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A desconhecida geração do Chevrolet Cruze que durou apenas dois anos

Conheça a história da polêmica geração do Chevrolet Cruze que foi vendida exclusivamente na China por dois anos antes do lançamento do modelo global.

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O Chevrolet Cruze se consagrou como um dos projetos mais globais e bem-sucedidos na história recente da GM. Nascido originalmente em 2008 sob a bandeira da sul-coreana Daewoo, o sedã médio rapidamente ganhou os quatro cantos do planeta ostentando as gravatas douradas da Chevrolet e os logotipos da Holden. Só que a trajetória desse modelo esconde um capítulo intrigante.

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Pouca gente se lembra, mas o Chevrolet Cruze teve uma geração exclusiva e de curtíssima duração na China. Esse sedan misterioso atuou como uma espécie de elo perdido da engenharia da GM entre os anos de 2014 e 2016. Mas a estratégia da marca pretendia testar soluções estéticas e dinâmicas antes de carimbar o passaporte da verdadeira segunda geração internacional.

Estratégia de transição e os segredos da plataforma D2XX

A história começa em 2014, quando a divisão chinesa da GM decidiu ramificar a linha de sedãs médios no país. Para manter o apelo das versões de entrada, a empresa reestilizou o Cruze original e o rebatizou localmente de Cruze Classic. Simultaneamente, as concessionárias receberam uma carroceria inédita construída sobre a moderna arquitetura global D2XX.

Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]
Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]

Na prática, era a mesma base que mais tarde daria vida ao Chevrolet Cruze fabricado na Argentina e que tivemos no Brasil. A base, vale lembrar, também deu vida ao SUV médio Equinox. Na comparação direta das dimensões, contudo, o Cruze feito para a China exibia proporções bem mais compactas do que o modelo que os brasileiros conheceram.

Ele registrava 4,56 metros de comprimento e 1,45 metro de altura, mantendo um entre-eixos de 2,66 metros. Dessa forma, o sedã asiático entregava exatos dez centímetros a menos no comprimento total quando posicionado ao lado do irmão produzido na planta da Argentina.

Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]
Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]

Cabine antecipava o futuro e o desenho dividia opiniões

Se o lado de fora trazia uma proposta totalmente diferente, a cabine funcionava como um verdadeiro spoiler do que viria a seguir na história do Chevrolet Cruze. O desenho do painel, a ergonomia dos comandos e a disposição dos mostradores eram praticamente idênticos ao padrão adotado no sedã global de 2016. A única mudança significativa concentrava-se nas molduras e no software da central multimídia MyLink daquela época.

Por outro lado, o desenho externo exibia linhas conservadoras e faróis arredondados que rompiam com a identidade visual agressiva da marca. A grade frontal superior trazia dimensões finas, enquanto a traseira ostentava lanternas com elementos internos inspirados nos blocos ópticos do cupê esportivo Camaro. Além disso, um chamativo friso cromado interligava o conjunto óptico traseiro a lá Toyota Corolla.

Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]
Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]

O fim precoce da linhagem asiática e o legado do modelo

A existência desse Chevrolet Cruze alternativo foi interrompida de forma abrupta após apenas vinte e quatro meses de fabricação regular na China. Em 2016, a General Motors decidiu unificar sua operação global de sedãs médios e introduziu a variante internacional que todos conhecem. Naquele mesmo momento, a antiga versão Classic também dava o seu adeus definitivo das linhas de montagem.

Portanto, essa configuração específica acabou restrita aos livros de história do mercado automobilístico oriental como uma solução temporária. Apesar de sua passagem curta pelas concessionárias, o projeto cumpriu a missão de pavimentar o caminho tecnológico para os seus sucessores diretos.

Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]
Chevrolet Cruze 2014 [divulgação]

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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