler e o Reliant Robin.
Bancos dianteiros giratórios



Se os assentos modulares que giram para trás são comuns e práticos em vans modernas e motorhomes, a indústria tentou aplicar essa comodidade em cupês no passado. O maior exemplo foi o conceito Mazda MX-81 Aria, desenhado pelo estúdio Bertone sobre a base mecânica de um Mazda 323 para o Salão de Tóquio de 1981.
Equipado com motor 1.5 turbo de 130 cv, o cupê trazia um interior futurista radical. O volante tradicional dava lugar a uma fita retangular deslizante com comandos embutidos e uma pequena tela de TV analógica no centro do painel. Para facilitar o acesso a esse cockpit tecnológico, os bancos dianteiros giravam em direção à porta, eliminando o malabarismo na hora de entrar no habitáculo baixo.
E você, lembrava de alguma dessas soluções ou chegou a pegar a época de alguma delas nas ruas? Deixe seu comentário abaixo!

