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Muitas histórias juntas

6 vezes que as marcas da Stellantis trabalharam juntas antes de ser um grupo

Muito antes da Stellantis existir, Fiat, Peugeot, Citroën, Opel, Chrysler e Mitsubishi já compartilhavam projetos, plataformas e tecnologias

5 min de leitura

A história da Stellantis é recente, mas as marcas que hoje fazem parte do grupo trabalharam juntas diversas vezes antes de se tornarem uma família. Essas parcerias ajudaram a moldar vários carros conhecidos e abriram caminho para a criação da gigante automotiva.

As vans que juntaram todo mundo

Ducato
Fiat Ducato [Divulgação]

Em 1978, surgiu o primeiro sinal da história da Stellantis por meio da Sevel (Società Europea Veicoli Leggeri – Sociedade Europeia de Veículos Leves). O acordo reuniu Fiat, PSA, Alfa Romeo (na época independente) e Chrysler Europa, por meio da Talbot. Como resultado, em 1981 nasceu a primeira família de modelos desenvolvida em conjunto.

Tivemos a primeira geração da Fiat Ducato, que originou as derivadas Peugeot J5 (antecessora da Boxer), Citroën C25 (antecessora da Jumper), Talbot Express (já integrada ao grupo PSA) e Alfa Romeo AR6. A fábrica construída para produzir essas vans continua em operação até hoje nas mãos da Stellantis, fabricando suas sucessoras.

Simca e Talbot

Simca 1100 [divulgação]
Simca 1100 [divulgação]

Já contamos essa história aqui no Auto+, mas, em resumo, a Simca nasceu pelas mãos da Fiat nos anos 1930 para fabricar e vender carros na França. Com o passar do tempo, ganhou independência até que a Ford adquiriu parte da empresa em 1954. Quatro anos depois, vendeu sua participação para a Chrysler. Em 1959, a Chrysler também comprou a Talbot.

A partir daí, a Chrysler ampliou gradualmente seu controle sobre a Simca para transformá-la em sua subsidiária europeia. Nesse período, Fiat e Chrysler mantiveram uma relação amistosa, até que a fabricante norte-americana adquiriu todas as ações da italiana na Simca. A crise financeira, porém, mudou esse cenário. Em 1977, a Peugeot comprou Simca e Talbot, encerrando a presença da Chrysler na Europa. Nem mesmo após a criação da Stellantis a marca voltou ao continente.

Citroën já foi dona da Maserati

Citroën SM dourado parado de lateral com árvores ao fundo
Citroën SM [Divulgação]

Se hoje Citroën e Maserati são primas distantes dentro da história da Stellantis, no passado a relação foi muito mais próxima. A Citroën controlou a Maserati entre 1968 e 1975. Durante esse período, as duas marcas trocaram tecnologias. Os italianos passaram a utilizar os sistemas hidráulicos franceses e a direção DIRAVI.

Já a Citroën ganhou o SM, cujo nome significa Projeto S Maserati. O cupê utilizava motor V6 italiano, acabamento refinado e preservava as características mais ousadas da marca francesa. A crise obrigou a Citroën a vender a Maserati em 1975. Em 1989, a Fiat adquiriu parte da fabricante em parceria com a De Tomaso. O controle total veio em 1993. Hoje, as três pertencem à Stellantis.

Opel e Fiat primeiro…

Em 2005, General Motors e Fiat assinaram uma parceria para desenvolver motores e plataformas em conjunto. No Brasil, vários modelos da Fiat utilizaram motores 1.8 da Chevrolet. Já na Europa, a colaboração resultou na plataforma Small (SCCS), que mais tarde evoluiu para a Small Wide, usada por Fiat Toro, Jeep Compass, Renegade, Commander e Ram Rampage.

A plataforma Small (SCCS) substituiu a base B da Fiat e a GM4200. Ela deu origem aos Fiat Punto, Linea e Fiorino europeu, ao Alfa Romeo MiTo, aos Opel Corsa de quarta e quinta gerações, à segunda geração da Meriva, ao Opel Adam e aos franceses Peugeot Bipper e Citroën Nemo.

…depois Opel com Peugeot e Citroën

Quando ainda pertencia à General Motors, a Opel buscou uma parceira para dividir os custos de desenvolvimento de dois novos SUVs que substituiriam Meriva e Zafira. Assim, a empresa recorreu à PSA, que cedeu as plataformas PF1 e EMP2 para criar Crossland e Grandland.

O Crossland era a versão Opel da primeira geração do Peugeot 2008 e do primeiro Citroën Aircross. Embora fosse um SUV compacto, mantinha linhas arredondadas que lembravam uma minivan. Em 2024, ele deu lugar ao Frontera, que compartilha a base do Citroën Aircross com visual exclusivo. Já o Grandland nasceu a partir do Peugeot 3008 e continua até hoje como a alternativa da Opel ao SUV francês.

A intrometida da Mitsubishi

Dá para dizer que a Mitsubishi foi o elo de ligação entre FCA e PSA de forma totalmente involuntária. Isso aconteceu porque o grupo Chrysler firmou uma parceria com os japoneses nos anos 1980. Os reflexos desse acordo permaneceram por muitos anos graças à plataforma GS.

Criada em 2005, essa base serviu a modelos de Chrysler, Mitsubishi, Peugeot e Citroën. A Chrysler utilizou a plataforma no primeiro Jeep Compass e no Dodge Journey, que depois virou Fiat Freemont. Do lado japonês, ela apareceu em modelos como Lancer, Eclipse Cross, segunda geração do Outlander e ASX.

A PSA aproveitou a dupla da Mitsubishi para lançar seus primeiros SUVs. Do Outlander nasceram Peugeot 4007 e Citroën C-Crosser. Já o ASX deu origem ao Peugeot 4008 e ao Citroën C4 Aircross. Ou seja, muito antes da história da Stellantis começar oficialmente, Fiat, Dodge, Citroën e Peugeot já compartilhavam tecnologias e plataformas.

Você já conhecia todas essas coincidências entre as marcas da Stellantis? Conte nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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