Apesar de ter resgatado o nome de um carro fracassado no Brasil, o Chevrolet Sonic do passado e o do presente têm a mesma missão. Eles foram pensados para serem os carros jovens da General Motors, carros para atrair um público diferente do que compra Onix e Tracker e valoriza o estilo acima de tudo.
Isso fica ainda mais claro ao perceber que Sonic e Onix são dinamicamente idênticos e trazem o mesmo interior. Mas o novo SUV subcompacto aposta em um estilo muito mais jovial e chamativo que o do irmão, que passa longe da ousadia para tentar atrair um público mais amplo.
Só que essa fórmula do Chevrolet Sonic não é nova. A Fiat fez o mesmo ao transformar o Argo em Pulse, assim como a Renault matou o Sandero para que o Kardian tomasse seu lugar com um patamar a mais de sofisticação. Já o Volkswagen Tera surgiu como alternativa ao Polo, mas a marca jura que eles convivem bem juntos.

Com o Chevrolet Sonic, a Chevrolet quer preencher o espaço entre Onix e Tracker. Ela aposta em duas versões temáticas mais baratas que as equivalentes do Tracker, mas que posicionam seu preço de entrada acima do SUV compacto, que tem uma variante sem nome no limite de R$ 120 mil para clientes PCD. Mas o visual é suficiente para dizer tudo?
Testamos a versão topo de linha RS, que tem pegada visual esportiva, mas nenhuma alteração mecânica em relação à Premier. Ela custa R$ 135.990 como preço de lançamento, mas em breve vai decolar para R$ 140.990. A versão Premier custa R$ 5 mil a menos e não tem equipamentos diferentes da RS, apenas visual.
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Uma questão de estilo
Algo interessante sobre as marcas que transformam hatches compactos em SUVs subcompactos é a relação entre os modelos. Em um Fiat Pulse, você enxerga muito do Argo, diferentemente dos Volkswagen Nivus e Tera, nos quais é quase impossível ver a origem do Polo. Já o Renault Kardian não nega seu parentesco com o Sandero.
No caso do Chevrolet Sonic, ele disfarça mais as linhas do Onix do que o Pulse esconde seu parentesco com o Argo, mas não é tão escondido quanto os Volkswagen. As portas são exatamente as mesmas de seu irmão hatch, assim como o interior. Ainda assim, o trabalho do time de design da GM no Brasil foi muito bem-sucedido.
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O Chevrolet Sonic é um carro bonito, com frente agressiva inspirada em modelos maiores da marca, na qual os faróis divididos chamam atenção. A Chevrolet trouxe faróis full-LED com projetor tão pequeno que parece um farol auxiliar, mas ele é mais eficiente que rivais diretos com LEDs por espelhos, como Pulse, Tera e Kardian.
A grade frontal trapezoidal tem trama preto brilhante na versão RS, que adota o mesmo tom no teto, retrovisores, rodas de liga-leve e partes inferiores do para-choque. A traseira é mais longa que a do Onix, com a tampa do porta-malas mais pronunciada e arredondada, além do vidro traseiro mais inclinado.
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Por conta disso, a GM insiste em classificá-lo como um SUV cupê, coisa que ele não é. Não é a primeira vez que a marca classifica carros em categorias às quais eles não pertencem, como a Spin, que é uma minivan, mas é tratada pela Chevrolet como um SUV. Basta olhar a inclinação do vidro traseiro do Chevrolet Sonic ao lado de um Nivus e de um Fastback para ficar claro que ele não é um cupê.
Isso não tira a beleza do conjunto, que trouxe lanternas conectadas com elementos de LED que diminuem em direção ao novo logotipo da marca. De longe, a traseira lembra muito o Peugeot 208, mas tem sua dose de personalidade. Especialmente por conta do enorme aerofólio traseiro.
Onix com traje mais fino
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Por dentro, a Chevrolet usou o mesmo interior do Onix no Chevrolet Sonic, mas com atenção maior aos detalhes. Ele conta com uma faixa de couro artificial no painel que é macia ao toque. Além disso, o apoio de braço do SUV subcompacto é revestido em material macio, ao contrário do hatch, que usa plástico rígido.
A impressão que fica é que o revestimento de couro artificial dos bancos e do volante tem qualidade superior ao Tracker, que usa elementos de qualidade questionável. Na versão RS, ele traz costuras vermelhas nos bancos, portas, volante e painel, além da cor contrastante também nas saídas de ar.
![cabine interior Chevrolet Sonic RS [Auto+ / João Brigato]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/chevrolet-sonic-rs-18-1320x743.webp)
De resto, é a mesma coisa de sempre: plásticos ocos nas portas e no painel, que mostram uma qualidade de materiais inferior à do Fiat Pulse e à do Renault Kardian, mas bem próxima da apresentada pelo Volkswagen Tera. O visual, por outro lado, contrasta elementos antigos e modernos.
O volante é o mesmo do Onix, mas com o miolo alterado por conta do logotipo. Já os botões do ar-condicionado são os mesmos que a GM usa há anos. A central multimídia é interligada visualmente ao painel de instrumentos totalmente digital. Ambas as telas têm ótima qualidade, mas são lentas e, durante nossos testes, ambas travaram em algum momento.

A promessa de um espaço
Ao contrário da maioria dos SUVs compactos, na categoria dos SUVs subcompactos o espaço interno quase nunca é o ponto forte. E isso não muda no Chevrolet Sonic. Ele é apertado atrás, tanto para a cabeça quanto para as pernas. Não chega ao nível do Volkswagen Tera, mas fica longe do aproveitamento de espaço do Renault Kardian.
O motorista, por outro lado, tem banco com muitas regulagens, incluindo a possibilidade de se sentar bem baixo. O volante conta com regulagem de altura e profundidade, permitindo encontrar facilmente a posição ideal de dirigir. O único pecado é que o banco é curto e desconfortável, com pouco suporte lateral.



Destaque para a boa ergonomia do Chevrolet Sonic, salvo o fato de que a GM colocou o computador de bordo em uma operação desnecessariamente complicada via central multimídia. O porta-malas abriga 392 litros e corrigiu um problema do Onix: agora tem botão para abertura diretamente na tampa.
Onix ou Sonic?
Se eu tivesse dirigido o Chevrolet Sonic camuflado, juraria estar a bordo de um Onix com delay de acelerador. Enquanto a Fiat fez Pulse e Argo serem dois carros totalmente diferentes, a GM manteve a mesma receita em seu SUV subcompacto. Apesar da cara diferente, o coração é o mesmo.
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O Chevrolet Sonic é um carro voltado ao conforto, entregando uma suspensão robusta e bem calibrada, mas que faz o modelo sambar um pouco a traseira em curvas mais exageradas. A direção é leve e macia, claramente voltada a uma condução mais relaxada. Também chama atenção o bom isolamento acústico, salvo nas caixas de roda, pois o ruído dos pneus é bastante presente.
Debaixo do capô, o SUV subcompacto conta com motor 1.0 três cilindros turbo de 115 cv e 18,9 kgfm de torque. E sim, a correia é banhada a óleo. É a mesma do Onix, mas passou por reforços, mudanças na composição e agora tem 15 anos de garantia. O carro, por sua vez, tem cinco anos. Ou seja, é um reforço da GM para afastar do Chevrolet Sonic a má fama que atingiu o Onix.

Na prática, o Chevrolet Sonic é o SUV subcompacto turbo mais fraco à venda no Brasil. O Tera entrega 116 cv e 18,9 kgfm, enquanto o Pulse oferece 130 cv e 20,4 kgfm e o Kardian entrega 120 cv e 22,4 kgfm. Isso não se refletiria tanto na performance se, nessa última atualização do motor, a Chevrolet não tivesse adotado um forte delay de acelerador.
Eu sou um cupê? Não né…
Ao pisar fundo no acelerador, ele parece pensar se é um SUV cupê ou não, lembrar que não é e só depois acelerar. Isso fica muito evidente após uma lombada ou subida, quando o Chevrolet Sonic demora a acordar e faz o motorista pisar mais fundo no acelerador do que realmente precisa.
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Após embalar, contudo, ele ganha velocidade sem medo e com certa agilidade. O câmbio é automático de seis marchas, mas se comporta como um CVT. Isso acontece porque ele troca de marcha constantemente para manter a rotação o mais baixa possível. Mesmo após uma retomada, ao aliviar o pé do acelerador, ele já sobe de marcha.
Como resultado, temos consumo de 8,4 km/l na cidade com etanol e 10,4 km/l na estrada. Já com gasolina, são 12,1 km/l na cidade e 14,8 km/l na estrada. Nossos testes com combustível derivado da cana-de-açúcar revelaram média de 9 km/l em ciclo misto.
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A novidade que faltou ajuste
Um dos grandes diferenciais do Chevrolet Sonic em relação ao Onix é a presença de mais itens de segurança ativa. Ele recebeu sistema de manutenção e centralização de faixa, além de frenagem autônoma de emergência com alerta de colisão. Mas esses sistemas não foram bem calibrados. Vale lembrar também que não há piloto automático adaptativo.
A frenagem autônoma é tão desesperada quanto a de um carro chinês, apitando para tudo a todo momento. Mesmo com um carro distante freando, o Sonic entra em desespero e já emite luzes vermelhas no para-brisa e alertas no painel. O som é alto e, depois de um tempo, irrita por ser tão intrusivo.
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Já o sistema de manutenção em faixa corrige o volante com socos, insistindo em não deixar o motorista chegar perto da faixa. Ele não apenas mantém o carro dentro da faixa, como também tenta deixá-lo o mais centralizado possível, mesmo quando a centralização não está ativa. Basta ameaçar tocar a faixa para que ele já atue com correções fortes.
Itens de série Chevrolet Sonic RS
- Seis airbags
- Chave presencial
- Frenagem autônoma de emergência
- Alerta de mudança de faixa
- Controle de tração e estabilidade
- Sensor de estacionamento dianteiro e traseiro
- Faróis com acendimento automático e assistente de luz alta
- Câmera de ré
- Alerta de ponto cego
- Ar-condicionado digital de uma zona
- Central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay sem fio
- Wi-Fi
- Vidros elétricos nas quatro portas com função um toque
- Retrovisores elétricos
- Carregador de celular por indução
- Park Assist
- Start-stop
- Rodas de liga-leve de 17 polegadas
Veredicto

Como o título do texto diz, o Chevrolet Sonic é um arroz com feijão: feito do jeito que o Brasil gosta, mas sem nada de especial. Um bom prato é composto por elementos que se destacam e trazem algo diferente. Ele é, de fato, um carro muito bonito, econômico e confortável. Mas é só.
A condução não brilha, o interior é apertado, a lista de equipamentos entrega basicamente o mesmo que os rivais oferecem e o preço está dentro do que o segmento cobra. No final das contas, a Chevrolet fez mais do mesmo. Só que quem chega depois tem a obrigação de oferecer algo a mais. Dentro do mundo da marca, ele faz sentido. Fora dele, há opções com mais atrativos.

Ficha técnica
- Motor: 1.0 três cilindros turbo
- Potência e torque: 115 cv e 18,9 kgfm
- 0 a 100 km/h: 10 segundos
- Consumo com etanol: 8,4 km/l na cidade / 10,4 km/l na estrada
- Consumo com gasolina: 12,1 km/l na cidade / 14,8 km/l na estrada
- Dimensões: 4,23 m de comprimento / 1,77 m de largura / 1,53 m de altura / 2,55 m de entre-eixos
- Altura do solo: 20 cm
- Porta-malas: 392 litros
- Peso: 1.139 kg
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