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5 carros extremamente legais que não fazem sentido no Brasil

Diversos modelos encantam lá fora, mas enfrentariam preços altos, público limitado ou falta de espaço no mercado brasileiro

6 min de leitura

Nem todo carro interessante vai chegar ao Brasil, infelizmente. Às vezes, o modelo pode ter um até um desenho marcante, uma mecânica diferente e até uma legião de fãs no exterior, porém nada disso garante que ele terá sucesso por aqui.

Isso acontece por devidas razões. Mas a real é que o mercado brasileiro cria suas próprias regras. O consumidor gosta de SUVs, seja ele pequeno ou grande. Nós valorizamos também espaço interno, cobra porta-malas grande e, acima de tudo, compara muito o preço. 

Além disso, impostos, logística e homologação conseguem fazer um compacto relativamente acessível na Europa em um produto caríssimo no Brasil. Por isso, alguns carros perderiam completamente a lógica depois de desembarcar no país. Por isso, o Auto+ fez uma lista de carros realmente legais mas que infelizmente não caberiam no Brasil. 

Renault 5 E-Tech

Renault 5 amarelo com teto preto de frente em um fundo rosa e amarelo
Renault 5 [Divulgação]

O novo Renault 5 recupera um dos nomes mais importantes da fabricante francesa e transforma o antigo compacto em um elétrico cheio de personalidade. Com 3,92 metros de comprimento, baterias de 40 ou 52 kWh e motores de 90 cv a 150 cv, o hatch elétrico já foi flagrado no Brasil, mas dificilmente daria as caras por aqui. 

Embora seria um rival perfeito para o BYD Dolphin Mini, Geely EX2 e companhia, o problema apareceria justamente no preço. O Renault 5 nasce na Europa e parte de 21.495 euros no Reino Unido, mesmo depois do incentivo local para elétricos. 

Renault 5
Renault 5 [Divulgação]

Dessa forma, uma importação para o Brasil provavelmente colocaria o pequeno francês contra carros elétricos maiores, mais potentes e produzidos na China. Essa comparação destruiria boa parte do apelo racional do modelo. 

A Renault até poderia usar o carro como produto de imagem, assim como outras marcas fazem com esportivos e elétricos de baixo volume. Porém, uma operação regular exigiria estoque, peças, treinamento e investimento em divulgação para atender pouquíssimos compradores. Por isso, não faria sentido.

Honda N-Box

Honda N-Box Joy
Honda N-Box Joy [Divulgação]

O Honda N-Box simboliza praticamente tudo que o mercado japonês sabe fazer de melhor. Embora seja minúsculo por fora, ele usa a carroceria alta, as portas traseiras corrediças e o assoalho baixo para criar uma cabine surpreendentemente espaçosa.

No entanto, o N-Box nasceu para a categoria japonesa dos kei cars. Essa regulamentação favorece veículos extremamente pequenos, com motores de baixa cilindrada e dimensões rigidamente controladas. Portanto, a Honda desenvolveu tudo ao redor das cidades, impostos e hábitos de consumo do Japão.

Honda N-Box Joy [Divulgação]

No Brasil, o consumidor encontraria um carro estreito, de quatro lugares e com desempenho bem modesto pelo preço de um hatch ou SUV compacto bem mais potente. Além disso, a Honda precisaria adaptar o projeto para homologar por aqui.O N-Box certamente faria sucesso em vídeos e encontros de carros japoneses. Ainda assim, dificilmente justificaria uma importação oficial. 

Peugeot 408

Peugeot 408 [divulgação]
Peugeot 408 [divulgação]

O Peugeot 408 é um dos carros mais bonitos da atual gama europeia da marca. Ele mistura sedan, cupê, hatch e crossover em uma carroceria fastback de 4,69 metros. Além disso, o entre-eixos de 2,79 m oferece bastante espaço traseiro.

A linha também oferece mecânicas para praticamente todos os gostos. Há uma versão híbrida de 145 cv, uma híbrida plug-in de 240 cv e o E-408 elétrico, com 210 cv e autonomia europeia de até 455 km. Por outro lado, seu posicionamento criaria um problema enorme. 

Peugeot 408 [divulgação]
Peugeot 408 [divulgação]

O brasileiro abandonou hatches e sedãs médios aos poucos, enquanto os SUVs ocuparam quase todo o espaço dessa faixa de preço. Dessa forma, a Peugeot precisaria convencer o cliente a levar um fastback importado em vez de um SUV médio.

Além disso, o 408 não é barato nem mesmo na Europa. No Reino Unido, a versão híbrida parte de cerca de 30 mil euros, enquanto o plug-in supera os 37 mil euros. Portanto, uma eventual importação o colocaria perto de SUVs premium e híbridos chineses mais potentes. 

Ford Puma ST

EcoSport
Ford Puma ST Powershift [divulgação]

O Ford Puma ST mostra que um SUV pequeno não precisa ser sem graça. A versão esportiva usa um motor 1.0 EcoBoost com sistema MHEV, entrega 170 cv e 24,8 kgfm, além de acelerar de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos. A Ford também aplica suspensão mais firme, direção recalibrada, bancos esportivos e visual próprio. 

Na Europa, essa receita funciona porque o Puma ocupa uma posição semelhante à de um hatch esportivo. Ele tem tamanho compacto, bom porta-malas e consumo razoável, porém acrescenta a altura e o visual que o público atual procura.

Ford Puma ST Powershift [divulgação]
Ford Puma ST Powershift [divulgação]

Já no Brasil, a conta não fecharia. A Ford precisaria importar o Puma da Europa, pagar todos os custos logísticos e posicioná-lo como produto de maior valor agregado. Como resultado, o pequeno SUV provavelmente custaria mais que modelos maiores da própria marca.

Esse preço também criaria uma comparação ingrata. Por mais divertido que fosse, o Puma ST usa motor 1.0, tração dianteira e oferece menos espaço que SUVs médios. Portanto, muitos consumidores olhariam apenas para tamanho, potência e quantidade de equipamentos antes de descartá-lo.A situação mudaria caso a Ford produzisse o Puma no México ou na Argentina. 

Volkswagen T-Roc Cabriolet

Volkswagen T-Roc Cabriolet [divulgação]
Volkswagen T-Roc Cabriolet [divulgação]

O Volkswagen T-Roc Cabriolet reúne duas categorias que já vivem com dificuldade no Brasil. Ele é um SUV compacto e, ao mesmo tempo, um conversível de duas portas. A capota de tecido elétrica transforma completamente o visual do T-Roc e cria um dos carros mais diferentes da Volkswagen. 

Além disso, a versão atual oferece motor 1.5 TSI de 150 cv, câmbio DSG e acabamento R-Line. O porta-malas, porém, cai para apenas 284 litros por causa do mecanismo da capota e dos reforços estruturais. Seria divertido? Sem dúvida. Todavia, praticamente nenhum elemento do projeto conversa com o nosso mercado.

Volkswagen T-Roc Cabriolet [divulgação]
Volkswagen T-Roc Cabriolet [Divulgação]

Os conversíveis sempre venderam pouco no Brasil. Além disso, o consumidor de SUV normalmente procura espaço traseiro, praticidade e facilidade para entrar e sair. O T-Roc Cabriolet entrega apenas duas portas, banco traseiro apertado e porta-malas menor que o de muitos hatches.

O preço acabaria com qualquer chance restante. Na Alemanha, o T-Roc Cabriolet parte de 43.198 euros. Dessa forma, uma unidade importada chegaria ao Brasil em uma faixa muito superior à de T-Cross e Nivus.

Volkswagen T-Roc [divulgação]
Volkswagen T-Roc Cabrio [divulgação]

Ainda existe outro problema. O novo T-Roc convencional já estreou na Europa com uma geração mais moderna, enquanto o conversível continua baseado no projeto anterior. Portanto, a Volkswagen teria que investir na homologação de um carro caro, antigo e extremamente específico..

Qual desses cinco você gostaria de ver no Brasil, mesmo sabendo que ele provavelmente custaria caro demais? Deixe seu comentário!

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Luiz Forelli

Jornalista pela Faculdade Cásper Líbero, sempre fascinado por carros. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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