A história da Stellantis é recente, mas as marcas que hoje fazem parte do grupo trabalharam juntas diversas vezes antes de se tornarem uma família. Essas parcerias ajudaram a moldar vários carros conhecidos e abriram caminho para a criação da gigante automotiva.
As vans que juntaram todo mundo

Em 1978, surgiu o primeiro sinal da história da Stellantis por meio da Sevel (Società Europea Veicoli Leggeri – Sociedade Europeia de Veículos Leves). O acordo reuniu Fiat, PSA, Alfa Romeo (na época independente) e Chrysler Europa, por meio da Talbot. Como resultado, em 1981 nasceu a primeira família de modelos desenvolvida em conjunto.
Tivemos a primeira geração da Fiat Ducato, que originou as derivadas Peugeot J5 (antecessora da Boxer), Citroën C25 (antecessora da Jumper), Talbot Express (já integrada ao grupo PSA) e Alfa Romeo AR6. A fábrica construída para produzir essas vans continua em operação até hoje nas mãos da Stellantis, fabricando suas sucessoras.
Simca e Talbot
![Simca 1100 [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/05/simca_1100_special.webp)
Já contamos essa história aqui no Auto+, mas, em resumo, a Simca nasceu pelas mãos da Fiat nos anos 1930 para fabricar e vender carros na França. Com o passar do tempo, ganhou independência até que a Ford adquiriu parte da empresa em 1954. Quatro anos depois, vendeu sua participação para a Chrysler. Em 1959, a Chrysler também comprou a Talbot.
A partir daí, a Chrysler ampliou gradualmente seu controle sobre a Simca para transformá-la em sua subsidiária europeia. Nesse período, Fiat e Chrysler mantiveram uma relação amistosa, até que a fabricante norte-americana adquiriu todas as ações da italiana na Simca. A crise financeira, porém, mudou esse cenário. Em 1977, a Peugeot comprou Simca e Talbot, encerrando a presença da Chrysler na Europa. Nem mesmo após a criação da Stellantis a marca voltou ao continente.
Citroën já foi dona da Maserati

Se hoje Citroën e Maserati são primas distantes dentro da história da Stellantis, no passado a relação foi muito mais próxima. A Citroën controlou a Maserati entre 1968 e 1975. Durante esse período, as duas marcas trocaram tecnologias. Os italianos passaram a utilizar os sistemas hidráulicos franceses e a direção DIRAVI.
Já a Citroën ganhou o SM, cujo nome significa Projeto S Maserati. O cupê utilizava motor V6 italiano, acabamento refinado e preservava as características mais ousadas da marca francesa. A crise obrigou a Citroën a vender a Maserati em 1975. Em 1989, a Fiat adquiriu parte da fabricante em parceria com a De Tomaso. O controle total veio em 1993. Hoje, as três pertencem à Stellantis.
Opel e Fiat primeiro…




Em 2005, General Motors e Fiat assinaram uma parceria para desenvolver motores e plataformas em conjunto. No Brasil, vários modelos da Fiat utilizaram motores 1.8 da Chevrolet. Já na Europa, a colaboração resultou na plataforma Small (SCCS), que mais tarde evoluiu para a Small Wide, usada por Fiat Toro, Jeep Compass, Renegade, Commander e Ram Rampage.
A plataforma Small (SCCS) substituiu a base B da Fiat e a GM4200. Ela deu origem aos Fiat Punto, Linea e Fiorino europeu, ao Alfa Romeo MiTo, aos Opel Corsa de quarta e quinta gerações, à segunda geração da Meriva, ao Opel Adam e aos franceses Peugeot Bipper e Citroën Nemo.
…depois Opel com Peugeot e Citroën
![Opel Crossland substituiu a Meriva na Europa e agora ganha novo visual [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2020/11/opel_crossland_3_edited-1200x720.jpg)
![Opel Grandland [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2021/07/opel_grandland_hybrid4_edited-1200x719.jpg)
![Opel Grandland Electric AWD [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2025/06/Opel-Grandland-Electric-AWD-1-copy-2048x1152_edited.webp)
Quando ainda pertencia à General Motors, a Opel buscou uma parceira para dividir os custos de desenvolvimento de dois novos SUVs que substituiriam Meriva e Zafira. Assim, a empresa recorreu à PSA, que cedeu as plataformas PF1 e EMP2 para criar Crossland e Grandland.
O Crossland era a versão Opel da primeira geração do Peugeot 2008 e do primeiro Citroën Aircross. Embora fosse um SUV compacto, mantinha linhas arredondadas que lembravam uma minivan. Em 2024, ele deu lugar ao Frontera, que compartilha a base do Citroën Aircross com visual exclusivo. Já o Grandland nasceu a partir do Peugeot 3008 e continua até hoje como a alternativa da Opel ao SUV francês.
A intrometida da Mitsubishi


![Mitsubishi Eclipse Cross Black [divulgação]](https://www.automaistv.com.br/wp-content/uploads/2026/06/Mitsubishi-Eclipse-Cross-Black-4-1320x743.webp)

Dá para dizer que a Mitsubishi foi o elo de ligação entre FCA e PSA de forma totalmente involuntária. Isso aconteceu porque o grupo Chrysler firmou uma parceria com os japoneses nos anos 1980. Os reflexos desse acordo permaneceram por muitos anos graças à plataforma GS.
Criada em 2005, essa base serviu a modelos de Chrysler, Mitsubishi, Peugeot e Citroën. A Chrysler utilizou a plataforma no primeiro Jeep Compass e no Dodge Journey, que depois virou Fiat Freemont. Do lado japonês, ela apareceu em modelos como Lancer, Eclipse Cross, segunda geração do Outlander e ASX.




A PSA aproveitou a dupla da Mitsubishi para lançar seus primeiros SUVs. Do Outlander nasceram Peugeot 4007 e Citroën C-Crosser. Já o ASX deu origem ao Peugeot 4008 e ao Citroën C4 Aircross. Ou seja, muito antes da história da Stellantis começar oficialmente, Fiat, Dodge, Citroën e Peugeot já compartilhavam tecnologias e plataformas.
Você já conhecia todas essas coincidências entre as marcas da Stellantis? Conte nos comentários.

