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Descubra se o seu carro é um utilitário de verdade ou apenas um hatch de salto alto

Saiba a diferença real entre um SUV bruto e um crossover monobloco. Veja por que o marketing das marcas esconde o verdadeiro nome do seu carro

3 min de leitura

Você certamente já ouviu o termo crossover, mas talvez não saiba que ele define a maioria absoluta dos carros que rodam no Brasil. Embora o marketing das montadoras empurre o selo SUV em qualquer modelo com suspensão elevada, a engenharia e o mercado internacional tratam o tema com muito mais rigor técnico.

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Crossover significa o ponto de união entre dois lados opostos. No mundo automotivo, ele designa modelos que cruzam categorias distintas. Um hatch com visual off-road ou um sedan com silhueta de cupê exemplificam essa mistura. O Honda Fit, por exemplo, transita entre hatch e minivan, enquanto o DS 5 desafia classificações com sua carroceria indefinida.

Historicamente, a Jeep inaugurou o termo SUV com o Cherokee, mas a designação crossover ganhou força com o surgimento de utilitários urbanos sem qualquer vocação off-road. Nos EUA, a regra é clara: se o modelo deriva de um carro de passeio e utiliza construção monobloco, como Nissan Kicks, Honda ZR-V ou Toyota Corolla Cross, ele é um crossover. SUV fica reservado aos brutos sobre chassi, como as picapes médias.

A jabuticaba brasileira: por que tudo aqui é SUV?

No Brasil, a palavra crossover não caiu no gosto popular. O mercado convencionou separar os veículos em duas frentes. Modelos mais altos com visual aventureiro, mas que não derivam diretamente de outro carro, recebem o selo de SUV. Já as versões levantadas de hatches e peruas, como o antigo Stepway ou a linha Adventure da Fiat, ocupam a prateleira dos aventureiros.

Essa estratégia de marketing gera situações curiosas. Veículos como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e Chevrolet Tracker ostentam o título de SUV compacto, mas cruzam a fronteira sendo classificados corretamente como crossovers. Até modelos maiores e caros, a exemplo de Jeep Commander, Toyota Corolla Cross e Audi Q7, entram na lista internacional de crossovers por não utilizarem chassi sob carroceria.

Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]
Jeep Commander Overland diesel [Auto+ / João Brigato]

O pioneiro soviético e a inovação brasileira

Se considerarmos que todo utilitário monobloco é um crossover, o primeiro do mundo foi o icônico Lada Niva em 1977. O jipe russo utilizava plataforma derivada de um sedan da Fiat e entregava uma robustez que muitos SUVs raiz atuais não conseguem replicar.

No cenário nacional, a revolução aconteceu em duas etapas. A Fiat inaugurou a tendência dos aventureiros com a Palio Weekend Adventure em 1999. Pouco depois, a Ford mudou o jogo global com o EcoSport, o primeiro modelo do mundo a transformar a base de um hatch compacto em um utilitário urbano com estepe na tampa.

E você, prefere a robustez bruta de um SUV montado sobre chassi ou a praticidade urbana de um crossover? Deixe sua opinião nos comentários.

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João Brigato

Formado em jornalismo e design de produto, é apaixonado por carros desde que aprendeu a falar e andar. Tentou ser designer automotivo, mas percebeu que a comunicação e o jornalismo eram sua verdadeira paixão. Dono de um Jeep Renegade Sem Nome, até hoje se arrepende de ter vendido seu Volkswagen up! TSI.

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