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Amado Uno

Fiat Uno completa 42 anos de história no Brasil como um ícone imortal

O hatch que revolucionou o mercado nacional em 1984 deixou um legado de robustez que nenhum sucessor conseguiu apagar

6 min de leitura

Quando o assunto envolve carros lendários, muita gente logo resgata histórias sobre o Fusca ou o Opala. No entanto, o Fiat Uno ocupa um lugar igualmente cativo no coração e na garagem dos brasileiros. Além disso, ele é bem mais moderno que boa parte dessa turma veterana e carrega uma aura de eficiência imbatível. Portanto, minha própria família serve como prova, já que diversos modelos passaram por nossos parentes.

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Meu pai, por exemplo, sempre atuou como um defensor ferrenho da Volkswagen, mas acabou não resistindo ao charme da Fiat. Consequentemente, ele adquiriu vários exemplares, focando curiosamente no Fiat Prêmio, a versão sedã do compacto. Ademais, brinco que ele deve ser o recordista nacional de posse desse modelo específico. Dessa forma, essa relação de pragmatismo resume bem o que o Uno representou para o motorista médio.

O sucessor do 147 e o início da trajetória

Primeiramente, é preciso lembrar que há exatos 42 anos, em agosto de 1984, essa narrativa começava em solo brasileiro. Visto que o modelo havia estreado na Itália um ano antes, ele chegou aqui como uma aposta ousada da fabricante. Embora tenha feito sucesso na Europa, foi no Brasil que ele atingiu o status de mito indestrutível. Afinal, seu legado superou até mesmo o fim da produção em duas ocasiões distintas.

Fiat Uno 1984 [divulgação]
Fiat Uno S 1984 [Foto: Divulgação]

Naquela época, a Fiat ainda operava como uma novata por aqui, contando com pouco mais de uma década de estrada. Contudo, o veterano 147 já dava sinais de cansaço e a marca percebeu que precisava de um produto com maior aproveitamento interno. Por isso, o Uno surgiu com uma cabine espaçosa e ergonomia superior, algo raro nos lançamentos daquele período. Vale ressaltar que, nos anos 1980, as novidades eram escassas no país.

A versão brasileira era quase idêntica à italiana, exceto por um detalhe curioso no capô dianteiro. Dado que a suspensão traseira herdada do 147 exigia espaço, o motor precisou acomodar o estepe em seu compartimento. Em virtude disso, o capô ficou 15 mm mais alto, dando ao nosso Uno uma sutil diferença visual de perfil. Quanto à mecânica, ele estreou com motores 1.05 e 1.3, oferecendo um desempenho honesto.

Fiat Uno 1.5R [divulgação]
Fiat Uno 1.5R exibia a tampa do porta-malas em preto fosco e rendia 86 cv e 12,9 kgfm [Foto: Divulgação]

A família completa e a versatilidade do projeto

O Prêmio, citado anteriormente, chegou em 1985 para ocupar a vaga deixada pelo Oggi no mercado nacional. Logo após, ele introduziu o motor 1.5 Sevel, fruto de uma parceria entre Fiat e Peugeot na Argentina. Também é importante notar que o sedã se destacava pelo porta-malas generoso de 530 litros. Posteriormente, em 1986, a perua Elba surgiu com design mais fluido e moderno que a antiga Panorama.

A Elba também não economizava em espaço, oferecendo 610 litros para bagagem até o topo dos bancos traseiros. Em seguida, no ano de 1988, a família se completou com o lançamento do Fiorino nas versões furgão e picape. Devido ao seu sucesso, a marca chegou a exportar o furgão para o exigente mercado europeu até os anos 2000. , ele rodou com volante na direita e até com freios ABS.

Fiat Uno 1.6R [divulgação]
Fiat Uno 1.6R [Foto: Divulgação]

Esportividade e o lendário Uno Turbo

O primeiro fôlego extra da linha surgiu em 1987 com o lançamento do icônico Uno 1.5R movido a etanol. Todavia, ele trazia comando de válvulas retrabalhado e carburador de corpo duplo para entregar 86 cv de potência. Mais tarde, em 1990, apareceu o 1.6R, que evoluiu para a injeção eletrônica três anos depois. Tais versões ajudaram a construir a imagem de que o compacto também sabia ser divertido.

Entretanto, o auge da linhagem aconteceu em 1994 com o nascimento do mítico Uno Turbo em terras brasileiras. Embora tenha chegado nove anos após o modelo italiano, ele veio equipado com uma turbina Garrett T2 de 0,8 bar. Assim, tornou-se o primeiro carro turbinado de fábrica no país, assombrando donos de veículos maiores. Além do motor, o Turbo apresentava um visual exclusivo com para-choques esportivos e saias.

Fiat Uno Turbo [divulgação]
O Fiat Uno Turbo i.e. fazia de 0 a 100 km/h em 9,2 segundos [Foto: Divulgação]

A reinvenção com o Mille e a sobrevivência

Nos anos 1990, a concorrência se modernizou rapidamente com o lançamento do Chevrolet Corsa e do Gol G2. A fim de sobreviver, o Uno se reinventou como Mille, aproveitando os incentivos governamentais para motores 1.0. Assim sendo, a Fiat reduziu o curso dos pistões do motor 1.05 para criar uma unidade de 999 cc. Com efeito, o veterano assumiu o posto de carro de entrada focado estritamente no baixo custo.

Em 1995, o Mille recebeu injeção eletrônica e sua potência subiu para 58 cv, melhorando a usabilidade diária. Apesar de a estratégia prever uma convivência curta com o Palio, o mercado brasileiro decidiu o contrário. Pelo contrário, o Uno demonstrou uma resistência impressionante nas concessionárias por quase duas décadas. Por esse motivo, ele ocupou por muito tempo o cargo de veículo mais barato do Brasil.

Fiat Uno vermelho parado de frente com o fundo em preto
Fiat Uno Mille empregava o motor 1.0 Fiasa e oferecia uma relação peso-potência de 16,45 kg/cv [Foto: Divulgação]

O mito da escada e a série de despedida

A robustez do projeto transformou o Uno no carro de trabalho preferido de frotistas e prestadores de serviço. Dessa união, surgiu o mito da escada no teto, acessório que supostamente concedia poderes sobrenaturais de velocidade ao compacto. Posteriormente, em 2004, o hatch passou por sua maior atualização visual, ganhando novos faróis e lanternas. Inclusive, a versão aventureira Way ajudou a manter o fôlego das vendas.

O fim da linha original só aconteceu em dezembro de 2013 devido às novas leis de segurança veicular. Como o projeto antigo não comportava airbags e freios ABS, ele se despediu com a série Grazie Mille. Apenas 2 mil unidades exclusivas foram produzidas com pintura especial para os fãs fervorosos. Mesmo com a segunda geração lançada em 2010, o carisma do modelo clássico nunca foi plenamente substituído.

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Fiat Uno Grazie Mille [Foto: Divulgação]

Em suma, o Uno funciona como o equivalente moderno ao Fusca pela sua capacidade de encarar qualquer terreno difícil. Se você entrar em uma trilha fechada no interior, provavelmente encontrará um Uno trabalhando duro por lá. Afinal, ele é o botinha ortopédica que conquistou o país com sua economia e manutenção simplificada. Certamente, ninguém na Fiat previa tamanha imortalidade quando o lançaram em 1984.

Qual sua versão preferida do Uno? Conte noscomentários.

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