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Por que os faróis de neblina estão sumindo dos carros novos

Item criado para cortar a neblina perdeu espaço com a evolução dos faróis inteligentes, do design minimalista e da busca por eficiência aerodinâmica nos carros modernos

5 min de leitura

Uma das polêmicas recentes do mundo automotivo é o sumiço dos faróis de neblina na maior parte dos carros atuais, de diversas montadoras. Um item que nasceu na década de 1920 para ajudar a iluminar pistas enevoadas está desaparecendo silenciosamente. Muitas pessoas criticam, mas poucas vão atrás para entender o motivo real dessa mudança.

Para entender o cenário atual, vale voltar um pouco no tempo

Os faróis de neblina surgiram como resposta a uma limitação clara dos primeiros sistemas de iluminação automotiva. Até o início do século XX, os carros usavam lanternas a acetileno ou querosene, que iluminavam pouco e de forma bastante difusa. A iluminação elétrica começou a se popularizar a partir de 1912, mas trouxe um outro problema em condições adversas.

A luz branca projetada pelos primeiros faróis elétricos refletia fortemente na neblina, criando o chamado paredão branco à frente do carro. Em vez de melhorar a visibilidade, isso acabava atrapalhando a percepção da via.  A solução então foi posicionar uma luz mais baixa, próxima ao solo, com facho largo e geralmente em tom amarelado para reduzir o reflexo e iluminar melhor o caminho.

Le Mans
Le Mans [Divulgação]

O primeiro uso registrado desse conceito aconteceu em 1926, nas 24 Horas de Le Mans. A francesa Cibié foi a pioneira e equipou carros de corrida com um farol específico para passar pelas fortes neblinas nas madrugadas da prova. A ideia funcionou e rapidamente chamou a atenção da indústria.

Entre as décadas de 1930 e 1950, os faróis de neblina passaram a aparecer com mais frequência em carros de produção, principalmente na Europa. A partir dos anos 1970, regulamentações de segurança ajudaram a consolidar o item como um equipamento comum, ainda que nem sempre obrigatório. 

Volkswagen Gol
Volkswagen Gol GTI [Divulgação]

Nos anos 1980 e 1990, o farol de neblina virou quase um padrão visual, presente até em carros compactos e, em alguns casos, com soluções retráteis ou embutidas no para-choque.

Só que o carro mudou

O primeiro motivo para o desaparecimento dos faróis de neblina é tecnológico. Os faróis principais evoluíram de forma agressiva nos últimos anos. LEDs, projetores, fachos mais precisos e controle eletrônico de intensidade fizeram com que a iluminação baixa dos modelos atuais seja muito mais eficiente do que era há 20 ou 30 anos. 

Audi Q5 2026 bege de frente
Audi Q5 2026 [divulgação]

Em muitos casos, o farol baixo em LED ilumina melhor em neblina do que o próprio farol auxiliar antigo. Os próprios faróis comuns em LED hoje em dia iluminam com muita mais amplitude diversas áreas, ajusta o facho automaticamente ou reduz a intensidade para não ter reflexos. Na prática, a função continua existindo, mas sem a necessidade de um farol dedicado, e por isso não faz sentido ter um farol auxiliar.

E aí que entra outro fator: o design. A indústria automotiva vive uma fase de forte minimalismo visual. Para designers e engenheiros, eliminar o farol de neblina significa deixar o para-choque mais limpo, com menos recortes e elementos visuais. Isso ajuda a criar uma identidade mais moderna e alinhada ao que o mercado espera hoje.

Parte da dianteira do novo Volkswagen Nivus Highline azul
Novo Volkswagen Nivus Highline [Divulgação]

Há também a questão aerodinâmica. Cada abertura no para-choque interfere no fluxo de ar. Ao eliminar o espaço do farol de neblina, as marcas ganham liberdade para redesenhar entradas de ar menores, direcionar melhor o fluxo e reduzir o coeficiente aerodinâmico, como aconteceu com o facelift do Volkswagen Nivus em 2024. 

E com um coeficiente aerodinâmico melhor o consumo consequentemente ganha, pouco, mas existe. Por isso, não é coincidência que vários carros tenham abandonado o farol de neblina nos últimos anos. 

Honda Civic Advanced Hybrid 2026 azul estático
Honda Civic Advanced Hybrid 2026 [Divulgação]

Além do Nivus, o Polo, Jetta e Tiguan, já passaram por essa mudança na linha da marca alemã. Tanto o Ford Territory quanto o Honda Civic também perderam os faróis de neblina nas atualizações mais recentes. Até marcas premium como Mercedes-Benz, Audi, BMW e Volvo reduziram ou eliminaram o item em vários modelos.

Existe ainda um fator regulatório e de custo. Em muitos mercados, o farol de neblina nunca foi obrigatório. Ao retirar o componente, a montadora reduz peças, chicotes, comandos e homologações específicas. Em um carro produzido em centenas de milhares de unidades, essa economia se torna relevante.

BMW 320i M Sport [Auto+ / João Brigato]

Nada disso significa que o farol de neblina virou inútil. Em regiões com neblina frequente, como serras e estradas de altitude, ele ainda faz sentido, como nos carros de rally. O problema é que, para a maioria dos consumidores e na maior parte do tempo, o uso era mais estético do que funcional. E então o mercado acabou respondendo a isso.

E você, acha que os faróis de neblina ainda fazem falta ou os sistemas atuais já dão conta do recado? Deixe seu comentário!


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2 comentários em “Por que os faróis de neblina estão sumindo dos carros novos”

  1. Paulo Abreu

    Tenho uma Doblò Essence 2021 sem faróis de neblina. Troquei as lâmpadas comuns pingo d’água, de farol baixo e alto por conjunto de super led. É gritante a diferença na iluminação. Em neblina, faz a diferença, sem sentir falta de faróis de neblina auxiliares.

  2. Joelmo

    Se formos avaliar a eficiência dos faróis atuais, realmente, os faróis de neblina/auxiliares não fazem falta. Mas no caso de uma pane elétrica, acidente, ou defeito em um, ou nos dois faróis principais, os auxiliares poderão ser utilizados. Se eu comprar um veículo que não tenha, e eu poder instalar sem comprometer a parte elétrica ou a garantia, com certeza vou instalar.

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Luiz Forelli

Estudante de jornalismo, sempre foi fascinado por carros desde pequeno. Passava horas dirigindo no colo da família dentro da garagem ou empurrando carrinhos pela casa, como se já soubesse que seu caminho estaria entre motores e rodas. Hoje, realiza o sonho de infância escrevendo sobre o universo automotivo com a mesma empolgação de quem brincava com um volante imaginário. No lugar do sangue, corre gasolina, e isso nunca foi segredo.

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